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Por que o VALORANT Game Changers pode ser um divisor de águas em 2022

VALORANT Game Changers - Divulgação/Riot Games
VALORANT Game Changers Imagem: Divulgação/Riot Games
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

24/12/2021 12h00

Uma das premissas do VALORANT, desde que despontou como game e esporte eletrônico, foi a de fortalecer o cenário competitivo feminino de uma forma mais efetiva que a concorrência. Especialmente no FPS, já tivemos contato com diversos tipos de iniciativas nacionais, mas nenhuma que, nos últimos tempos, tenha conectado equipes a nível mundial, gerando um ciclo "vicioso". O Game Changers, da Riot Games, parece se dispor a isso - indo além do óbvio de somente dar o suporte para que campeonatos aconteçam.

No início desse mês, a publisher anunciou que, no ano que vem, as mulheres poderão contar com um Mundial para chamar de seu, no fim do ano, após o Champions. Vale lembrar que o cenário é misto, e a Riot já permite que uma mesma organização tenha dois times no mesmo campeonato, se um deles for 100% feminino. São essas iniciativas que fomentam a entrada de novos talentos e reparam erros históricos relativos às mulheres pro players.

Tomemos como exemplo o Brasil. Ao longo de 2022, além de dois eventos presenciais (Game Changers Series) nos estúdios da empresa, em São Paulo, a Riot apoiará financeiramente 12 campeonatos independentes - no programa chamado Game Changers Academy. Isso é fundamental para que mais garotas se sintam estimuladas a romper a barreira do amadorismo e buscar espaço no cenário, criando chances reais.

Quando o VALORANT surgiu, os produtores deixaram claro que a missão do jogo era corrigir brechas deixadas por outros jogos do gênero FPS, passando por pontos como balanceamento, combate a trapaças e, finalmente, chegando ao aspecto competitivo. Ouvir os feedbacks do público sempre foi uma premissa, e isso é chave para o sucesso - ainda mais no que diz respeito ao cenário feminino.

Além da rotina de campeonatos, a valorização das jogadoras enquanto personagens centrais do cenário também precisa ser indispensável. Um bom exemplo disso é o Game Changers Talks, programa que colocou em contato não só jogadoras de VALORANT, mas mulheres de diversas outras áreas, do jornalismo à arte, passando por psicologia, esporte tradicional e música, em uma conversa sincera sobre obstáculos e conquistas das respectivas carreiras.

É simbólico, neste sentido, que as duas categorias criadas pelo Prêmio eSports Brasil em 2021 para as mulheres (Melhor Atleta Feminina e Revelação Feminina) tenham sido vencidas por Natália "Daiki", jogadora de VALORANT de 17 anos, bicampeã do Game Changers Series neste ano pela Gamelanders. O número de jogadoras cada vez mais jovens que despontam no cenário só aumenta dia após dia.

A força do nome "Game Changers" ("Aqueles que mudam o jogo", em tradução livre) é grande. Há um significado importante para posicionar o game como um fator de mudança real para as mulheres. Que 2022 seja não só o sinônimo de consolidação do programa, como também um divisor de águas para a cena feminina do esporte eletrônico como um todo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL