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Solução criativa, "Sonic & Knuckles" foi o avô das expansões nos games

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Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

11/10/2016 14h44

Considerada como uma "Era Dourada" dos videogames, a década de 1990 é pródiga em histórias curiosas. A guerra entre Nintendo e Sega e o surgimento do primeiro PlayStation são alguma delas, porém a forma com a qual produtoras encontravam soluções criativas para limitações de tecnologia rendem os melhores casos. Um deles, porém, marcou um dos primeiros casos de expansões em jogos de videogame, tão comuns hoje em dia com os famigerados DLCs.

Tudo começou no processo de criação do jogo "Sonic 3". Com a função de desenvolver jogos unicamente para aparelhos da casa, os produtores da Sega tinham algumas liberdades e apoio total da equipe responsável pelo hardware.

"Todos os produtores da Sega estavam acostumados a programar para o hardware 'da casa'. Se havia alguma exigência da parte de software, bastava procurar a equipe responsável e dizer: 'Olha, eu estou fazendo um game desta maneira e preciso que isso aconteça. Faça acontecer'", conta o chefe do Sonic Team, Takashi Iizuka, em entrevista à revista Game Informer.

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Esse situação geralmente rendia bons resultados, mas quando a equipe começou a produzir o game "Sonic 3", em 1993, a ideia era fazer algo grandioso. "Nós queríamos mais mapas e que eles fossem muito maiores do que os de 'Sonic 2'", conta Iizuka que, então, afirma o óbvio: isso demandaria mais tempo para ser feito.

Dividir para conquistar

Conforme a produção continuava, ficou claro que o projeto parecia muito ambicioso. Havia diversos entraves, como um acordo da Sega com o McDonald's para que o game fosse lançado durante uma promoção do restaurante e, principalmente, o tamanho do cartucho para Mega Drive.

A solução, então, foi partir o game em dois. Assim, em fevereiro de 1994, chegava às lojas "Sonic 3". Meses, depois, em outubro, era a vez de "Sonic & Knuckles", penúltimo jogo da franquia para Mega Drive, começar a ser vendido. 

Cartucho de "Sonic & Knuckles" possuia uma entrada em sua parte superior na qual era possível conectar outros games de Mega Drive - Reprodução
Cartucho de "Sonic & Knuckles" possuia uma entrada em sua parte superior na qual era possível conectar outros games de Mega Drive
Imagem: Reprodução

A ideia de ter um jogo enorme, porém, não foi abandonada. É aí que entrou o sistema "Lock-On", uma solução não apenas inovadora, mas inédita: por meio de uma entrada no topo do cartucho de "Sonic & Knuckles", era possível encaixar a "fita" de "Sonic 3" e jogar os dois games em sequência, com Knuckles sendo controlável em "Sonic 3" e Tails aparecendo em "Sonic & Knuckles" - como estava planejado desde o início.

Além de funcionar com "Sonic 3", o sistema "Lock-On" também permitia encaixar outros cartuchos. No caso de games da série "Sonic", ele permitia que Knuckles fosse personagem jogável em "Sonic 2" e, quando o cartucho conectado era o de "Sonic 1", ele abria novas versões das fases bônus de "Sonic 3" e "Sonic & Knuckles". Já quando outro game era conectado, novamente abriam-se fases bônus.

Sistema permitia jogar "Sonic 2" controlando o personagem Knuckles - Reprodução
Sistema permitia jogar "Sonic 2" controlando o personagem Knuckles
Imagem: Reprodução

Para a Sega, porém, essas possibilidades de fazer games que aproveitassem ao máximo as características dos hardwares terminou quando a empresa decidiu interromper a fabricação do Dreamcast e se concentrar apenas na produção de jogos. Já os DLCs, que surgiram em fase embrionária com "Sonic & Knuckles", por sua vez, ganharam cada vez mais importância na indústria e hoje estão presentes em boa parte dos games lançados.

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