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"Batman: Arkham Asylum" 10 anos depois: Por dentro da mente do Espantalho

Espantalho é um dos vilões em "Batman: Arkham Asylum" - Reprodução
Espantalho é um dos vilões em "Batman: Arkham Asylum" Imagem: Reprodução

Makson Lima

Colaboração para o START

27/08/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Batman Arkham Asylum completou dez anos de lançamento no último dia 25 de agosto
  • Game do estúdio Rocksteady mudou os games de super heróis e de ação
  • Fases do Espantalho no jogo ainda estão entre as melhores e mais assustadoras dos videogames

Não é todo dia que um game como "Batman: Arkham Asylum" aparece. A produção do estúdio Rocksteady comemorou recentemente 10 anos e, com sua chegada, nascia uma nova era para os jogos de super-heróis.

Entre as características do jogo que mais chamam a atenção está o combate, claro, que virou padrão para todo jogo de ação desde então. Só que os encontros malucos e, ao mesmo tempo, assustadores com o Espantalho ainda ressoam em mim. Para relembrarmos dos momentos que faço minha homenagem pouco ortodoxa ao personagem.

Quando se olha muito tempo para o abismo?

Um dos "Nightmares" do Espantalho no game - Reprodução
Um dos "Nightmares" do Espantalho no game
Imagem: Reprodução

A escuridão é uma coisa engraçada. Quando não há nada diante de seus olhos, quando a mente passa a preencher todos os espaços, é aí que a gente se conhece de verdade. Eu, hoje, sei bem quais são as minhas lacunas, e qual o meu recheio. E sei bem que é nojento. Eu tenho nojo de mim mesmo, mas tenho muito mais daquele doutor. A realização veio com muita dor, porque é aquilo, né: amor e ódio, de mãos dadas pela relva molhada. "Dr. Crane", eu dizia pra mim mesmo, "Dr. Crane, seu doente genial, como é que você vai fazer uma coisa dessas, cara?!". E ele fez.

"Como o mundo pode conhecer o verdadeiro medo, quando o mundo tem você?!". Quantas vezes eu ouvi ele vociferando isso, enquanto arremessava tubos de ensaio pelas paredes. E foi numa dessas crises, desses surtos, que o plano começou a ser estabelecido. Dizem que mentes brilhantes florescem sob pressão, tipo diamante e tal. Verdade.

Eu só fiquei sabendo de tudo depois, na boca pequena, nesse ou naquele buraco, porque o doutor não confia em ninguém, muito menos num mané como eu. Eu só tava lá, e alguns diriam que "hora errada, lugar errado". Nada. Muito pelo contrário. Quem é curioso tem sempre algo enfiado dentro da calça, tipo picando você nas partes, sabe como é? Então eu precisava saber o que tinha acontecido.

Não é todo dia que o Batman chora feito criancinha, que alguém coloca aquele brucutu maldito em posição fetal. E eu só consegui entender o que aconteceu com o cara, porque eu já estive muito tempo no escuro e tem muita lacuna minha preenchida, muitas delas por aquela máscara, aquele cheiro, aquela voz profunda, tão sedutora, tão amedrontadora. A verdade é que eu amo você, Espantalho, porque você conhece o seu abismo melhor do que ninguém. Ou que quase ninguém.

? o abismo também olha para você

Foi a grande sacada. A maior de todas. Como você pega de surpresa, de calça arriada mesmo, quem vive a vida preparado pra fazer o mesmo com você, o tempo todo? Ele tá sempre lá, nas sombras, na espreita, esperando a hora certa pra dar bote e? POW! SOC! TUM! E você já viu o cara brigando? É tipo um balé do nariz quebrado, uma dança coreografada do olho roxo. É lindo, e você se borra todo.

Então, pra isso rolar, na honestidade é que não ia ser, até porque essa palavra, essa concepção, é tão relativa quanto o dia da noite, a noite do dia. O morcegão lá não é qualquer mané, não. Longe disso, e o doutor já me falou de seus brinquedinhos. Na real, ele tem uma memória fotográfica do inferno e tem desenho das traquitanas espalhados pelo chão, pelas paredes. "Conheces teu inimigo e conhece-te a ti mesmo", não era isso? Sei lá. É o que dizem.

Não é todo dia que o Batman chora feito criancinha, que alguém coloca aquele brucutu maldito em posição fetal

Desculpa, sou prolixo. Minha mente se perde, mas o que eu preciso contar é o seguinte: ele conseguiu. Ele fez o morcego molhar as calças. E eu só fico me perguntando: qual foi o maior trauma de infância daquele maluco? Ou, então, ele era daquelas crianças malignas, tá ligado? Que maltrata bicho, que belisca os amiguinhos, taca fogo nas coisas. Sei bem como é. O maluco bate forte demais, só pode ser de nascença isso aí.

Uma vez o doutor falou dormindo "os pais do morcego? num beco? assassinato? órfão...", coisa de doido mesmo. Esse gás tá afetando o doutor. É tipo o monstro voltando pra acertar as contas com o Frankenstein. Essa história é boa, heim! É a tua crueldade sempre ali, no pé do teu ouvido, sempre te lembrando que tua hora vai chegar. É karma que chama?

"O que eu faço é o que me define"

Do jeito que eu conheço aquele médico dos infernos, consigo imaginar muito bem o tipo de imagem que ele passou de si mesmo dentro da cabeça do Batman. Coisa de megalomaníaco, com mania de grandeza. É por isso que todos esses vilões não chegam a lugar nenhum. Eles têm o passo maior que as pernas. Menos aquele lá, o da risada esganiçada. Aquele lá é outro nível de demência. E o doutor sempre teve uma admiração enrustida por ele, até por isso topou essa coisa toda.

De volta ao lar? - Divulgação
De volta ao lar?
Imagem: Divulgação

Agora, o que o Crane não esperava mesmo, é que o morcego sabia tão bem quanto ele que medo, medo é a total falta de esperança. E quem não tem nada a perder, quem não tem esperança nenhuma, é desse que você tem que ter medo de verdade. O Batman é espelho desses trastes. Unha e carne, um não existe sem o outro. Só que, ao contrário do Croc, do Charada, daquele sádico serial killer do Zasaz, tem uma luz na escuridão do morcego. E essa luz é tão forte, que cega. É por um milésimo de segundo, mas é o suficiente pra você perder alguns dentes no processo.

O Espantalho teve seu minuto de glória. Por um minuto que seja, ele fez o Batman duvidar de si mesmo, de seu propósito, do real significado por trás daquela máscara, daquele símbolo. Mas o que é um minuto pra uma vida toda? Pesado. E sério, não aguento mais essa louca me chamando de pudinzinho. Alguém me tira desse hospício! Já deu!

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