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BGS 2019


BGS: Compositor de Final Fantasy XV, Nakama já se sente em casa no Brasil

Shota Nakama - Giovanna Breve/UOL
Shota Nakama Imagem: Giovanna Breve/UOL

Giovanna Breve

Colaboração ao START

17/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • O START conversou com Shota Nakama durante a Brasil Game Show (BGS)
  • Em sua quarta vinda ao Brasil, o compositor apresentou pela primeira vez a Video Game Orchestra no evento
  • Ele compôs músicas para Final Fantasy, Kingdom Hearts, Sonic Mania e Little Witch Academia, anime da Netflix.

Shota Nakama já veio quatro vezes ao Brasil e, este ano, repetiu sua participação na Brasil Game Show (BGS), que aconteceu em São Paulo. Tantas visitas ao país não são por acaso, já que ele assina a trilha sonora de grandes franquias de jogos como "Final Fantasy", "Kingdom Hearts", "Sonic Mania" e da animação Little Witch Academia.

Para este ano, o produtor musical trouxe uma novidade: a Video Game Orchestra (VGO), projeto dele que mescla show de rock orquestrado e trilha de games. A apresentação aconteceu na própria BGS, com músicas de "Final Fantasy", "Sonic", "Persona 5" e até um "Sweet Child O' Mine" da banda Guns N' Roses no repertório. Depois disso tudo, Nakama falou com o START e contou sobre a carreira, a profissão de criar trilhas para games e a paixão pelo povo brasileiro.

START: Você apresentou a Video Game Orchestra durante a BGS. Como foi tocar pela primeira vez no Brasil?

Nakama: Já fazia um tempo que conversamos com promotores brasileiros e eles pareciam se interessar, mas no fim não acontecia. E eu venho tentado trazer a VGO para o Brasil por uns cinco anos e finalmente, graças à BGS, conseguimos. E quando aconteceu fizemos um show como se quisessem que isso acontecesse. Muitas pessoas apareceram e fiquei muito agradecido, é uma enorme paixão para os fãs e todos que vieram. Foi fantástico.

Viajar aumenta a experiência do conhecimento como ser humano e naturalmente, afeta sua composição porque vem do seu coração

START: Acredito que foi uma grande emoção. E essa não é a sua primeira vez aqui no Brasil. O que mais te surpreendeu? É um país muito distante de onde você vem.

Nakama: No Japão, todo livro de história ou alguém sempre fala sobre o Carnaval no Rio, mas o Brasil é muito maior, existem 200 milhões de pessoas e é um dos maiores países do mundo! Estive aqui quatro vezes agora, e cada vez encontro algo novo e interessante. A cultura é tão mista, existem tantas pessoas diferentes e tantas tribos diferentes se você for à Amazônia. São lugares diferentes e é tão único. Mas de um modo geral, as pessoas são muito descontraídas, o que é legal porque é como minha cidade natal, Okinawa. O povo é mais apaixonado e expressivo, e também uma coisa que eu realmente gosto nas pessoas aqui é que vocês adoram brincar (risos).

START: Agora, falando sobre sua carreira, você veio primeiro da música. Como foi esse processo de misturar música e jogos?

Nakama: Comecei a tocar piano aos sete anos e guitarra aos 15 anos. Quando criança, não gostava muito de música mainstream ou coisas assim, conhecia música clássica porque estava tocando piano, mas eu não estava realmente interessado. Aos 15 anos comecei a ouvir Deep Purple, heavy metal, hard rock e fiquei tipo 'sim, isso é ótimo' e foi também quando eu descobri sobre as incríveis bandas brasileiras como Dr Sin, Angra e Shaman, que ainda escuto até hoje.

Quando comecei a jogar, acho que uma das lembranças mais antigas que me lembro provavelmente tinha cinco anos e estava jogando Nintendo. Toda família no Japão tinha algum tipo de console de videogame, porque estava bombando. Se você cresceu no Japão nas décadas de 1980 e 1990, não poderia ter ignorado os games quando criança. Então, foi bastante natural eu ter a ideia de misturar música e games.

Se você cresceu no Japão nas décadas de 1980 e 1990, não poderia ter ignorado os games quando criança

START: Você já fez músicas e trilhas sonoras para anime e jogos, há uma diferença entre compor para essas mídias?

Nakama durante a apresentação da VGO na BGS 2019 - Divulgação/BGS
Nakama durante a apresentação da VGO na BGS 2019
Imagem: Divulgação/BGS
Nakama: Se você está compondo para animes, há um começo e um fim, então a música começa e termina em até três minutos. Mas para os videogames, você realmente não sabe quanto tempo está gastando, quanto tempo os jogadores vão ficar em cada fase. Então, nesse caso, essa pessoa estará andando no campo por umas 80 horas ou mais (risos), e é literalmente a mesma música, repetindo várias vezes. Nesse caso, você tentaria não distrair muito os jogadores, e pensar como uma música de fundo. Mas eu gosto de escrever desde a música de batalha até épicas.

E games são interativos, há um ótimo exemplo: quando o inimigo te encontrar, é emitido um som, a música é acionada por ele e vai haver mudanças na música e esse é o tipo de coisa que eu devo fazer, mesmo que seja mais técnico. Eu acho que todos os gêneros, todas as músicas são iguais. Há coisas boas, coisas ruins desde que tenham ótimas melodias, estrutura harmônica e orquestração.

START: Existe alguém na indústria, pode ser jogos, filmes ou animações, com quem você realmente queira trabalhar?

Nakama: Alan Silvestri, o compositor de "De Volta Para o Futuro", "Forrest Gump" e outros ótimos filmes. É um dos meus compositores favoritos e eu adoraria ser assistente dele.

Mas a maior parte das músicas do jogo é adquirida, as empresas detêm os direitos então você não conhece compositores e isso é meio lamentável
Shota Nakama critica a forma como música de games são trabalhadas pelas empresas

START: Durante o processo, você tem alguma inspiração durante a música?

Nakama: Prazo final (risos). Bem, quando precisa terminar tudo em um determinado momento você apenas precisa tirar algo do seu coração e escrever algo certo. Mas quando não tenho prazo, faço coisas que não estão relacionadas, como passear, dirigir, comer ou o que quer que seja, e tento manter a música em mente.

É como esperar o momento acontecer, eu acho. Logo surge como um estrondo repentino tipo "Ah, essa é uma ótima melodia" ou "Ah, essa é uma ótima estrutura" ou algo assim. Quando isso acontece, lentamente tudo se desenvolve na minha cabeça e eu já tenho uma música. Então, eu vou escrever.

SHota Nakama trabalhou nas trilhas de jogos como Final Fantasy e Kingdom Hearts - Divulgação/BGS
SHota Nakama trabalhou nas trilhas de jogos como Final Fantasy e Kingdom Hearts
Imagem: Divulgação/BGS

START: Como é acompanhar a indústria de jogos pela música? Desde os anos 80 até hoje mudou muito, tanto que temos acesso a trilhas sonoras de games em serviços de streaming.

Nakama: Eu acho que em termos de música de videogame ou empresas de videogame, em geral, estão muito atrasadas porque a maioria dos shows de games é voltada para adultos. Mas a maior parte das músicas do jogo é adquirida, as empresas detêm os direitos então você não conhece compositores e isso é meio lamentável. É hora de reestruturar isso, mudar para que a música esteja nas mãos das pessoas que escreveram e tenho certeza de que há maneiras em que ambas as partes saem ganhando. Acho que uma vez que isso mude, nosso mercado também mudará porque a música dos videogames é algo que tende a crescer.

Os compositores devem ser compensados para que também possam crescer e para a próxima geração saber que quem escreve as músicas de videogame também pode ser grande. O mercado ia se tornar mais competitivo, de um jeito bom, e mal posso esperar para ver isso acontecer.

Quando o inimigo te encontrar, é emitido um som, a música é acionada por ele e vai haver mudanças na música e esse é o tipo de coisa que eu devo fazer, mesmo que seja mais técnico
Shota Nakama explica como os momentos em que uma música começa a tocar é importante nos jogos

START: Se há alguém que queira trabalhar na indústria, principalmente na música. Que dicas você gostaria de dar para dar a essa pessoa?

Nakama: Se você é sério então estude, pois é definitivamente importante. E também tente executar mais do que qualquer coisa quando puder, se você é guitarrista, vá se apresentar em shows ao vivo, toque em uma banda e faça músicas com a banda. Se você é um músico clássico, vá tocar em uma orquestra. Se for cantor vai cantar em um coral, shows ou em clubes.

Ser capaz de ter um bom desempenho ajuda a escrever e é muito de composição espontânea. Isso tornará seu processo de compor mais rápido, melhor e começará a entender mais sobre o que os músicos vão pensar e, eventualmente, você terá que colaborar com outros orquestradores de arranjos ou alguém para fazer músicas juntos.

Viajar e fazer coisas que não estão relacionadas à música também enriquecem a vida e às vezes importa mais do que música. Viajar aumenta a experiência do conhecimento como ser humano e naturalmente, afeta sua composição porque vem do seu coração.

Como foi o START na BGS 2019

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