PUBLICIDADE

Topo

Xbox


Casual sem ser raso, "Forza 7" é o ponto mais alto da série

Reprodução
Imagem: Reprodução

Rodrigo Lara

Do Gamehall

04/10/2017 04h00

O que distingue um game de corrida de um simulador? Antes de falarmos de "Forza 7", convém esclarecer essa questão, especialmente se considerarmos a recente chegada aos consoles de títulos como "Project CARS 2" e "Assetto Corsa", típicos games que, há algum tempo, seriam exclusivos para PC.

Um simulador de automobilismo, basicamente, tenta reproduzir da forma mais fiel - e sem qualquer concessão - a complicada relação entre piloto, carro e ambiente. O quanto isso vai ser passado de forma crua e exata ao jogador ou piloto virtual depende da receita utilizada por quem desenvolve o game.

E é aqui que voltamos a "Forza Motorsport 7" - ou ainda, à franquia "Forza" como um todo. Na hora de definir o tempero da série, a produtora Turn 10 a afastou dos complexos e frustrantes simuladores, se apoiando em um meio-termo entre simulação e diversão, conhecido como "simcade" (misturas das palavras "simulation" e "arcade"). É um caso similar ao visto na franquia rival "Gran Turismo" e, por mais que em ambos os casos ela e a Polyphony Digital insistam em posicionar seus jogos como simuladores, a realidade é completamente diferente - se você acreditou no papo delas, sinto muito.

Ou seja: "Forza" não é, nunca foi e dificilmente será um simulador.

Excelência a cada segundo

"Forza Motorsport 7" chega com uma dupla responsabilidade: marcar a primeira década da série e ser o primeiro jogo capaz de mostrar uma boa dose do potencial do aguardado Xbox One X. Enquanto a novidade não chega, convém tranquilizar os donos do Xbox One convencional e deixar claro que, sim, eles estarão muito bem servidos.

Um ponto que chama bastante a atenção em "Forza 7" é o esforço da Turn 10 em entregar excelência a cada instante. Seja nos modelos dos carros ou nos cenários nos quais a disputa acontece, é difícil encontrar pontos que deixam a desejar, muito menos defeitos.

Visual é um dos grandes destaques do jogo: alterações climáticas são extremamente críveis e ajudam na imersão do jogador - Reprodução
Visual é um dos grandes destaques do jogo: alterações climáticas são extremamente críveis e ajudam na imersão do jogador
Imagem: Reprodução

O resultado disso é uma experiência visual bastante realista e imersiva. Tomemos como exemplo o clima dinâmico nas corridas. O céu reflete perfeitamente as mudanças de humor de São Pedro: caso uma chuva esteja a caminho, é possível ver nuvens se acumulando, raios e, finalmente, a chuva. O contrário também ocorre, com o céu se abrindo ao final de uma tempestade, ou ainda quando há o ciclo de dia e noite. Isso tudo acaba gerando um efeito que não apenas é crível, mas totalmente agradável e convincente - e melhor ainda para quem jogar em 4K, o que é possível no PC e, futuramente, no Xbox One X.

Cenários são deslumbrantes e vivos e os brasileiros estão representados pela pista fictícia do Rio de Janeiro - Reprodução
Cenários são deslumbrantes e vivos e os brasileiros estão representados pela pista fictícia do Rio de Janeiro
Imagem: Reprodução

A mesma qualidade e atenção aos detalhes é vista na modelagem dos carros. Salvo algum leve tropeço - como o relógio do painel de alguns deles indicarem a hora do tempo real e não a hora em que ocorre a corrida no game -, todo o resto, o que inclui também os sons, funciona muito bem. Quem já teve o privilégio de dirigir na vida real alguns modelos de marcas famosas, como Porsche, BMW, Ferrari, Mercedes-Benz etc, certamente reconhecerá seus roncos.

E provavelmente abrirá um sorriso ao dar uma volta com um desses modelos no game.

Diversão acima da realidade

Game foi testado no Xbox One - Montagem/UOL
Game foi testado no Xbox One
Imagem: Montagem/UOL

Aqui em cima eu disse que "Forza" não é um simulador. E, ainda que a frase possa ser interpretada como uma crítica, ela na verdade é a receita do sucesso da série e um dos seus principais trunfos. Em seus dez anos de existência, "Forza Motorsport" prezou justamente por ser um game inclusivo, no qual entusiastas de automóveis e jogadores casuais podem se divertir em doses proporcionais, pilotando carros dos sonhos sem grandes complicações.

"Forza 7" leva isso ao máximo. Tanto faz se você não tem um volante para jogar: a experiência usando um controle convencional é satisfatória a ponto de você não se sentir obrigado a adquirir o acessório. E, nesse ponto, palmas para a Turn 10: fica nítido que o desenvolvimento de "Forza 7" mirou os jogadores que usam um controle comum e não um volante. É um caminho oposto ao que ocorre com os já citados "Project CARS 2" e "Assetto Corsa".

Colocar o carro de lado e se exibir em um drift com muita fumaça não é tarefa das mais complicadas em "Forza 7" - Reprodução
Colocar o carro de lado e se exibir em um drift com muita fumaça não é tarefa das mais complicadas em "Forza 7"
Imagem: Reprodução

É claro que essa concessão cobra o preço na hora de simular o comportamento de um carro na pista. Ainda que seja obrigatório seguir algumas regras básicas de pilotagem, como frear antes das curvas, seguir uma trajetória correta e usar freio e acelerador com suavidade - caso você não use nenhum auxílio à pilotagem -, a física do game é permissiva.

O resultado imediato disso pode ser resumido em uma palavra: satisfação. Desligar os auxílios à pilotagem (com todos eles ligados, o jogador basicamente acelera e vira o carro) e, ainda assim, domar veículos superpotentes, que vão de carros de F-1, Fórmula Indy, superesportivos e até mesmo caminhões de corrida, é um incentivo extra a continuar jogando e desafiando os limites impostos pelo jogo.

Pilotar os temíveis "charutinhos" da Fórmula 1 das décadas de 1960 e 1970 é possível mesmo para quem usa controle; game preza por ser acessível - Reprodução
Pilotar os temíveis "charutinhos" da Fórmula 1 das décadas de 1960 e 1970 é possível mesmo para quem usa controle; game preza por ser acessível
Imagem: Reprodução

E isso vale tanto para situações de pista seca quanto sob chuva. Neste último caso, além do espetáculo visual, há elementos que geram um desafio extra, como o acúmulo de poças d'água que fazem os veículos aquaplanarem ligeiramente. Ao contrário da vida real, essa situação - e outras, como frear com um lado do carro na grama - é facilmente contornável em "Forza 7".

Progresso equilibrado

O modo carreira, principal atrativo para quem curte jogar sozinho, é apresentado no novo game como "Copa de Pilotos Forza". Basicamente, há seis níveis com diversos campeonatos temáticos em cada. Enquanto alguns desses campeonatos envolvem tipos específicos de carros, outros têm entrada livre.

É um modo bem variado - ainda que se apoie na tradicional fórmula de "corra um campeonato, acumule dinheiro, compre um novo carro para entrar em outro campeonato" -, cuja progressão adota um ritmo cadenciado, sem ser algo tedioso, tampouco excessivamente rápido.

A carreira em "Forza 7" segue a "Copa de Pilotos Forza" e reúne seis eventos distintos com vários campeonatos em cada um  - Reprodução
A carreira em "Forza 7" segue a "Copa de Pilotos Forza" e reúne seis eventos distintos com vários campeonatos em cada um
Imagem: Reprodução

Também não há a necessidade de chegar nas últimas categorias para experimentar os modelos mais rápidos. Tomando como exemplo o primeiro nível, ele já tem um campeonato que envolve carros clássicos de Fórmula 1, cuja pilotagem exige uma dose extra de habilidade do piloto virtual.

Além dos campeonatos em si, há eventos especiais, que envolvem tarefas específicas como participar de uma prova de longa duração ou jogar boliche usando uma limusine. É realmente difícil ficar entediado - ok, é preciso admitir que corridas off-road fazem uma leve falta.

Não é preciso avançar muito no game para pilotar carros mais potentes; progressão em "Forza 7" não é nada tediosa - Reprodução
Não é preciso avançar muito no game para pilotar carros mais potentes; progressão em "Forza 7" não é nada tediosa
Imagem: Reprodução

Outro desafio adicional chega na forma dos modificadores, itens comprados com o dinheiro do jogo e que dão tarefas específicas aos jogadores, como realizar curvas perfeitas, um número determinado de ultrapassagens, usar apenas a câmera do cockpit, entre outros. Quando cumpridas, essas tarefas garantem bônus em dinheiro e/ou experiência após as corridas.

Além do modo carreira, é possível disputar corridas isoladas, partidas online, desafiar rivais em eventos específicos ou disputar corridas offline, com a tela dividida.

A concorrência come poeira

Gráficos, som, jogabilidade acessível e diversão: a fórmula de "Forza 7" faz com que o game chegue na condição de referência na categoria, em um caso similar ao ocorrido em 2016 com "Forza Horizon 3". E, aqui, o coloco à frente não de games lançados com diferentes premissas, como os sisudos "Project CARS 2" e "Assetto Corsa" e os específicos "F1 2017" e "DiRT 4", mas sim do rival histórico de "Forza", a série "Gran Turismo".

"Forza 7" oferece uma boa variedade de carros, de modernos a clássicos, cada um com características únicas de jogabilidade e sons  - Reprodução
"Forza 7" oferece uma boa variedade de carros, de modernos a clássicos, cada um com características únicas de jogabilidade e sons
Imagem: Reprodução

Seja em quantidade quanto em qualidade, "Forza" reforçou sua posição de liderança nesta disputa. Mais do que ter mais games lançados diante de uma concorrência que falha em entregar jogos com frequência, "Forza 7" também mostra que a franquia da Turn 10 adota uma evolução contínua.

O resultado disso é que, mesmo com "Gran Turismo Sport" chegando ainda esse ano, "Forza Motorsport 7" é sólido o bastante para dificilmente ser superado na disputa pelo título de game de corrida do ano.

Xbox