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Na pandemia, fotógrafos de eSports apostam em "fotos virtuais"; confira

Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

28/04/2021 14h00

A pandemia do coronavírus afetou diretamente o trabalho de muitos profissionais envolvidos nos esportes eletrônicos e mudou totalmente a logística da maior parte das competições. As arquibancadas lotadas em torneios internacionais deram lugar a eventos online, adaptados ao que se tornou o "novo normal". Mas o que aconteceu com os trabalhadores que simplesmente não tinham outra alternativa? Um bom exemplo disso são os fotógrafos especializados no setor.

Bruno Alvares, o "Foca", já cobriu dezenas de campeonatos de eSports. Já teve passagens pelo Free Fire e pelo Rainbow Six Siege, mas o carro-chefe de seu trabalho sempre foram os jogos da Riot Games (League of Legends e, mais recentemente, VALORANT). Com os torneios sendo realizados 100% online, descobriu uma outra forma de trabalhar: fotografando dentro do jogo. Mas como?

"Basicamente, é uma câmera virtual controlada pela pessoa que está fotografando. É possível mexê-la em todas as direções possíveis e, dependendo do jogo, o fotógrafo consegue controlar manualmente o desfoque do fundo, e o ângulo desejado, desde uma grande angular de 14mm até uma teleobjetiva de 500mm", explica, em entrevista ao GGWP.

"Outro recurso que vem aparecendo muito recentemente é a possibilidade de edição da foto no próprio jogo, utilizando filtros pré-prontos que podem ser modificados. O maior desafio varia dependendo do objetivo da imagem ou do jogo", afirma.

No CBLoL o objetivo do fotógrafo é captar ao menos cinco cenas por partida. Parece pouco, dá um grande trabalho: Bruno leva uma média de 30 minutos, o suficiente para a partida seguinte já estar acabando.

A adaptação profissional também virou um hobby nas horas vagas. "Se estou fotografando por diversão, como no Sea of Thieves, meu maior desafio é montar a cena que tenho em mente, e fazer dar certo", revela. "Às vezes, passo horas executando uma única ideia que tenho em mente, porque dependo de muitas coisas para que dê certo. Por exemplo: se quero uma foto específica no pôr-do-sol, e perco o momento, preciso esperar mais 24 minutos até o próximo pôr-do-sol. Se errar a foto ou perder a chance de novo, mais um ciclo se repete."

De acordo com um estudo publicado após o Fórum Econômico Mundial, a audiência dos streams de games aumentaram 70% em 2020, em comparação com o ano anterior. Ou seja: trancados em casa por questão de segurança, os espectadores cada vez mais se voltam ao trabalho de quem se dedica a esse mercado.

Nos Estados Unidos, o fotógrafo Robert Paul fez uma transição semelhante, principalmente com Overwatch e também com o Street Fighter, além de games casuais, como o Destiny 2. Outra referência é Leonardo Sang - um dos pioneiros no que diz respeito à captação de fotografias virtuais em games. Os resultados, especialmente nos games ultrarrealistas, são impressionantes.

Ainda demoraremos a entender todos os impactos que a pandemia gerou em todos os setores da economia - e o esporte eletrônico não é exceção. Em termos de adaptação e capacidade de mobilizar as massas de acordo com o que a realidade impõe, os games têm se mostrado resistentes e cada vez mais fortes. É a tecnologia trabalhando em prol do entretenimento e do esporte, ao mesmo tempo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL