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Nintendo contra o mundo: 6 projetos de fãs que a empresa cancelou em 2020

Nintendo contra o mundo - Montagem: Allan Francisco / Reprodução (Nintendo)
Nintendo contra o mundo Imagem: Montagem: Allan Francisco / Reprodução (Nintendo)
Victor Bianchin

Victor Bianchin é jornalista, já foi editor da revista Mundo Estranho e escreveu um almanaque de games. Ele tem um Rush de estimação e considera a técnica do button mashing algo subestimado. Em Control Freak você vai ficar por dentro das curiosidades, bizarrices e polêmicas saudáveis do universo dos games.

Colunista do UOL

17/01/2021 08h00

Ao longo de 2020, várias pequenas iniciativas da comunidade e fãs da Nintendo surgiram para criar entretenimento em tempos de quarentena. Todas sofreram o mesmo destino: os advogados da gigante japonesa mandando aquele e-mail de "cease and desist" ("pare e desista"), um termo em inglês que serve de último aviso antes que um processo seja aberto. Ou então com a Nintendo já partindo direto para as medidas legais!

Há casos em que dá para entender a posição da Nintendo, como no processo contra a empresa americana que instalava chips de desbloqueio nos Switchs e contra a influencer que usava o nome "Pokeprincxss" e tinha uma conta no OnlyFans, site de entretenimento adulto. Porém, em outros casos foi pura implicância com os fãs! Saca só:

1) Nintendo cancela evento de Smash Bros por causa de mod

Super Smash Bros. Melee - Divulgação / Nintendo - Divulgação / Nintendo
Imagem: Divulgação / Nintendo

Em novembro, a Nintendo enviou uma carta de "pare e desista" para o torneio Big House, o maior de Smash Bros. Melee do mundo, que ocorre todo ano desde 2011. O motivo foi que, devido à pandemia, o evento precisaria ser realizado online. Como o jogo original de GameCube não tinha um modo online, os organizadores precisaram improvisar usando um mod chamado "Slippi". A Nintendo não curtiu.

Em um comunicado ao site Polygon, a Nintendo disse o seguinte: "[o torneio] requer o uso de versões ilegalmente copiadas do jogo em conjunção com um mod chamado 'Slippi' durante o evento online. A Nintendo, portanto, contatou os organizadores do torneio e os pediu para pararem. Eles se negaram, deixando a Nintendo sem escolha a não ser entrar em ação para proteger sua propriedade intelectual e suas marcas. A Nintendo não pode concordar ou permitir pirataria de sua propriedade intelectual".

Com toda essa pendenga legal, o evento foi oficialmente cancelado.

Isso pegou muito mal para a comunidade de Melee, que se mantém leal ao jogo mesmo 20 anos após seu lançamento. As hashtags #freemelee e #SaveSmash passaram a ser usadas nas redes sociais como forma de protesto contra as ações da companhia. Mas a Nintendo, obviamente, não voltou atrás.

2) Nintendo cancela torneio de Splatoon 2 por apoio dos competidores ao torneio de Smash Bros

Splatoon 2 - Divulgação / Nintendo - Divulgação / Nintendo
Imagem: Divulgação / Nintendo

Este aqui é consequência direta do que rolou com o torneio Big House. Em dezembro, iria rolar o campeonato Splatoon 2 North America Open, baseado no clássico de Switch. Só que, um dia antes do evento, ele foi cancelado.

Muitos especulam que foi a própria Nintendo que puxou o torneio da tomada após vários dos competidores se registrarem com nomes que faziam referência ao caso de Melee. Muitos deles, inclusive, tinham a hashtag #freemelee nos usernames.

Como forma de peitar a multinacional japonesa, os fãs, além de criarem a hashtag #freesplatoon, também organizaram um torneio independente de Splatoon 2 chamado The Squid House.

Doações foram arrecadadas para compor o prêmio principal, cuja soma acabou ficando em US$ 25 mil (além de US$ 3 mil doados para a caridade). É o maior valor já arrecadado para um torneio de Splatoon 2, oficial ou não. A maior parte desse valor foi levantada em apenas um único dia!

3) Nintendo derruba campanha de Kickstarter por quebra de direitos autorais de Animal Crossing

Porta documentos customizado com Animal Crossing - Reprodução / Kickstarter - Reprodução / Kickstarter
Imagem: Reprodução / Kickstarter

Em março do ano passado, a Nintendo tirou do ar uma campanha de Kickstarter criada para arrecadar fundos para uma carteira de passaporte customizada. O projeto tinha como meta o valor de mil libras esterlinas. O problema é que ele "copiava" os elementos gráficos de Animal Crossing: New Horizons.

A descrição do projeto dizia: "uma carteira fofinha com textura de animais para suas novas aventuras cruzando os horizontes!". Entendeu? Animais, cruzando, novas, horizontes? As dicas estavam todas ali.

A Nintendo derrubou o projeto, que já havia arrecadado 34 mil libras antes da ação.

4) Nintendo e Sony interrompem jogos com o Mario feitos no Dreams

Jogos de Mario feitos por fãs na plataforma Dreams - Reprodução / indreams.me - Reprodução / indreams.me
Imagem: Reprodução / indreams.me

O jogo Dreams, lançado em 2020 para PS4, tem a proposta ambiciosa de ser um jogo que permite criar outros jogos. E deu bem certo, com boa parte da comunidade se engajando para utilizar as ferramentas e criar aventuras únicas. Até a irmã de Miley Cyrus usou o game para fazer um clipe de uma música dela.

O problema começou quando muitos criadores começaram a utilizar personagens da Nintendo, como o Mario, para criar jogos no estilo clássico da empresa japonesa. A partir de março do ano passado, a Nintendo começou a contatar esses criadores e solicitar que eles parassem de usar suas propriedades criativas nos jogos.

Em um comunicado ao site Games Industry, a Sony afirmou o seguinte: "a Sony Interactive Entertainment está notificando os usuários afetados que uma notificação de infração de propriedade intelectual foi enviada pela Nintendo e que o conteúdo será removido. Nós não podemos comentar a respeito do volume de conteúdo que será removido, pois isso será decidido caso a caso".

Desde então, a maioria dos jogos com o Mario desapareceu do Dreams. Mas há alguns que ainda sobrevivem, como Super Mario Legend e Super Mario 64 HD.

5) Nintendo remove do YouTube vídeos com músicas de seus jogos

Thumbs de vídeos da trilha de Mario Sunshine no YouTube - Reprodução / YouTube (@GilvaSunner) - Reprodução / YouTube (@GilvaSunner)
Imagem: Reprodução / YouTube (@GilvaSunner)

Este aqui é de 2019, mas só ganhou atenção em 2020. Em agosto daquele ano, o youtuber GilvaSunner, que posta vídeos apenas com o áudio de faixas de trilhas sonoras, reportou no Twitter que a maioria de suas publicações foi removida com base em direitos autorais.

Foram removidos os vídeos com músicas de Super Smash Bros., Mario Kart 64, Ocarina of Time e vários outros. No entanto, alguns ainda resistiram, como os de Hyrule Warriors e Super Mario Sunshine.

Vale ressaltar que GilvaSunner não monetizava os vídeos e nem ganhava dinheiro com eles.

Outro youtuber, BrawlBRSTMs3, também revelou que seu canal havia sido tirado do ar.

O pior (ou o melhor) foi quando os fãs foram a um tweet da NintendoUK, o qual perguntava "Qual sua música favorita da série Legend of Zelda?", e começaram a postar prints de seus vídeos bloqueados. Tragicamente engraçado:

O grande problema da coisa toda é que a Nintendo não costuma disponibilizar suas trilhas sonoras por meio de canais oficiais, como o Spotify (onde a Square Enix, a Capcom e a Atlus fazem a festa). Canais como esses citados são as únicas formas que muita gente tem para acompanhar as trilhas de seus jogos favoritos sem ter que importar CDs.

6) Nintendo cancela projeto de Joy-Cons customizados em homenagem a youtuber que morreu

Controles customizados Etikon para o Switch - Divulgação / Captain Alex - Divulgação / Captain Alex
Imagem: Divulgação / Captain Alex

Esta aqui talvez seja a mais grave de todas. Em junho de 2019, um youtuber chamado Desmond Amofah, que utilizava o nome Etika na plataforma, tirou a própria vida. Alguns meses depois, surgiu uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Indiegogo em sua homenagem.

A campanha foi organizada pelo artista Captain Alex, especializado em customizar Joy-Cons (os controles de Switch que estão sempre dando defeito). Quem participasse da campanha receberia um par de cascas de Joy-Cons customizadas em homenagem ao youtuber falecido, batizados de Etikons.

"Cascas" são só as envoltórias de plástico - as partes elétricas e eletrônicas deveriam ser transferidas de um Joy-Con normal.

Tudo isso foi em 2019. A campanha, entretanto, foi paralisada antes de atingir sua meta. E foi só em dezembro de 2020, mês passado, que o motivo ganhou destaque.

Respondendo a outra pessoa no Twitter, CptnAlex revelou que entregou os joysticks aos apoiadores e depois passou a vender o estoque sobressalente pela sua loja online no Etsy, mas que uma carta de "pare e desista" da Nintendo o impediu de continuar.

Alguns dias antes, ele já havia feito uma thread explicando que sua frustração era porque a Nintendo alegava "proteção de propriedade intelectual" ao impedi-lo judicialmente de vender seu trabalho, mas permitia que outras companhias sem licença o fizessem.

Com isso, Alex refez o design dos controles para excluir os símbolos do Switch, retirou o termo "Joy-Con" do nome e lançou uma terceira campanha para as cascas Etikon.

Embora exista certa polêmica na comunidade sobre se Alex usou a situação toda para se autpromover, é certo que a Nintendo não quis nem saber se as campanhas eram por uma causa nobre. Meteu o processinho até numa campanha de caridade.

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