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Jogo em que Bolsonaro ataca minorias tem vendas suspensas no Steam

Em "Bolsomito 2K18", candidato a presidente espancava e matava opositores - Divulgação/BS Studios
Em "Bolsomito 2K18", candidato a presidente espancava e matava opositores Imagem: Divulgação/BS Studios

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

29/01/2019 15h58

Após ordem judicial do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), a Valve retirou no último dia 8 o controverso "Bolsomito 2K18" do catálogo global de vendas do Steam, o mais popular serviço de comercialização de jogos para computadores. A empresa informou que o produto foi deslista do na última segunda-feira (28), pouco mais de um mês depois da decisão expedida pelo desembargador Álvaro Ciarlini.

A Valve também comunicou a Unidade Especial de Proteção de Dados e Inteligência Artificial do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) os dados da empresa responsável pela criação do jogo. Ele tinha sido colocado à venda pela desenvolvedora brasileira BS Studios, que não tinha site e chegou a ter uma página de Facebook, que não existe mais.

Tais informações sobre o estúdio não foram divulgadas publicamente.

O caso está em andamento desde outubro, quando o MPDFT iniciou uma investigação em torno do jogo na comissão de Proteção dos Dados Pessoais e do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação. No dia 20 de dezembro, o TJDFT ordenou a suspensão das vendas do game.

Para o desembargador responsável pela decisão o jogo, então com o nome modificado apenas para BOLSOMITO, promovia "desvalores como a discriminação racial, bem como a opressão, o preconceito e a violência, inclusive a prática de homicídio e intolerância".

Antes da ordem da Justiça, o promotor Frederico Meinberg havia dito que o game expunha "o país de forma negativa no cenário internacional".

O agora inacessível "Bolsomito 2K18" era um jogo do gênero beat'em'up, nos moldes de clássicos do fliperama como "Double Dragon". Só que, em vez de personagens fictícios, ele colocava o jogador no controle do então presidenciável (depois presidente eleito) Jair Bolsonaro (PSL).

Sob comando do político, o jogador deveria enfrentar mulheres, gays, negros e integrantes de movimentos sem-terra. Para o MPDFT, o jogo possuía "clara intenção de prejudicar o candidato e com isso embaraçar as eleições de 2018".

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