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OPINIÃO

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Licenciamentos precisam provar que valem a pena nos eSports

Torcida do Flamengo na final do CBLOL - Riot Games/Divulgação
Torcida do Flamengo na final do CBLOL Imagem: Riot Games/Divulgação
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

19/02/2022 04h00

A esmagadora maioria dos leitores deste blog certamente são fãs de games e esportes eletrônicos, mas hoje começo este texto me dirigindo àqueles que gostam de futebol, independentemente dos outros hobbies ou afeições. Você gostaria de ver o seu time de coração representado em alguma modalidade dos eSports? Acredito que pouquíssimos teriam uma resposta negativa, neste caso. Mas é necessário ir além: como você acha que funcionaria essa gestão?

Nas últimas semanas, diversas polêmicas rondaram o Flamengo Esports. Campeão do CBLOL em 2019, o clube teve um péssimo início de temporada no League of Legends - com duas vitórias e seis derrotas em oito jogos na competição. Antes de qualquer análise, vamos lembrar: a gestão do esporte eletrônico do Rubro-Negro é licenciada à Simplicity, uma empresa norte-americana - que, confesso, parece não ter muita noção do tamanho da marca que tem em mãos.

Não vou listar aqui as inúmeras polêmicas envolvendo Jed Kaplan, líder da Simplicity - que além do Flamengo Esports, ainda detém marcas de alto calibre, como o Memphis Grizzlies, na NBA, e o Swansea City, no futebol inglês. Uma pesquisa rápida em qualquer mecanismo na internet basta para entender. Isso levanta o ponto sobre até que ponto é inteligente um licenciamento.

Daniel Orlean, precursor do projeto de esporte eletrônico no clube, sempre deixou claro que a intenção é que o próprio Flamengo tivesse o seu departamento destinado a esse mercado e a esse público - e não simplesmente terceirizasse, única e exclusivamente para participar desse contexto que só cresce a nível mundial. Alguém do calibre do time mais popular do futebol brasileiro não pode simplesmente entrar por entrar.

O receio com os licenciamentos é justificável. É fácil vender a imagem de que qualquer clube será elevado a um alto patamar simplesmente por entrar no esporte eletrônico. Porém, qualquer análise minimamente apurada deixará claro que a chance de se manchar e cometer gafes sem, de fato, entender o que está fazendo é enorme. É necessário investimento, atenção e respeito - para que bizarrices como a do post abaixo, em que o Santos ofende seus rivais diretos (algo que jamais aconteceria no futebol, por questões institucionais), jamais aconteça.

Um contraponto precisa ser ressaltado também: o conservadorismo dos clubes brasileiros. Dirigentes retrógrados, que tratam os games como um entretenimento qualquer, indigno de atenção, atrapalham a entrada de marcas enormes do nosso esporte no cenário competitivo de games. E convenhamos: hoje, estar fora dos eSports por pura e espontânea vontade, é não querer evoluir. Querer remar contra a maré.

Qualquer generalização é limitada. Não vou dizer que não exista uma empresa no mundo capaz de fazer um licenciamento à altura dos clubes. Porém, o que o empírico nos mostra, até agora, é que as marcas do futebol brasileiro deveriam prezar mais por elas mesmas e buscar a abertura da divisão de esportes eletrônicos. É o mínimo se quiserem ter um público extremamente relevante atrelados às suas torcidas a longo prazo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL