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Jogos retrô


Aos 25 anos, série "Sonic the Hedgehog" vive crise de identidade

Victor Ferreira

Do Gamehall, em São Paulo

23/06/2016 19h12

Em 23 de junho de 1991, a Sega conquistou seu lugar ao sol. Após anos de planejamento, reformulações e lágrimas, a empresa japonesa conseguiu quebrar o monopólio da Nintendo no mercado de games, tudo graças a um jogo: “Sonic the Hedgehog”.

Com seu protagonista descolado, mundo colorido e jogabilidade veloz e engajante, “Sonic the Hedgehog” conquistou a crítica e público, e fez do Mega Drive um console à altura do Super Nintendo, criando uma rivalidade que dominou os anos 90.

Porém, 25 anos depois, tanto a Sega quanto seu mascote se encontram em posições bem diferentes do que em seu auge, com a empresa deixando de fabricar consoles no início dos anos 2000, e Sonic tendo de ser reformulado e reinventado diversas vezes para conquistar uma nova geração de jogadores, além de reanimar os fãs dos games clássicos

Entre ratos e coelhos

O personagem original de Sonic é resultado de um longo e árduo processo interno da Sega, que queria um novo mascote para a empresa - o anterior, Alex Kidd, era considerado muito parecido com o seu principal rival, Mario - que deveria ser, de acordo com o presidente Hayao Nakayama, “tão icônico quanto Mickey Mouse”.

Diversos artistas criaram seus próprios designs, desde coelhos até esquilos e cangurus. No final, o visual de ouriço idealizado por Naoto Ohshima foi escolhido, por se encaixar melhor com o sistema de jogabilidade elaborado pelo programador Yuji Naka (que era, essencialmente, uma bola rolando por um tubo).

Mesmo após escolher este design, Sonic ainda passou por diversas reformulações: originalmente, por exemplo, ele era conhecido como “Mr. Needlemouse”, e tinha até uma banda e uma namorada humana (conhecida como Madonna).

A Sega da América, liderada pelo executivo Tom Kalinske, removeu estes elementos (sob protesto) para tornar o personagem mais simples e atrativo para o público jovem.

A relação entre Naka e a Sega japonesa também foi bastante tempestuosa, ao ponto do programador deixar a empresa após o fim do desenvolvimento do game.

Ainda assim, “Sonic the Hedgehog” chegou às prateleiras em 1991, e superou qualquer expectativa dos executivos da Sega.

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Era de ouro

Muito da popularidade inicial de Sonic deve-se ao fato de ele ser absolutamente um produto de seu tempo: sua atitude descolada e rebelde - inspirada até em, entre outras figuras populares, Bill Clinton - ressoou com o público infanto-juvenil.

A Sega (em especial a americana) remodelou sua imagem com base no sucesso de seu novo mascote, servindo de contraponto à estética mais limpa e amigável da Nintendo. Isso acabou gerando a rivalidade ferrenha entre as duas companhias, que se expandiu até na relação entre funcionários - como o próprio CEO da Sega da América, Tom Kalinske, e diversos executivos da Nintendo -, o que é retratado no livro “A Guerra dos Consoles”, de Blake Harris.

A velocidade do game e seu protagonista, até antes nunca vista em uma máquina do tipo, também era de deixar o público boquiaberto.

O ouriço azul continuou a capturar a imaginação do público com “Sonic the Hedgehog 2”, que expandiu os conceitos de jogabilidade da série e apresentou o fiel companheiro Tails, que podia ser controlado por um segundo jogador. Yuji Naka, que havia deixado a Sega japonesa, também serviu como programador do game, agora trabalhando na sede americana.

O impacto de “Sonic 2” na cultura de games pode ser sentida até hoje: nos EUA, a Sega fez uma campanha de marketing extensa, intitulada “Sonic 2sday”, que fazia trocadilho com a data de lançamento do game (uma terça-feira, ou “tuesday”).

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Até hoje, o dia da semana mais comum para lançamento de games nos EUA é terça-feira - com uma das grandes exceções sendo justamente a Nintendo, que costuma lançar seus títulos na sexta-feira.

O sucesso de Sonic não parou só nos games, ganhando diversos desenhos animados, animes e uma série de quadrinhos que dura por décadas. Até o astro pop Michael Jackson colaborou na trilha sonora de “Sonic 3”, mas o game estava em desenvolvimento justamente quando os escândalos de pedofilia contra o músico começaram a tomar os noticiários, e seu nome não foi incluído no projeto.

Em 1994, “Sonic 3” e “Sonic & Knuckles” (originalmente o mesmo game, mas eventualmente dividido em dois) manteve o padrão de qualidade e sucesso de seus predecessores, mas a fórmula já mostrava sinais de desgaste, e era necessário mudar o modelo.

Especialmente ao considerar o futuro tridimensional, a julgar pelo PlayStation e o vindouro Nintendo 64.

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Decadência

Sonic não teve jogos particularmente expressivos no Sega Saturn, em si um console considerado um sucessor fraco do Mega Drive.

Em compensação, a plataforma seguinte da Sega, o Dreamcast, viu o que é considerado por muitos o último grande jogo do mascote da empresa: “Sonic Adventure”, que reinventou a franquia em um mundo tridimensional impressionante (lembra da fase com a orca?)

Infelizmente, este salto na qualidade visual e nova jogabilidade não impediram o fracasso do Dreamcast no mercado, e a eventual saída da Sega do setor de consoles, passando a ser uma publisher de jogos em outras plataformas - incluindo a de seus antigos rivais, a Nintendo.

“Sonic Adventure 2”, lançado originalmente para o Dreamcast e eventualmente para PC e Gamecube, ainda foi bem visto pela crítica e fãs, mas a partir daí a qualidade dos games (e a fé dos fãs) começou a variar significativamente

“Sonic Heroes” recebeu opiniões mistas, e “Sonic the Hedgehog” (também conhecido como “Sonic 2006”), que prometia revitalizar a série, foi detestado por suas mecânicas repetitivas, bugs e tempos de loading absurdos, e uma narrativa bizarra, sendo considerado até hoje um dos pontos baixos da série, e alcançando status legendário entre jogos ruins.

A partir daí, a Sega e o Sonic Team tentaram por diversas vezes reinventar seu mascote com novos jogos, ao ponto do surgimento do chamado “Sonic Cycle”, que retrata o ciclo de esperança e desapontamento dos fãs a cada novo jogo.

Uma tentativa de recapturar a glória dos jogos antigos surgiu em “Sonic the Hedgehog 4”, lançado em formato episódico para PC, PS3, Xbox 360 e mobile, mas os problemas de física e design de fases genérico não caiu bem para muita gente.

Apesar disso, houveram momentos de triunfo nestes anos: “Sonic Colors” e “Sonic Generations” são considerados bons games, que conseguiram adaptar as mecânicas clássicas da série para uma nova geração. “Sonic All-Stars Racing Transformed”, por sua vez, é um jogo de corrida divertido e nostálgico para fãs da era de ouro da Sega.

Além destes games de qualidade variável, Sonic também acabou dividindo espaço com seu antigo rival, Mario, em diversos jogos - incluindo seu último lançamento, “Mario & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games”, em que os mascotes e seus amigos disputam modalidades esportivas das Olimpíadas de 2016.

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E agora?

A última tentativa de reinvenção da franquia, “Sonic Boom” até chegou a alcançar certa popularidade como desenho animado. Os games, por outro lado, são uma história bem diferente.

Lançado para Wii U, “Sonic Boom: Rise of Lyric” é considerado pela crítica e público como um dos piores jogos da série, com falhas técnicas graves e conteúdo fraco. “Shattered Crystal”, para 3DS, não tem reputação muito melhor.

A tentativa da Sega de levar Sonic para o mercado mobile também não gerou grandes frutos, com "Sonic Runners" previsto para ser descontinuado em julho.

Já o futuro é incerto: “Sonic Boom: Fire & Ice” deve ser lançado no fim deste ano para 3DS, enquanto o Sonic Team está desenvolvendo um jogo “completamente novo” para seu mascote. Além disso, é possível que a Sega faz um jogo comemorativo de 25 anos da franquia, que deverá ser revelado durante a San Diego Comic-Con. Isso sem falar no filme com atores reais, previsto para 2018.

De qualquer forma, o nome “Sonic” não carrega mais o peso que tinha nos anos 90. Ao contrário de séries como “Mario” e “Zelda”, o ouriço e seus desenvolvedores encontraram dificuldade em se adaptar ao mundo 3D (mesmo com o bom começo de “Sonic Adventure”) e agora procuram cada vez mais uma forma de se manter relevante.

Ainda assim, jogos como “Sonic Colors” mostram que ainda há vida no mascote da Sega, e que ainda é possível voltar aos dias de glória do Mega Drive.

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