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FaZe e MIBR: os significados das movimentações no Rainbow Six Siege

FaZe Clan e sua reconstrução no R6 - Divulgação/FaZe Clan
FaZe Clan e sua reconstrução no R6 Imagem: Divulgação/FaZe Clan
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

06/03/2021 09h00

Um movimento curioso rondou o cenário competitivo do Rainbow Six Siege nesta última semana, envolvendo grandes organizações. A FaZe Clan anunciou uma renovação revolucionária de sua line up no FPS da Ubisoft - trazendo quatro jogadores que antes pertenciam à MIBR, rival direta nos confrontos pelo topo do Brasil. Junto de Gabriel "cameram4n", que já acumulava passagem pela organização, chegaram Jaime "cyber", José "Bullet1" e Lucas "soulz1".

O quarteto se juntou a Leonardo "Astro" - um dos poucos jogadores no mundo, ao lado do próprio cameram4n, a disputar todas as edições do Six Invitational, o principal torneio do planeta no R6. Ou seja: trata-se da base da equipe que foi campeã brasileira de 2020, somada a um pro player extremamente experiente e habilidoso. Um rival para tentar bater de frente com a Ninjas in Pyjamas - que aposta com sucesso no trabalho a longo prazo, com entrosamento e manutenção do projeto - e também com a poderosa Team Liquid.

A movimentação da MIBR foi imediata: buscou o time inteiro que antes pertencia à Team oNe para dar sequência ao trabalho. Chegaram Tassus "Reduct", Kaique "Fallz", Luca "Lukid", Felipe "Felipox" e Enzo "Rappz". A base da equipe da FaZe, com João "yoona", Vinícius "live" e Ronaldo "ion", partiu para um novo desafio na Black Dragons. Ou seja: uma espécie de "efeito dominó" do cenário nacional, com mudanças que não só revolucionam os elencos, mas deixam diversos pontos de interrogação em nossas cabeças.

Obviamente ainda é cedo para avaliar, ainda que saibamos da capacidade dos respectivos jogadores, mas o "reboot" deve ser positivo para o Rainbow Six Siege brasileiro. Trata-se de uma renovação de motivações para todos os envolvidos. É óbvio que pensar em termos mais extensos e manter um mesmo time tende a render frutos, mas grandes viradas podem significar também melhoras para pro players e organizações.

Sob um certo ponto de vista, é interessante observar como uma peculiaridade dos esportes eletrônicos. Você consegue imaginar um movimento semelhante em qualquer outra modalidade considerada tradicional? Um elenco inteiro indo para um rival? Essa imprevisibilidade só torna nosso cenário ainda mais mágico e só aumenta a empolgação para mais um início de temporada. Quem vai levar a melhor? Uma grande incógnita. Mas todos certamente vamos acompanhar de perto.

São elementos como esses que nos lembram que, embora haja diversas aproximações necessárias com os esportes tradicionais, especialmente no que diz respeito ao profissionalismo, os games em ambiente competitivo ainda têm muitas particularidades dignas de nota e que nos movem como poucos torneios na vida. Há torcedores de organizações, de jogadores ou até mesmo simplesmente do próprio cenário - apoiando quem represente melhor o Brasil perante os estrangeiros.

Seria repetitivo bater na tecla da tradição do nosso país no FPS. Representamos, indiscutivelmente, uma das maiores linhagens nos jogos de tiro em primeira pessoa. Counter-Strike, Point Blank, Crossfire, Rainbow Six Siege... Fomos campeões mundiais em todos. Muito provavelmente também seremos no VALORANT. O R6, além das peculiaridades já citadas, ainda traz como fator as organizações estrangeiras que investem no nosso país e buscam se reinventar para seguir em alta. Quanto mais (títulos), melhor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL