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Dinheiro, fama e Free Fire: como o game mudou a vida de streamers

Streamers já são dedicados 100% ao jogo - Arte/UOL
Streamers já são dedicados 100% ao jogo
Imagem: Arte/UOL

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

24/07/2019 12h29

Resumo da notícia

  • Youtubers e streamers já conseguem se dedicar somente a lives e vídeos de "Free Fire"
  • A youtuber Uma Dani morava no Japão e voltou ao Brasil por conta do jogo
  • A influencer Palominha conseguiu comprar um carro e uma casa com a renda de seu canal
  • Apesar de ser pro-player, El Gato se sustenta com suas lives e vídeos de "Free Fire"

"Free Fire" já é um daqueles fenômenos que consegue reunir mais de 800 mil pessoas online ao mesmo tempo para assistir a um torneio no Brasil, como aconteceu no último sábado (20), nas finais da Free Fire Pro League, que aconteceu em São Paulo.

A popularidade é tanta que, hoje, menos de dois anos depois do lançamento do jogo, youtubers e streamers já conseguem se dedicar 100% ao battle royale da Garena como fonte de renda. O START aproveitou a Pro League para conversar com youtubers, streamers e pro-players, e entender como "Free Fire" está transformando a vida deles.

Booyah! para mudar de vida

Uma Dani tem canal dedicado a jogar Free Fire - Samuca Hernandez/UOL
Uma Dani tem canal dedicado a jogar Free Fire
Imagem: Samuca Hernandez/UOL

A relação de Danieli Soares com "Free Fire" foi de amor à primeira ida ao banheiro, pouco depois do lançamento do jogo, no início de 2018. Na época ela morava no Japão, trabalhando 12 horas por dia em uma fábrica e, no tempo livre, fazia transmissões de jogos diversos, como "Ark Survival", "Dead by Daylight e "PUBG" para ter contato com pessoas no Brasil.

O gosto pelo game mobile fez com que ela passasse a jogá-lo também em suas transmissões. Hoje no seu canal Uma Dani, que tem mais de 1,5 milhão de inscritos, ela só joga "Free Fire". Ela diz que o jogo mudou muito mais do que só o número de inscritos: "Mudou tudo o que eu tinha na minha vida. Eu voltei do Japão, consegui me estabilizar novamente no Brasil, consegui ficar mais perto da minha filha e da minha família".

Dani voltou ao país graças a um contrato de salário fixo para realizar lives no Facebook, o que faz até hoje. Ela não revela quantias, mas diz que ganha "bem, comparado a outros trabalho que fazia".

O Free Fire mudou minha vida por completo e fez realizar vários sonhos
Uma dani, youtuber e streamer

Dani foi bastante tietada pelo público durante a Pro League - Saymon Sampaio/Garena
Dani foi bastante tietada pelo público durante a Pro League
Imagem: Saymon Sampaio/Garena

O game da Garena pode render muitas horas de diversão e, quem sabe, também um carro ou mesmo uma casa. Foi esse o tipo de mudança que o jogo causou na vida da também youtuber Paloma Ribeiro, a Palominha, que tem outro canal de sucesso focado em "Free Fire", com mais de 1,5 milhão de inscritos.

Moradora de Xique-Xique, no interior da Bahia, ela viu um retorno financeiro acima do esperado com seus vídeos, que batem fácil a marca de 200 mil visualizações todos os dias. Só com os rendimentos do canal, ela diz que já comprou um carro e até uma casa na cidade.

Já consegui (comprar) minha casa e meu carro, graças ao Free Fire
Palominha, streamer

Palominha começou a jogar "Free Fire" em 2018 e já tem um canal de sucesso no YouTube - Samuca Hernandez/UOL
Palominha começou a jogar "Free Fire" em 2018 e já tem um canal de sucesso no YouTube
Imagem: Samuca Hernandez/UOL

Isso quer dizer que todo mundo que começa a jogar "Free Fire" tem o sucesso garantido? Não exatamente, como diz a influencer Heloisy Bello, do canal Uma Noob in Games na plataforma Streamcraft. "Depende do canal, da plataforma em que se faz live... são muitos fatores", comenta.

Além das Streams, Noob, como ela é chamada, possui um canal no YouTube em crescimento, também chamado Uma Noob in Games, com quase 300 mil inscritos. "Eu comecei a jogar em abril de 2018, mas foi só nove meses depois, em dezembro, que passei a viver do jogo, demorou um tempinho pra mim", conta.

"Queda" para cima

Apesar de ser pro-player, El Gato faz mais sucesso sendo streamer de "Free Fire" - Samuca Hernandez/UOL
Apesar de ser pro-player, El Gato faz mais sucesso sendo streamer de "Free Fire"
Imagem: Samuca Hernandez/UOL
"Dá pra viver, dá pra enriquecer, dá pra viver por 10 anos com 'Free Fire!", diz, em tom de brincadeira, Rodrigo Fernandes, mais conhecido como El Gato. Ele é uma das principais personalidades da comunidade do jogo, nem tanto por ser pro-player do time Los Grandes, mas sim por ser streamer de sucesso.

El gato diz que seu sustento vem das transmissões diárias, na plataforma Nimo TV, e dos vídeos em seu canal no YouTube, que tem impressionantes 5,3 milhões de inscritos. A carreira de pro-player, no final, fica em segundo plano.

Antes de conhecer o game, no final de 2018, ele fazia vlogs de humor no YouTube, mas algo não estava legal. "Eu me sentia muito limitado às vezes, eu tinha mais de 300 vídeos publicados e não sabia mais o que falar", comenta. "Então, quando eu encontrei o 'Free Fire' eu descobri um novo método, novas coisas para falar"

Hoje eu vivo pra Free Fire
El gato, pro-player e streamer de "Free Fire"

Outra pro-player que também vem fazendo carreira em "Free Fire" é Barbara Passos, a Babi, do time LOUD, um dos finalistas da Pro League. Até o começo do ano, ela cursava direito em Belo Horizonte, mas a oportunidade de jogar "Free Fire" profissionalmente fez com que ela mudasse de cidade: agora ela mora na gaming house da equipe, em São Paulo. "Quando vi que aquilo poderia se tornar um trabalho pra mim, eu abracei essa chance e minha vida mudou"

Babi mudou de cidade e largou a faculdade - Samuca Hernandez/UOL
Babi mudou de cidade e largou a faculdade
Imagem: Samuca Hernandez/UOL

De estudante do quinto período de direito pra jogadora profissional de "Free Fire"
Babi, pro-player da LOUD

Apesar de hoje viver para jogar "Free Fire", Babi sente que não são todos que ainda têm esse privilégio por aqui, mesmo na cena competitiva. O exemplo dela ainda é uma exceção, não uma norma. "Alguns (times) conseguem ter uma base financeira no 'Free Fire", conta Babi. "Porém, isso ainda é minoria. Ainda não expandiu tanto assim pra galera conseguir se manter".

Samuca Hernandez/UOL
Imagem: Samuca Hernandez/UOL

Atualmente, das grandes organizações de eSports do país, só INTZ, Red Canids e Vivo Keyd apostam em "Free Fire", mas se o sucesso das finais da segunda temporada de Pro League indica algo, é que o game ainda tem bastante potencial no país, principalmente com a realização do Mundial no Rio de Janeiro, em novembro de 2019.

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