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OPINIÃO

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Reclamações sobre treinos ligam alerta de maturidade no cenário gamer

Nuddle, técnico da KaBuM! - Riot Games/Divulgação
Nuddle, técnico da KaBuM! Imagem: Riot Games/Divulgação
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

09/02/2021 09h00

Uma fala do técnico da KaBuM! no CBLOL no último domingo despertou a atenção para um assunto extremamente relevante no esporte eletrônico brasileiro: a falta de seriedade com que são encarados os treinos nos bastidores. E não falo aqui somente de League of Legends: ao longo dos últimos anos, cobrindo diversos games, convivi com relatos semelhantes, de atletas e equipes que esbarram em dificuldades semelhantes. Afinal, por que isso continua sendo um obstáculo para um mercado tão desenvolvido?

- Para mim, isso é falta de ambição. Se alguém não quer vencer, então deixe os esports e ache algo que goste de fazer para viver. Eu me sinto muito sortudo pelo fato de que todos os meus jogadores aqui querem vencer (...) Eu espero que as pessoas entendam que deveriam ter alguma ambição se eles querem sair da parte de baixo do jogo - afirmou Jean-François "Nuddle" Caron, canadense que comanda a KaBuM! no LoL.

O profissional já conhece bem o cenário competitivo brasileiro. Viveu seu auge na mesma organização onde está hoje, conquistando o CBLOL no primeiro split, em 2018, mas acumula passagens por RED Canids Kalunga e Flamengo. As reclamações relativas à falta de seriedade nos treinos se estenderam durante as entrevistas coletivas de alguns jogadores no último fim de semana da principal competição de esports do país.

Parece pedir o básico, mas sabemos que a realidade não é bem assim. Atrasos, cancelamentos, falta de quórum... Em diversas modalidades de esports, treinar é uma tarefa bem mais complicada do que deveria ser. Não devemos generalizar: há diferentes tipos de organizações, em todos os games. A cartilha de comportamento profissional de todas deveria exigir comprometimento de jogadores, comissão técnica e estafe em tempo integral.

Treinos - Riot Games/Divulgação - Riot Games/Divulgação
Treinos têm sido problema para equipes brasileiras
Imagem: Riot Games/Divulgação

Chega a ser contraditório imaginar que abordamos (com justiça) os esportes eletrônicos como o futuro diante das modalidades tradicionais, no que diz respeito a entretenimento e ambiente saudável, e na contramão disso temos uma falta de profissionalismo descabida em diversas frentes. É papel de todos os envolvidos no ambiente de competição em alto nível cobrar por condições ideais e que fomentem o exemplo positivo para novos talentos.

- Sobre o treino: é comum os times brasileiros não levarem tanto a sério. Isso é algo de todas as equipes. Não sei dizer se tem algum motivo específico, apenas acontece e com certeza pune as equipes quando partimos para o campeonato - afirmou Ceos, suporte da LOUD no LoL, também no último fim de semana.

"Comum", definitivamente, não deveria ser. Muito menos um assunto abordado com normalidade. É o mínimo para quem quer evoluir e bater de frente na corrida por grandes resultados, nacional e internacionalmente. Contentar-se com qualquer coisa menor que isso é pedir não só para virar alvo de críticas e viver de alegrias sazonais. É pedir para não sair do lugar. E, se há algo que os esports fazem todos os dias, é caminhar para a frente e olhar para o futuro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL