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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

VALORANT Game Changers muda, de fato, o jogo para as mulheres

VALORANT Game Changers - Divulgação/Riot Games
VALORANT Game Changers Imagem: Divulgação/Riot Games
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

20/06/2021 04h00

Programa global de incentivo ao cenário competitivo feminino de VALORANT, o Game Changers vem fazendo um trabalho inteligente no Brasil. Além de R$ 460 mil em premiações, distribuídos por meio de qualificatórias abertas, eventos principais e torneios independentes com o apoio da Riot Games, o programa luta para honrar seu nome de verdadeiramente mudar o jogo, e não somente ostentar uma representatividade vaga e insignificante. Um respeito conquistado pela luta de tantas mulheres no dia a dia.

A publisher já havia acertado ao permitir que, em um mesmo campeonato de seu circuito próprio, possam competir duas lines da mesma organização, se uma delas for 100% feminina. Agora, demonstra atenção máxima ao desenvolver não só torneios exclusivos para mulheres nos mesmos moldes de suas competições principais, mas também os produtos em torno deles - criando conteúdo e dando espaço para que elas tenham voz.

Obviamente, todos os fatos citados até agora, contextualizados como conquistas, soam como obrigação por parte das empresas. E são. Porém, é necessário analisar a realidade e nos atermos aos fatos. As mulheres lutam todos os dias pelo simples direito de jogarem sem serem incomodadas em meio a comunidades tóxicas e que as desestimulam neste sentido. Ver tanta gente trabalhando em prol de uma nova realidade é animador.

Já havíamos visto um grande trabalho do cenário feminino no Rainbow Six Siege, com a Ubisoft traçando planos ambiciosos para as jogadoras e trazendo para o Brasil uma atenção ímpar - o assunto, inclusive, já foi abordado aqui no GGWP. Também é significativo para entender que esse trabalho pode ser um "efeito dominó do bem", com cada vez mais mulheres tendo espaço não só para jogar, mas também em comissões técnicas, ou como casters, produtoras de conteúdo, streamers, entre tantas outras funções proporcionadas pelos eSports.

O Game Changers engloba oito qualificatórias abertas, dois eventos principais produzidos pela Riot, além de 10 torneios independentes. A publisher recheou o calendário, de maneira não só a abrir oportunidades, mas também permitir que organizações pensem no cenário feminino como um trabalho a longo prazo, e não imediatista, sem o devido cuidado merecido. A ideia é gerar interesse por parte do público e dar voz a esses talentos.

Aliás, também louvável a ideia do Game Changers Talks - programa comandado pela apresentadora Barbara Gutierrez e que, de acordo com a descrição oficial, "trará mulheres de dentro e fora do cenário competitivo de esportes eletrônicos para conversar sobre suas carreiras, dificuldades e inspirações". Colocar em evidência exemplos para que mais e mais mulheres se inspirem a entrar no cenário é o que deve ser prioridade.

O trabalho deve ser feito para que, um dia, olhar para o cenário de esportes eletrônicos e ver mulheres trabalhando não seja algo que chame a atenção pela raridade, mas sim pela igualdade de chances perante os homens. Sabemos que, muitas vezes, a caminhada feminina é dobrada - e que os obstáculos surgem aos montes. Sejamos melhores. Todos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL