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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Categoria de base dos eSports, Academy é sinônimo de pensar no futuro

Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

14/02/2021 09h00

Formar talentos e permitir que eles cresçam nas categorias de base é uma obrigação de todas as modalidades esportivas. Além de ser uma forma de pensar o futuro de forma sustentável, é o espaço onde o desenvolvimento acontece. Nos esports, o conceito de Academy virou essa referência. Um local seguro para que novos talentos despontem - não só jogadores, mas membros de comissão técnica, casters e todo tipo de profissional envolvido no ecossistema competitivo.

Ter de se provar imediatamente em uma profissão, seja ela qual for, é uma missão ingrata. A pressão desmedida muitas vezes pode atrapalhar a pessoa que tenha potencial para crescer, mas ainda não esteja devidamente lapidada para corresponder à altura do que o mais alto nível exige. No League of Legends, esse tipo de liga virou uma tendência que chegou ao Brasil com o modelo de parcerias a longo prazo adotado pela Riot Games.

Conectado dentro do mesmo sistema competitivo do CBLOL, com as mesmas 10 organizações na disputa, o CBLOL Academy traz à tona ideias interessantes. Todos os jogadores de uma mesma equipe podem jogar em ambas as ligas - desde que não seja na mesma rodada. Já tivemos alguns exemplos de atletas do Academy aproveitados no campeonato principal - como Tyrin, da FURIA, e Enga, da Rensga.

Isso vale também para os casters. Ver mulheres narrando, comentando, analisando e reportando na principal competição de esports do país é um alento e também um estímulo para publishers concorrentes fazerem o mesmo. É um dever da comunidade apoiá-las e fomentar cada vez mais a representatividade, permitindo que elas se desenvolvam e cheguem de maneira natural ao CBLOL.

É importante que todos enxerguem no Academy um espaço de crescimento. E não estamos falando aqui de retirar a competitividade ou diminuir o torneio no que diz respeito à vontade de vencer. É óbvio que todas as organizações buscam o título, mas o grande mérito, neste caso, é ver jovens tendo oportunidades e realizando sonhos - que podem se tornar ainda maiores em um futuro próximo, se bem conduzidos.

Um bom exemplo no League of Legends é a RED Canids Kalunga. Mesmo tendo ficado mais tempo do que esperava no Circuito Desafiante, a equipe apostou em sua base para o retorno à elite do cenário competitivo. Tem gerado ótimos frutos e disputado na ponta da tabela. Dos cinco jogadores, três são "pratas da casa": Guigo, Aegis e Avenger. Muitas vezes, a solução está mais perto do que todos podem imaginar.

É evidente que o Academy nunca atrairá a mesma atenção da competição principal, no que diz respeito à audiência, mas é importante que todas as publishers entendam a real função e importância de torneios deste tipo. O significado vai muito além de quaisquer números, e os esports precisam ter essa maturidade. Formemos cada vez mais os nossos próprios talentos, que os resultados a longo prazo certamente aparecerão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL