PUBLICIDADE

Topo

GGWP

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

eSports fora do eixo Rio-SP é tendência importante; BA ganha academia gamer

Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

09/05/2021 04h00

O potencial do Brasil nos esportes eletrônicos não é uma novidade. Crescemos a cada dia em audiência e representatividade perante o mundo. Temos uma das torcidas mais fanáticas do planeta. Porém, sabemos que estamos em um país de dimensões continentais - e, consequentemente, a logística tecnológica não é acessível a todos da mesma maneira. Com os servidores das publishers concentrados no Sudeste, outras regiões passam por dificuldades maiores, especialmente relacionadas ao ping - a taxa de conectividade dentro de uma rede.

É fundamental que, cada vez mais, iniciativas regionais ganhem força e somem esforços para superar este e outros obstáculos. Um exemplo interessantíssimo é o que acontecerá no Centro de Convenções Salvador, na capital baiana. Ele servirá como sede de uma academia gamer, para fomentar projetos de eSports e fazer com que o Nordeste esteja, cada vez mais, entre os locais com potencial para o crescimento do mercado.

"Esta é uma indústria com enorme potencial, que já vinha sendo mapeada e estudada a fundo pela GL Events [multinacional francesa que controla o Centro de Convenções de Salvador]", afirmou Ludovic Moullin, diretor do centro. "Queremos fazer de Salvador uma referência no mercado de eSports no Nordeste, movimentando essa cadeia como um verdadeiro ecossistema, inclusive capaz de receber e realizar as principais competições".

A iniciativa é uma parceria com a BDS (Beyond Digital Sports), companhia baiana que tem o objetivo de democratizar o acesso e contribuir com a formação e profissionalização dos gamers no Brasil. A infraestrutura da Academia Gamer é projetada para ser a maior do Nordeste e já está sendo montada.

O Free Fire já nos deu diversos exemplos de grandes jogadores nascidos no Nordeste. Fixa, campeão mundial pelo Corinthians, nascido no Maranhão. Sharin, que já levantou título nacional pela LOUD, vem de Pernambuco. GG Easy, Kroonos, Level Up... Tantos e tantos nomes, emancipados por um jogo democrático e símbolo de como o cenário deve olhar com mais atenção não só para o "eixo" Rio-São Paulo, mas para absolutamente todos os locais do país. Empreendimentos como o CCS certamente ajudarão no surgimento de toda uma geração.

Além disso, é extremamente importante a participação de clubes grandes do nosso futebol, como Sport e Ceará, por exemplo, que vêm buscando o crescimento nos eSports e também servindo como centros de inspiração para jovens interessados nessa carreira. São marcas que sempre foram sinônimo de orgulho das próprias origens e da força regional.

Tendo em vista a importância que os eSports ocupam no entretenimento do nosso país, conscientizar cada vez mais o mercado sobre a importância de valorizar iniciativas regionais é uma obrigação de todos os envolvidos nesse cenário - de pro players a criadores de conteúdo, passando por imprensa, empresariado e fãs. O poder de mobilização do cenário é enorme e deve ser usado para o bem de todos. Está ao nosso alcance.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL