PUBLICIDADE

Topo

GGWP

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pandemia bate forte nos eSports e até acaba com organização

North teve atividades encerradas por conta da pandemia - Divulgação North/Getty Images
North teve atividades encerradas por conta da pandemia Imagem: Divulgação North/Getty Images
Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

07/02/2021 09h00

Não há nenhum setor da sociedade, social ou economicamente falando, que não tenha sido afetado de alguma forma pela pandemia do coronavírus. O esporte eletrônico, ainda que muitas vezes respaldado pela condição de poder ser realizado em formato online, também não passou impune. Nesta semana, a notícia do encerramento das atividades da North, organização europeia de alto nível nos últimos anos, deu mais provas de que os efeitos podem continuar indo além do que imaginávamos.

Ligada ao FC Copenhague, a equipe chamou a atenção especialmente no cenário competitivo de Counter-Strike: Global Offensive. Porém, como qualquer divisão que não é a prioritária em um negócio, a North esteve do "lado mais fraco da corda" em um momento de contenção financeira. Uma fragilidade que nos leva a refletir sobre diversos âmbitos do esporte eletrônico e do seu aspecto sustentável.

- Buscamos o mercado para conseguir um ou mais co-investidores a bordo do projeto, mas infelizmente não encontramos a combinação certa. Será necessário um investimento contínuo significativo para criar um negócio sustentável no futuro e, portanto, acreditamos que é de responsabilidade exclusiva focar o nosso negócio principal, o FC Copenhague - disse Lars Bo Jeppesen, presidente do conselho da North.

Sim, é inegável que os eSports já caminham com as próprias pernas e construíram um ecossistema, mas é utopia pensar que absolutamente todas as organizações, não só no Brasil, mas em qualquer país do mundo, têm autonomia financeira para seguir em frente em qualquer situação. Muitas vezes, o esporte eletrônico é parte de um braço esportivo que tem diversos outros focos, e pode, a curto prazo, ser um elo mais frágil de ser quebrado.

A mesma lógica pode ser aplicada aos campeonatos. Independentemente do valor de premiação ou da força de uma publisher, a pandemia tem tornado muitas competições inviáveis. Nesta semana, por exemplo, vimos o Six Invitational, principal torneio de Rainbow Six Siege do planeta, que aconteceria na França, acabar adiado devido ao fechamento das fronteiras do país para viajantes fora da União Europeia.

Adaptação e criatividade se fazem armas cada vez mais necessárias ao esporte eletrônico diante de toda a crise sanitária vivida a nível mundial. As vacinas sendo aplicadas são um alento, uma esperança de um futuro breve melhor, mas é preciso entender que ainda há muita fragilidade para quem investe no setor e pretende tratá-lo como fonte significativa e duradoura de renda. Em momentos assim, não há fórmula mágica.

Tenho certeza de que os eSports como um todo sairão mais fortes disso, e veremos eventos presenciais incríveis, como sempre foi. A missão de cada fã, por enquanto, é apoiar da forma que for possível: consumindo produtos das organizações, incentivando seus streamers favoritos, assistindo ao máximo os campeonatos... A união sempre foi um ponto forte da comunidade que vê os games como modalidades esportivas. Não é agora que será diferente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL