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Como a seleção brasileira deveria se popularizar "via streamers" para Copa

Casimiro e Gaules podem ajudar popularização da Seleção - Reprodução/Twitter
Casimiro e Gaules podem ajudar popularização da Seleção Imagem: Reprodução/Twitter
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

28/12/2021 08h00

A identificação entre os torcedores de futebol e a seleção brasileira não é das mais invejáveis nos últimos anos. Apesar dos belíssimos números construídos pelo técnico Tite, que conta nos dedos as derrotas à frente da equipe, o distanciamento entre a esquadra verde e amarela e os fãs parece só aumentar. Há alguma fórmula que possa ajudar nessa reaproximação? Acredite: os streamers nacionais e o esporte eletrônico podem ajudar (e muito) no processo, de diversas formas.

Se por um lado os ingressos caríssimos e os diversos estereótipos associados a Tite criam uma repulsa à seleção brasileira, por outro diversas figuras relevantes na internet fazem o ato de torcer pelo nosso país algo leve - prioritariamente, nos games, é claro, mas em qualquer disputa onde nossa bandeira estiver presente. Hoje, nomes como Casimiro e Gaules têm em mãos um poder de "conversão" poucas vezes visto no esporte.

Eleito Personalidade do Ano no Prêmio eSports Brasil, "Cazé" já conseguiu unir fãs de futebol, jogos eletrônicos e diversas outras amenidades em um mesmo ambiente, de maneira inédita. Às vésperas da Copa do Mundo de 2022, é curioso pensar como o conteúdo do streamer deverá ser parte integrante do maior evento esportivo do esporte mais popular do mundo, no fim do ano que vem - e como ele pode influenciar uma torcida bem mais inflamada pela equipe brasileira.

Assim como Casimiro, Gaules também conta com esse tipo de apoio em sua base de fãs. O conceito do "brasileirinho", aliás, e a forma como transformou o próprio canal em uma arquibancada virtual, a "Tribonera", têm tudo a ver com uma imagem de futebol muito mais popular - e, de fato, juntando time e torcida. A explosão do profissional veio em 2018, justamente o ano da última Copa do Mundo, mas hoje o patamar de Gaules é outro.

Com eventos como a NBA e a Fórmula 1 no seu cartel de transmissões, o streamer está, sim, no cardápio dos "canais esportivos". É grande a nível mundial, e continua acompanhando o cerne de suas origens, com o esporte eletrônico, sabendo agregar as modalidades tradicionais. Alguém tem dúvidas de que a Tribo o acompanharia torcendo efusivamente para a seleção brasileira no esquema "radinho de pilha"?

Você, que acompanha o GGWP há algum tempo, já me viu falar por aqui diversas vezes sobre como é importante que os eSports absorvam e aperfeiçoem o que outras modalidades ainda não fizeram no que diz respeito ao entretenimento ou à forma de valorizar o próprio produto. Não tenho dúvida de que, no ano que vem, a Copa do Mundo de 2022 será única nesse sentido, com uma influência muito maior do streaming e de seus grandes nomes.

O Brasil é fortíssimo na produção de conteúdo. Somos relevantes a nível mundial no que diz respeito à fidelização dos fãs e ao crescimento exponencial de torcedores em qualquer esporte. Que, no ano que vem, a seleção brasileira trabalhe bem o próprio marketing e entenda que, à parte das cinco estrelas que traduzem uma história tão incrível, é necessário revisitar as origens - e saber quem tem voz para uma popularização massiva, como merece a equipe de Tite. Aliados para isso, definitivamente, nós já temos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL