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Liberty "gabarita" cenário da Riot e dá recado a longo prazo

Liberty Esports - Divulgação/Liberty
Liberty Esports Imagem: Divulgação/Liberty
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

08/01/2022 04h00

A Riot Games Brasil contará com três campeonatos estruturados de esporte eletrônico no país, nos seguintes jogos: League of Legends (CBLOL e CBLOL Academy), VALORANT (VCT BR) e Wild Rift (Wild Tour Brasil). Apenas uma organização estará presente em todas as competições, já tendo vaga garantida: a Liberty, equipe que recentemente retirou o nome de sua patrocinadora master, a loja de departamentos Havan, de seus naming rights.

Investindo em VALORANT e Wild Rift desde o começo dos respectivos cenários competitivos, a antiga Havan Liberty não foi selecionada para o seleto grupo de 10 organizações que compuseram o sistema de parcerias a longo prazo para o CBLOL, mas chegou à vaga unindo forças com a Vorax. Durante a Segunda Etapa de 2021, jogaram como Vorax Liberty. Agora, será apenas Liberty.

A organização tem como presidente Lucas Hang, filho do empresário Luciano Hang, dono da Havan. Listado na Under 30 de 2021 - lista da Revista Forbes que elenca os jovens de até 30 anos mais promissores do país, o jovem mostra aptidão a longo prazo. Que o diga o projeto do futuro centro de treinamento da Liberty, que deve ficar pronto ainda neste ano, com mais de 2400 metros quadrados e uma estrutura de dar inveja a qualquer organização do mundo.

No Brasil, a cultura do futebol como centro das atenções do esporte fez com que toda e qualquer modalidade ficasse à mercê de investimentos muito menores. Nos games, é evidente que as organizações também contam com os títulos/publishers nos quais se interessam em investir mais, mas a sustentabilidade a longo prazo justifica um trabalho diverso nos mais diferentes tipos de jogos, e a Liberty é uma prova disso.

Atrair diferentes bases de fãs é uma atitude que diversifica não só o público, mas também é interessante em estratégias como captação de patrocínios. Hoje, a equipe tem, além dos já citados LoL, VALORANT e Wild Rift, o Teamfight Tactics, o Hearthstone, o Free Fire e o CS:GO no seu rol de modalidades. "Espalhar a palavra" do time, levando em conta como rodam os diferentes esportes eletrônicos, a longo prazo, é uma questão de sobrevivência e evolução.

Embora a associação com a empresa seja imediata para muitos, independentemente dos naming rights, retirar o nome da Havan da equipe deve afastar parte do cunho político atribuído a ela, fazendo com que se foque no que importa para os eSports: um trabalho sério e dedicado da forma que o cenário merece, aplicando um método que envolve o profissionalismo cercando a rotina do atleta - com nutricionista, preparador físico, médico, fisioterapeuta...

Sempre repito aqui no GGWP: o esporte eletrônico precisa dar exemplo, e nenhum exemplo é melhor do que estrutura profissional. Não basta, para entrar no cenário, ostentar uma marca centenária como a de um clube de futebol tradicional sem corresponder à tradição de forma efetiva. "Excelência" é a palavra que precisa estar presente nas cartilhas das organizações. Até aqui, a Liberty parece segui-la a risco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL