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Com experiência inovadora, Xbox One quer ser mais do que um novo videogame

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

28/11/2013 07h59

Após oito anos de vida do Xbox 360, a Microsoft lança o Xbox One, sua 3ª e mais ambiciosa investida no mercado de consoles de videogame. Tão ambiciosa que, de fato, mais do que ser a máquina de jogos ideal, o aparelho quer dominar a sua sala de estar.

Xbox One

FabricanteMicrosoft
PreçoR$ 2.299
Lançamento22/11/2013
Configurações• CGPU AMD de 8 núcleos a 1.75 GHz
• 500 GB de armazenamento
• 8 GB de RAM GDDR 3
• Leitor de Blu-ray e DVD
• Wi-Fi
Site Oficialwww.xbox.com

É algo perceptível já no design do console, que deixa para trás as curvas e linhas arrojadas dos antepassados para assumir uma aparência mais conservadora, como um grande bloco negro e retangular, que não destoa ao lado de TVs, home theaters e outros eletrônicos.

Nada no visual denuncia se tratar de um videogame, nem mesmo o novo Kinect, maior e mais pesado do que o primeiro - e muito mais funcional, diga-se de passagem. Se não fosse pelo controle, que preserva os já icônicos botões coloridos, você pensaria se tratar de um player de Blu-ray ou coisa do tipo.

Um detalhe notável do Xbox One é o quanto o aparelho é silencioso: exceto pela luz branca que brilha por trás do logo do console, nada indica que ele está ligado. Outro aspecto importante é a ventilação. O Xbox One é cheio de saídas de ar, inclusive metade da parte superior.

Escaldada pelos problemas de aquecimento no Xbox 360, a Microsoft parece empenhada em evitar o problema de todas as maneiras no Xbox One. Por causa dessas saídas de ar, o videogame não pode ser usado na vertical, apenas na horizontal, ocupando uma área considerável: ele é bem maior do que todos os consoles da geração passada e mesmo do que o rival PlayStation 4, da Sony. E ainda por cima conta com uma volumosa fonte externa, herança do X360.

Conexões, mídia, entrada e saídas

Todas as saídas de áudio e vídeo do Xbox One são digitais: porta HDMI para o vídeo e ótica para o áudio. A conexão com a internet, porém, pode ser feita via cabo Ethernet ou wi-fi, o que for melhor para você.

FORZA MOTORSPORT 5

  • Divulgação

    Todo novo console precisa de um bom jogo de corrida e "Forza Motorsport 5" cumpre esse papel no Xbox One. A produção da Turn 10 é muito bem acabada e cheia de conteúdo, com carros de diversas categorias e amplo suporte para a comunidade e suas partidas online.
                            - Pablo Raphael

Um detalhe importante: o Xbox One conta também com uma entrada HDMI na parte de trás. Nela você pode ligar seu receptor de TV à cabo ou mesmo outro console, como o Xbox 360 ou um PS4, por exemplo.

Vale observar, jogar em outro console através do Xbox One é possível e a ideia pode soar divertida, mas na prática, a experiência tem uma pequena latência que faz com que não seja assim tão compensadora.

O console tem suporte para o padrão Wi-Fi Direct, o que permite que você conecte o Xbox One a outros aparelhos que usam esse sistema, sem precisar passar pelo roteador da sua casa. Isso reduz a latência e aumenta a velocidade de troca de dados entre o videogame e a nova versão do aplicativo SmartGlass, por exemplo.

O Xbox One também tem três entradas USB 3.0, uma do lado e duas na parte de trás. Por enquanto, não há muito o que fazer com elas, exceto plugar o kit Charge & Play que é vendido separadamente pela Microsoft. Essas entradas um dia servirão para ligar um controle arcade de ˜Killer Instinct" ou o volante de "Forza Motorsport 5", entre outras coisas.

Um avanço em relação ao Xbox 360 é a mídia adotada pelo console. O Xbox One lê Blu-ray, assim como o PS3 e o PS4. Além de permitir armazenar mais dados, para alívio dos produtores e dos jogadores também, já que estes não precisam mais ficar trocando de discos no meio da partida. De quebra, essa opção elimina a necessidade de outro player na sala, para os apreciadores de um bom filme ou seriado.

O aparelho também vem de fábrica com um disco rígido de 500 GB, o que até parece bastante, mas se você pensar que todos os games do Xbox One precisam ser obrigatoriamente instalados no HD para rodar e que alguns podem conter até 50 GB de dados antes mesmo de qualquer atualização, é bom que a Microsoft permita logo o uso de dispositivos de armazenamento externos - algo que ainda não é possível fazer, mas que já foi prometido pela fabricante.

Com as mãos no controle

O controle do Xbox One é uma evolução natural do joystick do Xbox 360, feita muito mais de pequenos ajustes e melhorias técnicas do que de grandes inovações. De cara, as maiores novidades são os gatilhos que contam com vibração independente, o direcional em cruz e as alavancas, menores e mais precisas - com direito à uma borda emborrachada que melhora a aderência dos polegares.

O novo controle tem uma pegada confortável, mas sofre com algumas das decisões de design, como os botões de ombro, menores e clicáveis. Talvez sejam os anos de hábito com o Xbox 360, mas os novos botões de ombro parecem um pouco incômodos - nada ao ponto de prejudicar a jogatina, contudo.

DEAD RISING 3

  • Divulgação

    "Dead Rising 3" traz um mundo aberto cheio de zumbis, um senso de humor japonês inigualável e a divertida hiperviolência que só um game que não se leva a sério pode oferecer. Partidas cooperativas e veículos modificados completam o pacote. Como não gostar?
                          - Pablo Raphael

Outro inconveniente é que o acessório utiliza um par de pilhas AA, assim como o controle anterior. Claro, você pode adotar pilhas recarregáveis ou adquirir um kit Charge & Play, mas seria muito melhor se ele já tivesse uma bateria interna, recarregável em uma das portas USB do próprio console.

De longe, o uso de pilhas foi a escolha mais desajeitada e deselegante que a Microsoft fez com o Xbox One.

Um detalhe bacana e que garante uma vida útil um pouco maior para as pilhas envolve a interação do controle com o novo Kinect. Ao assistir um filme, por exemplo, o Kinect vê que você abaixou o controle e transmite essa informação para o acessório, que entra em um estado de economia de energia.

Novo Kinect

A experiência de uso do Xbox One é totalmente integrada ao Kinect, seja na navegação por comandos de voz pela interface similar à do Windows 8 ou no uso de funções de gravação de vídeo ou ao conversar pelo Skype com amigos.

Após configurar o aparelho, o Kinect vai reconhecer você e logar em seu perfil de usuário, aceitar suas ordens para abrir aplicativos e vários outros comandos. Na prática, é preciso se acostumar com a construção das frases e a velocidade com que se fala com o acessório - e sim, conversar com o acessório ainda soa esquisito, mas um tanto futurista.

  • Reprodução

    Ao apostar mais em comandos de voz do que em gestos, o novo Kinect se tornou parte fundamental da experiência do usuário com o Xbox One

O Kinect também tem algumas funções interessantes, como reconhecer QR Codes - que agora acompanham todos os cartões com créditos para usar na Xbox Game Store ou mesmo os DLC que acompanham alguns jogos. Você pede para o Kinect ler o código, aponta o papel para a tela e rapidamente o conteúdo é adicionado ao seu perfil no Xbox Live. Bem melhor do que digitar infames códigos com 25 caracteres usando um tecladinho virtual, certo?

Alguns comandos de voz através do Kinect ainda não funcionam muito bem em português e por algum motivo inexplicável, o comando para ligar o console não está disponível em nosso idioma, mas é fato que ao menos no que se refere à navegação, o uso da voz substituiu os gestos e acenos utilizados no Xbox 360. E foi uma mudança bem vinda, ainda que possa ser aprimorada.

O acessório faz coisas legais como combinar seu rosto com seu perfil no Xbox Live. Ao sentar na frente do Kinect, o Xbox One vai reconhecer você pelo nome de usuário e entrar no seu perfil. Inclusive, o controle é sincronizado automaticamente ao jogador que está com ele na mão.

Durante meus primeiros dias com o aparelho não foram poucas às vezes em que, ao falar sobre o novo Xbox com alguém, o Kinect entendeu que a conversa era com ele, ativando uma grande lista de sugestões na tela ou interrompendo o que devia estar fazendo, como uma das suas demoradas instalações.

Este, aliás, é o maior contratempo do Xbox One: tudo precisa ser instalado no novo videogame. Jogos, aplicativos, atualizações… comprar um game, chegar em casa e sair jogando é coisa para as gerações passadas. Mesmo a atualização inicial, ao ligar o console pela primeira vez, pode ser bem demorada dependendo da sua conexão. Sem a atualização, você não consegue fazer nada com o Xbox One e mesmo depois, vai perceber que todos os aplicativos - como Skype, Upload, SkyDrive e Xbox Vídeo, por exemplo - ainda precisam ser baixados e instalados.

Mas, depois de passar por todo esse processo, as coisas melhoram significativamente.

Interface e funcionalidades

A interface do Xbox One lembra muito o Windows 8, com seus vários módulos e aplicativos. A maneira mais rápida de navegar por elas é através do Kinect, mas você logo descobre onde encontrar seus jogos, aplicativos, Conquistas, lista de amigos e tudo mais. O Xbox One avisa sempre que algo acontece, seja a instalação de um jogo ou uma mensagem de um amigo. Basta pressionar o botão central e ir ver do que se trata.

KILLER INSTINCT

  • Divulgação

    "Killer Instinct" é uma cópia muito bem feita de "Street Fighter IV" - e, acredite, isto é um elogio. O game peca pela falta de originalidade, mas sobra em qualidade, ostentando gráficos bonitos, cheios de partículas pulando pela tela. A mecânica diverte: combos quase automáticos agradam os 'button mashers' enquanto golpes variados e os queridos c-c-c-combo breakers adicionam estratégia. Excelente pedida para estrear um Xbox One.
                       - Claudio Prandoni

O botão central também serve para voltar para a aba inicial, não importa o que você esteja fazendo. O botãozinho da direita, com um ícone de lista apresenta as várias opções disponíveis no que você tiver selecionado no momento. A atividade mais recente sempre fica visível na área central da interface e pode ser acessada com um simples clique.

Uma das melhores coisas da interface é a opção de fixar um aplicativo na tela e rodar duas tarefas ao mesmo tempo. Você pode assistir TV enquanto vê as atividades dos amigos e instala um jogo - ou mesmo enquanto está jogando, se quiser. Por algum motivo misterioso, o único app que não faz isso é o Skype.

Serviços como Xbox Vídeo e Xbox Music estão disponíveis no Brasil, com um bom catálogo para os usuários.

Entre os filmes, sucessos recentes do cinema como "Círculo de Fogo" e "Guerra Mundial Z" podem ser alugados ou comprados por download. Há aplicativos bem variados para baixar, mas os melhores são o já citado Skype, Netflix, SkyDrive (para armazenamento de fotos e vídeos na nuvem) e o Upload Studio, editor que permite produzir seus próprios clipes de jogos no Xbox One.

Os vídeos podem ser capturados com comandos de voz e é muito legal poder gravar retroativamente. Ao dizer: "Xbox, grave esse jogo", o videogame vai registrar até cinco minutos para trás do momento em que o comando foi acionado. Isso permite gravar situações emocionantes e inesperadas durante a jogatina.

PRIMEIROS JOGOS EXCLUSIVOS DO XBOX ONE

JOGOPREÇO
Crimson DragonR$ 40
Dead Rising 3R$ 200
Killer InstinctGrátis ou R$ 40 (8 personagens)
Forza Motorsport 5R$ 200
Ryse: Son of RomeR$ 200

Por sinal, o console ainda não conta com suporte para transmissões via Twitch como o PS4, ou mesmo para compartilhar seus vídeos diretamente em redes sociais. Essas funções chegarão ao Xbox One em 2014. Até lá, é possível exibir seus vídeos de gameplay - bem elaborados, inclusive, com o uso do Kinect como câmera e incluir seus comentários na edição, se quiser - através da Xbox Live ou pelo SkyDrive.

RYSE: SON OF ROME

  • Divulgação

    "Ryse" é uma vitrine para o poderio gráfico do Xbox One. O jogo da Crytek faz bonito no visual, mas peca por ser um tanto linear e curto demais. Ao menos a proposta é bem original: você é um centurião na Roma Antiga e enfrenta bárbaros com um sistema de combate que não modera na violência.
                            - Pablo Raphael

Uma vez no serviço de armazenamento em nuvem da Microsoft, você pode compartilhar o link do vídeo em redes sociais ou baixar em um computador e transferir para um canal no YouTube ou no UOL Mais, por exemplo. Um processo nada amigável, convenhamos, quando o concorrente permite compartilhar o conteúdo na internet de forma muito mais direta.

A Microsoft oferece espaço ilimitado de armazenamento na nuvem para os usuários do Xbox One. Para isso, a fabricante investiu pesado em hardware, instalando 300 mil servidores para atender qualquer situação, desde guardar arquivos de 'save' até ajudar no processamento de jogos.

E, ao contrário da maioria dos aplicativos do Xbox One, o armazenamento de 'saves' na nuvem não é restrito aos assinantes Xbox Live Ouro. É uma função automática quando o console está online, para todos os jogadores.

Uma das melhores partes disso é a possibilidade de baixar seu progresso num jogo na casa de um amigo, sem precisar levar o disco até lá - até porque, em muitos casos, pode não haver disco nenhum para carregar. A loja online Xbox Games Store oferece todos os títulos do console para compra via download, coisa que facilita muito a vida quando bate a vontade de comprar um game novo.

O Xbox One aceita até seis usuários logados ao mesmo tempo, cada um conservando seu próprio progresso em um jogo e ganhando suas respectivas Conquistas, que depois são sincronizadas através da nuvem.

PREÇOS DO XBOX ONE, ACESSÓRIOS E CARTÕES PRÉ-PAGOS

Xbox OneR$ 2.300
Controle avulsoR$ 259
Kit Carregar & JogarR$ 149
Cartão Presente da Xbox LiveR$ 25, R$ 50 e R$ 100

Segunda tela

Outra peça bacana, ainda que opcional, da experiência oferecida pelo Xbox One é o novo SmartGlass, o aplicativo para tablets e celulares que serve como companheiro para várias atividades dentro e fora dos jogos no Xbox One.

O novo SmartGlass, voltado para o Xbox One, está disponível para iOS, Android e Windows Phone. Ele se comunica diretamente com o console, sem passar pelos distantes servidores da Xbox Live, como acontece na versão para Xbox 360. Com uma resposta muito mais rápida, o SmartGlass deve ser adotado por mais produtores de jogos para criar experiências de segunda tela.

O aplicativo também permite interagir com o console de outras maneiras: você pode checar suas Conquistas, trocar mensagens com os membros da sua Lista de Amigos (que agora permite incluir até mil colegas de jogatina) e assistir vídeos postados por eles na Live.

Nos jogos, há alguns usos como em "Dead Rising 3" que envia resumos das missões para o seu celular, se você quiser, com direito a fazer o telefone tocar quando novas missões são recebidas. Outro exemplo é o shooter "Battlefield 4"que usa o app de forma modesta, fornecendo o mapa do estágio em que você estiver jogando.

  • Divulgação

    Com um sistema mais rápido e responsivo, o SmartGlass deverá ser mais popular em jogos do Xbox One, como "Dead Rising 3", do que foi no Xbox 360

Considerações

O Xbox One é um console bastante avançado, com uma proposta muito mais abrangente do que seus antecessores. Mas no fundo, é a continuação da visão que começou em 2008, com a New Xbox Experience.

Vale observar, o Xbox 360 que cede o lugar para o novo console é um videogame muito diferente daquele aparelho branco e curvilíneo de 8 anos atrás. Entre 2005 e 2013 a Microsoft efetuou várias mudanças no Xbox 360, como a cirurgia plástica que foi a New Xbox Experience em 2008, seus avatares e bate-papo em grupo.

O console da Microsoft também foi o primeiro a receber o serviço Netflix, hoje disponível em praticamente todas as plataformas possíveis. E depois, foi a vez do Kinect introduzir seus comandos por gestos e voz.

Assim, o Xbox One é uma evolução daquilo que a Microsoft veio implementando ao longo dos anos no console anterior, dotado de um hardware melhor e pensado para a interação com tablets, celulares e, em parte, para os hábitos dos jogadores contemporâneos.

E assim como o Xbox 360, é certo que o Xbox One que conhecemos agora, em seus primeiros dias de vida, vai mudar muito nos próximos anos, ganhando novas e melhores funções, ajustes na interface e, esperamos, um grande acervo de jogos e aplicativos.

Hoje, do jeito que está, ainda há espaço para muitas melhorias no Xbox One, mas é preciso admitir: o console transmite aquela sensação de inovação tecnológica, de novas possibilidades e deslumbramento que só um videogame novo consegue causar, não importa o quanto ele queira ser - e talvez seja - maior do que isso.