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16 Bits da Depressão

25 anos depois: como estão os lutadores do game WrestleMania

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Imagem: 16bits/Start
Fabricio Aguiar

Diversão, alegria e jogos eletrônicos! Ou decepção, sofrimento e um pouco mais de jogos eletrônicos? O 16 Bits da Depressão vai abordar os assuntos que estão em alta no universo gamer, sempre com muito bom humor e poucos pixels.

Colunista do UOL

05/12/2020 08h00

Há 25 anos um dos mais emblemáticos jogos eletrônicos baseados em luta livre, estilo "telecatch", era lançado. WWF WrestleMania: The Arcade Game chegou em novembro de 1995 ao Mega Drive e Super Nintendo, com presença no PlayStation e no Sega Saturn, todos competindo pelo título de "port mais fiel do jogo original de Arcade".

Evidentemente, a disputa ficou entre os consoles de quinta geração, com maior resolução, mais frames nas animações, melhor definição sonora e até mais personagens e funções extras.

A Midway Games e a Acclaim Studios uniram esforços para digitalizar pessoas, assim como feito em Mortal Kombat, para botar no mercado o jogo de luta livre visualmente mais espetacular feito até então.

O resultado foi um jogo de cair o queixo, com uma incrível melhoria se comparado ao outro jogo de luta livre lançado pela mesma publisher no ano anterior. Além de agradar quem já era fã desse tipo de entretenimento, o game foi a porta de entrada de muitos jovens nesse universo, principalmente no Brasil, onde lutas da WWF ou WCW eram raramente exibidas.

Rejogando hoje em dia, pode-se dizer que o jogo envelheceu bem. Seus comandos são intuitivos, as hitboxes são funcionais, as partidas são bem dinâmicas e existe um balanceamento razoável entre os diferentes personagens.

WWF The Arcade Game Promo - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Imagem: Reprodução/Start

Aliás, quanto aos personagens, não é possível dizer que eles envelheceram tão bem quanto o jogo. Afinal, seres humanos envelhecem, uns melhores que outros, e alguns até sofrem fatalidades precoces. Calma, não precisa abrir uma nova aba de pesquisa para sanar sua curiosidade. Abaixo você descobre como cada um dos oito icônicos personagens do jogo estão hoje em dia.

Doink The Clown

Doink The Clown - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Doink The Clown
Imagem: Reprodução/Start

O personagem mais divertido de jogar em WrestleMania não tem uma história feliz aqui fora. Seu intérprete original e criador, Matt Osborne, atuou profissionalmente como Doink até 1994. A partir de então passou a lutar no circuito independente, fazendo uma única e última aparição no ringue profissional em 2007.

Matt Osborne faleceu de overdose em 2013. Advogados da família acusaram a WWE (antiga WWF) como responsável pelo trauma físico e emocional que mergulhou Matt em depressão e nas drogas. As acusações foram rejeitadas em juízo por insuficiência de provas.

Razor Ramon

Razor Ramon - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Razor Ramon
Imagem: Reprodução/Start

O personagem que possivelmente inspirou o astro máximo das novelas brasileiras, Esteban de Cubanacan, tem uma história um tanto conturbada.

Nos anos 90, WCW e WWF competiam por fãs e audiência, conquistando ambos através de seus lutadores. Um dos lutadores que a WWF fez questão de fisgar da concorrência foi Scott Hall que, até então, interpretava o personagem Diamond Studd: um metido e galanteador brutamontes de tórax peludo.

A WWF viu o sujeito perfeito para seu novo vilão, alguém que os fãs adorariam odiar. Surge Razor Ramon, um cubano-americano inspirado em personagens do filme Scarface.

Como "o bom filho à casa torna", depois de cinco anos interpretando Razor Ramon na WWF, Scott Hall assinou um novo contrato com a WCW, onde permaneceu por quatro anos. Em seguida, se aventurou no circuito independente e também na principal companhia de luta livre do Japão, a NJPW.

De volta aos Estados Unidos, fez uma curta passagem de volta à WWF (agora WWE) e então ficou diversos anos em emergentes concorrentes e no circuito independente. Nessa trajetória, além de colecionar empregos, Scott colecionou diversas passagens na polícia por conta de seu abuso de álcool e drogas, frequentemente manifestando comportamento agressivo.

Em 2014, foi anunciado como um dos componentes do Hall da Fama da WWE: a maior honraria da principal empresa da indústria. Desde então, faz eventuais aparições na programação da WWE.

The Undertaker

Undertaker - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Undertaker
Imagem: Reprodução/Start

O astro máximo, a lenda. O personagem de Mark William Calaway facilmente disputaria com Hulk Hogan o título de lutador mais reconhecido dessa indústria.

Ao contrário dos citados anteriormente, o intérprete do coveiro lutador conseguiu a proeza de permanecer na WWE desde 1990 até junho deste ano, quando finalmente se aposentou.

Outra proeza, a julgar pela trajetória de outros colegas, foi permanecer longe de polêmicas e tumultos em sua vida particular —sendo frequentemente referenciado como um homem dócil e gentil, o exato oposto de seu personagem.

Por décadas, Calaway manteve o máximo de discrição para poder alimentar o estereótipo misterioso de Undertaker, só agora decidindo revelar detalhes da sua vida privada em um documentário.

Yokozuna

Yokozuna - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Yokozuna
Imagem: Reprodução/Start

Outro que já não está mais entre nós é Rodney Anoa'i, o samoano lutador de sumô que tinha como mortífero golpe sentar-se em seus oponentes.

Vítima de infarto fulminante no ano de 2000, Rodney deixou a indústria inteira em luto por ser um dos membros de uma tradicional família de lutadores oriundos da Samoa. Na mesma família estão outros grandes lutadores de renome, como Umaga, Rikishi, The Usos, Roman Reigns e The Rock.

16 Bits Família Anoai - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Shawn Michaels

Shawn Michaels - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Shawn Michaels
Imagem: Reprodução/Start

O destruidor de corações, como também é conhecido, segue um exemplo parecido ao de Undertaker. Permaneceu na WWE desde 1988 até sua primeira aposentadoria em 2002, retornando às atividades até sua segunda aposentadoria em 2010. Desde então fez diversas aparições em eventos especiais da empresa e até chegou a fazer uma luta extraordinária em 2018.

Também se manteve longe de problemas e confusões em sua vida pessoal, tornando-se um dos grandes xodós do CEO da WWE e um dos lutadores mais queridos pelos fãs.

Bam Bam Bigelow

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Bam Bam Bigelow
Imagem: Reprodução/Start

O terceiro espólio da lista é Scott Bigelow. Aqui a história também é trágica e segue uma trajetória parecida com a de Doink The Clown.

Um sujeito com uma ficha criminal extensa, instabilidade profissional, problemas financeiros, dependência química, problemas cardíacos, diabetes e uma série de outros agravantes que culminaram com sua morte por overdose em 2007.

Bret Hart

Bret Hart - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Bret Hart
Imagem: Reprodução/Start

O meu personagem preferido deste game está firme e forte hoje em dia. Na época, Bret era um dos principais nomes da indústria e foi capa de quase todas versões do games, além de estampar diversas artes promocionais e até um trailer com detalhes de desenvolvimento do jogo.

Além de inúmeras vitórias dentro do ringue, Bret venceu sua mais terrível batalha aqui fora contra o câncer em 2016.

O carisma dos ringues continua em suas redes sociais. Frequentemente ativo, compartilhando momentos de seu dia-a-dia com fãs e passando mensagens de motivação e conscientização.

Lex Luger

Lex - Reprodução/Start - Reprodução/Start
Lex Luger
Imagem: Reprodução/Start

Não confunda com Lex Luthor, embora Lex Luger tenha tudo para ter sido considerado um vilão na vida real. Agrediu a namorada em 2003, foi preso dirigindo embriagado e foi o principal suspeito quando sua companheira foi encontrada morta depois de ingerir doses mortais de medicamentos. Depois de ser inocentado das acusações e ter pago fiança pela posse de diversas drogas anabolizantes, Lex declarou-se convertido ao cristianismo anos mais tarde.

Em 2011, Lex Luger voltou a trabalhar na WWE, não como lutador e sim nos bastidores como conselheiro em nutrição, bem-estar e prevenção anti-drogas. Algo, no mínimo, bastante controverso.

Hoje, em suas redes sociais, Lex se mostra um homem renovado compartilhando palavras de pregação e desaconselhando jovens de seguir seus passos na juventude.

Caso tenha curiosidade para saber como estão outras pessoas imortalizadas em jogos de vídeo game, confira esta matéria onde verificamos o paradeiro dos skatistas de Tony Hawk Pro Skater 2!

Muito em breve teremos mais resgates como este. Até lá!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.