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Menos de 1% dos streamers têm mais de 50 espectadores. Sucesso "fácil"?

Alguns itens são indispensáveis para montar o seu PC gamer - Getty Images
Alguns itens são indispensáveis para montar o seu PC gamer Imagem: Getty Images
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

30/06/2021 16h00

Em um mundo onde os jogos eletrônicos são cada vez mais relevantes, profissões relacionadas a esse ecossistema são cada vez mais atratentes - especialmente para os jovens ainda em busca de uma vocação. À parte da carreira de pro player, que depende também de talento para ter uma progressão lógica, tornar-se streamer se mostra viável por diversos pontos. Mas há um segredo para ter sucesso nesse ramo?

Nas redes sociais, as discussões sobre as jornadas de trabalho são recorrentes. Alguns streamers não têm dúvida ao afirmar: é necessário se sacrificar e ir além do que se considera um ritmo "normal" para qualquer outra profissão. Outros, argumentam que falta alguma mediação para evitar que isso se torne tóxico a longo prazo e, de certa forma, enganoso. Afinal, se entregar ao máximo não dá garantia nenhuma de sucesso.

Há diversos tipos de streamers, e o público também busca diferentes objetivos ao assistir a um profissional desse tipo. Pode ser para aprender a jogar, para se divertir ou, até mesmo, para ter uma companhia. Diversos streamers relatam casos de espectadores que superaram quadros de depressão acompanhando seus ídolos. Alexandre "Gaules", maior nome do setor no Brasil, é um exemplo.

Nos dias de hoje, certamente é possível encontrar cursos para aprender o básico sobre streams, e é louvável que o mercado tenha expandido a esse ponto. Mas a verdade é que não há fórmula mágica para ganhar espectadores ou ter uma base de fãs de sucesso. Basta olhar como os perfis dos grandes profissionais desse setor são diversos e como suas estratégias (do horário de exibição à forma de interação com o público) variam imensamente. Não é uma questão meritocrática.

Um ponto importante a ser observado é que a imagem dos grandes streamers, que temos como símbolo da profissão, não reflete a realidade da imensa maioria de seus colegas, sejam profissionais ou amadores As plataformas de transmissão não deixam mentir: a maior parte faz streaming para um número mínimo de pessoas e, claro, sem a garantia de qualquer retorno financeiro ligado a isso. Justamente por esse motivo é necessário tomar tanto cuidado.

De acordo com a ferramenta Twitch Tracker, dos quase 6 milhões de streamers mensais, apenas 45 mil são parceiros da plataforma. Levando isso em conta, apenas 0,007% teria capacidade de viver profissionalmente de lives. Menos de 1% dos streamers tem mais que 50 pessoas em suas transmissões. Apenas 6% da Twitch tem até cinco espectadores médios. Impressionante, não é mesmo?

O cenário de games e Esports vem, sim, se mostrando cada vez mais democrático. Porém, é necessário tomar diversos cuidados. Fazer um investimento, a curto ou longo prazo, pensando em viver das próprias transmissões pode ser uma ilusão. É necessário analisar com cautela os impactos dessas escolhas e não "glamourizar", de forma a achar que se trata de uma profissão perfeita. Há bônus e ônus como em qualquer trajetória profissional.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL