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Os piores finais de jogos de todos os tempos [contém spoilers!]

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Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

30/06/2019 04h00

CUIDADO! O texto a seguir contém spoilers!

Finais de histórias, seja na TV ou no cinema, em geral são controversos, mesmo quando tentam ser simples e diretos. Você fica insatisfeito com o destino do protagonista, acha que devia ter sido diferente, ou ainda passa a odiar os episódios anteriores porque "o final estragou tudo".

Nos games não é diferente. E com alguns agravantes próprios do meio: muitas vezes os estúdios investem mais tempo de produção no início do jogo do que no final, e outras vezes decidem por um final "aberto" para manter viva a possibilidade de continuações.

Separamos alguns exemplos clássicos de finais considerados ruins ou decepcionantes. E queremos saber de vocês: quais outros podem entrar na lista?

Mass Effect 3

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Ah, Mass Effect! A saga fez um tremendo sucesso na geração passada. No comando de "Shepard", você resolvia diversas crises interplanetárias, mediando conflitos entre raças e evitando ameaças de seres que queriam destruir a vida do universo. Tudo isso com uma enorme carga filosófica sobre conceitos complexos, como a própria existência.

Tudo isso acontecia por meio de escolhas morais complicadas, relacionamentos bem desenvolvidos com membros da sua tripulação e muitos conflitos envolvendo membros influentes de outras raças.

Os dois primeiros jogos, de 2007 e 2010, tiveram finais bons, ou pelo menos decentes. Já o encerramento da trilogia, em 2012, deveria ter sido muito melhor do que foi, principalmente porque a BioWare prometia diferentes finais, de acordo com as decisões do jogador.

Grandes áreas e liberdade? A parte final é linear, quase um corredor com ondas de inimigos. Amigos fiéis? Os seus companheiros literalmente desertavam e te deixavam encarar o final melancólico sozinho. Escolhas morais e diálogos? As três opções na hora da última escolha geravam finais parecidos, sem muito impacto e com diversas incoerências com as regras do próprio mundo, como destruir os "Mass Relays". Tudo o que você havia construído antes, inclusive levando seu progresso e escolhas de um jogo ao próximo, parecia não ter importância.

Os jogadores ativaram o modo fúria, organizaram protestos e chegaram a mandar um carregamento de cupcakes para a BioWare, criticando as decisões. O estíudio decidiu fazer uma versão estendida do final para consertar o estrago, e vários pontos foram melhorados, mas ainda assim ficou um gosto para lá de amargo para quem passou anos acompanhando a saga.

Borderlands

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Nesse caso é bem fácil de entender a frustração, mesmo para quem não jogou. A premissa de "Borderlands" é procurar pelo "Vault", um tesouro alienígena repleto de tecnologias inimagináveis, que atraía corporações e caçadores para uma busca épica no planeta Pandora.

Você passa dezenas de horas atirando em monstros, melhorando o seu personagem e concluindo missões secundárias para conseguir encontrar esse "Vault". A expectativa não poderia ser outra senão ver qual o tesouro escondido. Só faltou combinar com a Gearbox.

No final, você tem uma luta decepcionante com um monstro que se escondia dentro do Vault, o "The Destroyer", que de difícil só tem o nome. Quando você derrota o monstro, descobre que concluiu o seu objetivo de proteger o tesouro, e que ele agora estará selado por mais 200 anos.

Guerras já começaram por muito menos, senhora Gearbox.

Fable 2

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O clímax de um jogo geralmente está em enfrentar o grande o vilão em uma batalha épica e desafiadora. No caso de RPGs com múltiplas escolhas para os diálogos, a expectativa é por finais diferentes, com recompensas diferentes que levem em conta o que o jogador fez durante a jornada. "Fable 2" não quis nada disso.

O que você recebe é um monólogo entediante do vilão que parece não dar em lugar algum. Até que em determinado momento você finaliza tudo com um tiro no estômago do infeliz, sem uma escolha importante, sem grandes revelações, sem uma luta épica.

Para finalizar da pior forma possível, logo após o "embate", a recompensa final tenta simular um poder de escolha do jogador, com consequências que pouco importam e não levam em consideração o que foi feito até então. Quer ficar rico? Salvar entes queridos em troca da população? Ou o contrário? Escolha uma opção, já sabendo o resultado, e o fim de jogo é independente do que você fez no jogo inteiro.

Esperávamos mais de você, Peter Molyneux.

Batman: Arkham Asylum

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Alguns finais são ruins não pela narrativa, mas porque o último chefe é tão decepcionante que você é capaz de tentar voltar no tempo só para esquecer a experiência.

"Batman: Arkham Asylum" é um desses exemplos. O jogo foi um marco no ano em que saiu, já que era uma excelente adaptação para um super herói, coisa que poucos tinham conseguido até então. Além dos aspectos narrativos, também havia um belo sistema de combate, que foi definidor de gênero e influenciou muitos jogos.

O problema estava no final, quando o coringa vira praticamente um Hulk para enfrentar o Batman em uma luta muito sem graça. Como nada de interessante acontece depois, a sensação é de que muito foi feito por quase nada. Não foi o caso de estragar a experiência do jogo, mas não deixa de ser um péssimo final.

Castlevania: Lords of Shadow

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"Lords of Shadow" não é um dos preferidos dos fãs da franquia "Castlevania". O seu final foi motivo de muita irritação e confusão na época por não explicar o que aconteceu e deixar a resolução para um conteúdo extra pago. Final por DLC pode, Arnaldo?

O jogo acaba com Gabriel Belmont como um vampiro, talvez o Drácula? Mas como? As perguntas ficaram na cabeça dos jogadores, e as respostas ficaram no ar.

Para decifrar esse enigma, tivemos que comprar um DLC nada barato chamada "Revelations", que desfez em partes a confusão. O enredo não é ruim, as escolhas narrativas também não, o problema aqui foi forçar os jogadores a comprar algo que já deveria estar no jogo desde o início para entender a história.

Fallout 3

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Não entenda mal: a primeira experiência da Bethesda com a franquia "Fallout" foi um sucesso. O jogo conta com diversos momentos marcantes, um bom mundo aberto e grande parte da jornada traz uma história interessante.

Só que na hora de finalizar tudo, eles derraparam feio e acabaram entregando um final que desagradou grande parte do público. O principal motivo foi novamente a falta de relevância das escolhas do jogador.

Chegada a hora de resolver tudo, após desvendar as conspirações em torno do paradeiro do seu pai, você luta contra um chefe que não faz frente ao seu poder naquela altura do jogo, que cai com poucos disparos de forma frustrante.

Depois, é encarregado de uma decisão impositiva, que não leva em conta os seus companheiros e decisões durante a jornada e tenta criar um sentimento de auto sacrifício, resultando em finais parecidos que apelam para a nostalgia dos jogos anteriores com slides que explicam muito pouco os resultados do que você construiu ou destruiu pelo caminho.

Halo 2

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"Halo 2" é um dos melhores FPS já feitos, com controles responsivos, níveis bem construídos, inteligência artificial bem programada e um personagem icônico. Só que o papo aqui é sobre finais, e nesse quesito um dos melhores jogos de todos os tempos falhou.

A parte final parecia estar encaminhando para um final épico, quando Master Chief aparece pilotando um nave rumo ao desconhecido? Seria um nível final? Bem, não era. Na verdade o jogo acaba ali mesmo, com um diálogo tentando passar aquele gostinho de "continua no próximo episódio", o que é comumente chamado de "Cliffhanger", o termo gringo para essa solução.

Só após três anos descobrimos do que se tratava em Halo 3. Mas a espera foi penosa e aquele final odiado por bastante tempo.

Bônus:

Existem ainda vários outros jogos que poderiam entrar na lista, por finais incompletos e mal contados como "Metal Gear Solid V" ou "Deus Ex: Mankind Divided", por decisões ruins de roteiro, como "Far Cry 4" ou "Alan Wake" e ainda por chefes ou níveis finais abaixo do esperado, como "Dark Souls 2" ou "The Witcher 3: Wild Hunt". Mas vamos dedicar esse bônus ao jogo considerado por muitos, com razão, o grande jogo da última década.

Half Life 2 Episode 2

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"Half Life 2" tem influência até hoje na indústria dos jogos, seja em questões de narrativa ou de jogabilidade, já que física e inteligência artificial ainda engatinhavam na época, e o jogo já parecia anos à frente do seu tempo.

Mas mesmo jogos soberbos, como vimos aqui com "Halo 2", podem sofrer com finais ruins. Principalmente quando os criadores tentam gerar expectativa para um próximo jogo que pode não estar nos planos. Isso aconteceu com "Half Life 2", que abusou do "Deus Ex Machina", nome dado para uma solução que quebra a narrativa em favor de uma decisão do autor, para trazer o "G Man" para um monólogo que serviu basicamente para criar expectativa sobre o que viria no próximo episódio.

Isso, por si só, já não é uma solução das mais agradáveis, mas em "Episode 2" a situação foi ainda mais frustrante. Um dos melhores personagens de toda a série foi morto em uma cutscene enquanto a filha e o Gordon ficaram abalados sobre o que ocorreu. Fim de jogo. Isso mesmo, nada resolvido, muito em aberto. O problema maior? "Half Life 3" ou uma sequência para o "Episode 2" parece fora dos planos da Valve, e a história permanece sem um fim desde então. Se isso não é o pior final de todos os tempos, não sabemos o que é.

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