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Mulheres nos eSports: o que esperar no Brasil em 2021

Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

29/12/2020 10h00

O ano de 2020 termina com uma ótima notícia no que diz respeito à representatividade das mulheres nos esportes eletrônicos. No primeiro split de 2021, que marcará o início do novo sistema de parcerias a longo prazo, o Campeonato Brasileiro de League of Legends, principal competição de esports no país, terá cinco mulheres inscritas. Um dado interessante, que precisa se traduzir em oportunidades reais de desenvolvimento para as envolvidas.

Vale lembrar que as inscrições valem tanto para o CBLOL quanto para o Academy - este, uma espécie de "categoria de base" para as equipes. O Cruzeiro terá duas mulheres em sua line up: a meio Ariel "Ari" Lino e a suporte Larissa "Lawi" Santos. A INTZ inscreveu a meio Tainá "Yatsu" dos Santos. A LOUD contará com a caçadora Elizabeth "Liz" Sousa. Por fim, a Rensga segue com a suporte Gabriela "Harumi" Silvério - esta, primeira mulher a disputar uma partida válida por um campeonato oficial da Riot Games no Brasil.

É fundamental que cada vez mais mulheres ocupem tais espaços e apareçam entre os protagonistas dos esportes eletrônicos no país. Não só entre as jogadores - mas também com apresentadoras, comentaristas, analistas, repórteres. donas de organização, psicólogas, fisioterapeutas, nutricionistas... Quebrar a barreira tóxica que separa as figuras femininas desses pontos centrais é uma função de todos.

Na maioria das vezes, o problema está intrínseco na formação das jogadoras. Imagine quantas mulheres com potencial para o profissionalismo deixaram de jogar, independentemente do game, pela forma como são tratadas em partidas ranqueadas no dia a dia. Isso se amplia ainda mais quando o jogo conta com um comando de voz, possibilitando aos preconceituosos destilarem ódio e misoginia de forma patética.

Neste ano, Tamires "Tami" se tornou a primeira mulher a conquistar a LBFF - a Liga Brasileira de Free Fire, vestindo a camisa da SS Esports. Ela chegou a ser capitã da equipe na primeira etapa do torneio neste ano, atuando também com Laura Bueno. Uma figura que certamente servirá como exemplo para outras garotas que desejem buscar um espaço no profissionalismo - ainda mais no mobile, meio cada vez mais democrático para os games.

De acordo com dados da Pesquisa Game Brasil (PGB), as mulheres representam 53,8% do total de jogadores ativos no país - levando em conta todas as plataformas. Mais um dado que deve servir como reflexão para pais e mães que vejam uma barreira em presentear as filhas, e não somente os filhos, com videogames ou quaisquer outros tipos de jogos eletrônicos. Que o ano de 2021 sirva para avançarmos ainda mais neste sentido.

A presença de campeonatos femininos é importante para o estabelecimento das mulheres em um cenário desigual, mas o objetivo deve ser sempre uma estrutura final na qual elas possam jogar nas mesmas condições dos homens. Com as mesmas premiações, estrutura e atenção no competitivo. Que as promessas não fiquem só no discurso, e se transformem em oportunidades reais na próxima temporada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.