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Free Fire MAX é quebra de paradigma e símbolo de expansão

Free Fire MAX - Divulgação/Garena
Free Fire MAX Imagem: Divulgação/Garena
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

09/10/2021 16h30

O cenário de esportes eletrônicos conta com diversas nuances e diferenciações entre títulos de jogos. Se no mundo dos games casuais, por exemplo, os gráficos contam e muito para a comercialização, no competitivo a regra não é necessariamente essa. Há espaço e espectadores para as mais diferentes modalidades. Recentemente, o lançamento do Free Fire MAX reacendeu uma discussão interessante sobre quais devem ser as preocupações das publishers.

A ideia da Garena foi proporcionar aos fãs uma versão otimizada do Free Fire original, que ficou conhecido justamente por democratizar a experiência dos games para camadas menos favorecidas economicamente. Ser profissional de esporte eletrônico se tornou uma experiência bem mais acessível - e vimos isso ser aplicado na prática no Brasil - com o Free Fire. Mas, indiscutivelmente, o jogo não era dos mais otimizados visualmente.

Com uma estratégia bem traçada e ciente da própria responsabilidade, a publisher tem nesta movimentação um avanço inteligente para o futuro do Free Fire. O game já carrega consigo, por si só, uma missão importante e um público fidelizado. Porém, é indiscutível que ainda há muito preconceito por parte de gamers que insistem em tentar desmerecer o título devido às configurações que ele apresenta em sua versão normal.

A longo prazo, o Free Fire MAX pode ajudar na sedimentação do game enquanto esporte eletrônico, para que se melhore a versão de espectador, e também atraia novos jogadores (e, consequentemente, "advogados") para o servidor. O que não se pode - e, certamente, não acontecerá - é esquecer quem carregou o jogo até o que ele é hoje, com números surrealmente relevantes e uma ideia de igualdade entre quem conta ou não com recursos para investir em jogos eletrônicos.

Os jogos mobile, especificamente, contam com uma capacidade de retenção impressionante dos seus usuários. A Pesquisa Gamer Brasil (PGB) de 2021 identificou um crescimento de quase 50% em participação das classes C1, C2, D e E nos jogos eletrônicos em sua mais recente análise - e certamente o Free Fire ganhou muito com isso. Hoje, os smartphones são a principal plataforma. Apostar nos celulares - na sua agilidade e praticidade - é algo que as produtoras levam e muito em conta.

Saber onde mais se cresce organicamente e trazer para si um público que, em situações naturais não é "seu", é uma tarefa árdua e de entendimento diário para as empresas. O Free Fire MAX pode ser uma quebra de paradigma para um jogo que, no Brasil, ainda sofre com um inexplicável preconceito. Trazer o olhar além do óbvio e nunca se limitar às regras do mercado sempre vale à pena.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL