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Como irmãos russos ficaram bilionários criando games à la "Candy Crush"

Em "Homescapes", jogo mais popular da Playrix, você ajuda um mordomo a reformar uma casa - Divulgação
Em "Homescapes", jogo mais popular da Playrix, você ajuda um mordomo a reformar uma casa Imagem: Divulgação

Ilya Khrennikov e Alexander Sazonov

Da Bloomberg

18/04/2019 12h04

Há quase duas décadas, em uma longínqua cidade da Rússia conhecida pela produção de manteiga e tecido, dois irmãos dividiam um quarto e um computador com processador Pentium 100, que usaram para programar seu primeiro jogo. Wall Street agora quer um pedaço do que os dois construíram.

O alto escalão da Playrix fez reuniões com os maiores bancos e "visitou os arranha-céus deles", conta Dmitry Bukhman, 34 anos, citando encontros no Goldman Sachs Group e Bank of America. Mas, por ora, "nós estamos focados em expandir o negócio".

Ele e Igor Bukhman, 37 anos, são as cabeças que movem a Playrix Holding, desenvolvedora de games parecidos com o "Candy Crush", como "Fishdom" e "Gardenscapes", quem têm mais de 30 milhões de usuários diários ao redor do mundo e faturamento anual de US$ 1,2 bilhão, segundo a Newzoo. A empresa está entre as 10 maiores desenvolvedoras de aplicativos das lojas iOS e Google Play em termos de receita, de acordo com dados da AppAnnie.

Hoje, cada irmão é dono de US$ 1,4 bilhão, segundo o Bloomberg Billionaires Index. É a primeira vez que eles aparecem em um ranking de fortunas globais.

A jornada começou em 2001 em Vologda, localizada 483 quilômetros ao norte de Moscou. Um professor universitário contou a Igor que ele podia vender software pela internet. Ele se dispôs a fazer isso com a ajuda de Dmitry, que ainda cursava o ensino médio.

"Nós não tínhamos experiência, não tínhamos nenhum entendimento de negócios. "A gente só pensava em criar jogos", lembra Igor.

Jogos da Playrix têm mais de 30 milhões de usuários diários ao redor do mundo e faturamento anual de US$ 1,2 bilhão - Divulgação
Jogos da Playrix têm mais de 30 milhões de usuários diários ao redor do mundo e faturamento anual de US$ 1,2 bilhão
Imagem: Divulgação

O maior mercado da Playrix é o dos EUA, seguido de China e Japão, informaram os irmãos durante uma entrevista realizada em Tel Aviv, onde moram parte do tempo. Os dois administram 1.100 funcionários de maneira remota, incluindo pessoal na sede na Irlanda e desenvolvedores na Rússia, Ucrânia e Belarus.

O primeiro jogo foi criado durante as férias de verão e gerou US$ 60 no primeiro mês e US$ 100 por mês nos meses seguintes. Era metade do salário médio em Vologda.

Em 2004, quando a receita mensal chegou a US$ 10.000, os dois registraram a empresa, alugaram o porão de uma livraria e contrataram gente para acelerar a produção.

Nos primeiros anos, eles vendiam games em sites como majorgeeks.com e download.com e depois migraram para plataformas maiores, como Yahoo! e AOL. Na última década, os games começaram a migrar para o Facebook e então para os smartphones.

A maior parte da receita da Playrix vem de compras dentro dos aplicativos. Os irmãos preferem não veicular anúncios para não prejudicar a experiência do usuário."Foi um grande desafio para nós passar a desenvolver jogos gratuitos. "É um DNA totalmente diferente", disse Dmitry. "Com jogos gratuitos, nós não desenvolvemos, lançamos e então passamos para outro. São serviços que precisam de suporte constante porque os usuários esperam atualizações regulares."

A Playrix teve sucesso nessa transição, conquistando reconhecimento mundial nos últimos três anos com o "Gardenscapes" e sua sequência, o "Homescapes". Neste último, o jogador supera fases e percorre um roteiro animado, ajudando um mordomo chamado Austin a reformar uma casa com jardim.

"São como aplicativos, como o Spotify, as pessoas podem usá-los durante anos", explicou ele. "Por que não pagar US$ 5 pelo prazer de jogar um game no celular em vez de assistir vídeos ou escutar música?" Nos EUA, os usuários pagantes gastam, na média, US$ 32 por mês no "Homescapes", o jogo mais popular da Playrix.

Não existe um preço mágico que convenceria os Bukhman a vender a empresa porque o dinheiro importa menos do que fazer algo que eles amam.

"Alguns podem pensar que, quando se tem muito dinheiro, tudo fica diferente e mais interessante e você começa a fazer outras coisas", disse Dmitry. "Mas não, nós apenas continuamos trabalhando."

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