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Brasil em mundiais de eSports: importância muito além do resultado

VALORANT Masters Reykjavik - Divulgação/Riot Games
VALORANT Masters Reykjavik Imagem: Divulgação/Riot Games
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

04/06/2021 12h00

O mês de maio foi movimentado para os fãs brasileiros de esportes eletrônicos. Após o título mundial da Ninjas in Pyjamas no Six Invitational, em uma final histórica diante da Team Liquid, ainda contamos com o VALORANT Masters, na Islândia, e a Free Fire World Series, em Singapura. As taças não vieram nestes dois últimos, mas pode acreditar: o balanço é positivo por diversos motivos, e podemos explorá-los em detalhes.

O VALORANT viveu sua primeira experiência competitiva internacional e mostrou que veio, de fato, para balançar o mercado dos FPS (first person shooter, os jogos de tiro em primeira pessoa). Com menos de um ano de vida, o título da Riot Games criou um ecossistema com transmissões estruturadas, organizações dedicadas e personagens com fortes narrativas - que o diga o canadense Tyson "TenZ", líder da Sentinels, campeã de forma impecável em Reykjavik.

Embora a expectativa de título mundial criada em torno dos brasileiros, especialmente com a Team Vikings, não tenha se concretizado, certamente o retorno se dá repleto de aprendizado e com expectativas ainda maiores para o Masters 3, que será realizado em Berlim, e, obviamente, também para o Champions, o grande Mundial de VALORANT. Há que se reconhecer: no momento, a América do Norte fez o suficiente para provar que é digna do título de melhor do mundo no game.

O mais difícil, porém, o FPS da Riot já tem: um cenário independente. Certamente, a parceria feita com o streamer Alexandre "Gaules", que realizou uma watch party da transmissão oficial ao longo dos últimos três dias de competição, serviu para ampliar ainda mais a base de espectadores e para apresentar o game a muita gente que curte FPS, mas ainda não havia tido contato - seja por interesse ou por respeito ao trabalho e à opinião do próprio Gau.

No caso do Free Fire, o Brasil foi representado por Fluxo e LOUD na World Series. O título ficou com a tailandesa Phoenix Force - a "Tropinha" acabou com o vice-campeonato, enquanto a organização de Nobru fechou na quarta colocação. O sentimento é diferente, claro, uma vez que o troféu era do Brasil (com o Corinthians, em 2019), mas ver as duas organizações no Top 4 mostra como o game mobile está consolidado no nosso país. Sem mencionar o incrível recorde de audiência de 5,4 milhões de espectadores simultâneos, de acordo com o site especializado Esports Charts.

É desnecessário repetir a grande importância social e o impacto de acessibilidade proporcionado pelo jogo da Garena. Porém, ver os times brasileiros nas mais altas posições globais certamente servirá como inspiração para uma série de jovens talentos buscarem o mesmo destino - seja como jogador, streamer, criador de conteúdo... Acima de tudo, o Free Fire tem criado ídolos que se mostram ao alcance do público.

Sabemos o quanto os torcedores brasileiros são engajados, em todos os esportes. No cenário de games não é diferente. Ver a nossa bandeira sendo representada no maior número possível de modalidades sempre será um orgulho. À parte dos resultados, é sempre necessário entender como isso impacta a longo prazo e estimula o crescimento de todas as partes envolvidas. Tornar o eSport popular: essa é a maior vitória que qualquer jogo pode obter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL