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Bravely Default Flying Fairy

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

24/02/2014 16h16

A mera existência de "Bravely Default" vai contra a essência de todos os outros RPGs produzidos pela Square Enix nos últimos anos. Ela, que segue em todas as direções exceto àquela que salvou a empresa da falência na década de 1980.

A história do nascimento do jogo deve ser fascinante, pois ele é basicamente o que fãs das fantasias finais de antigamente pediram para a Square Enix em vão por mais de uma década. Sim: um RPG nos moldes clássicos, com encontros aleatórios e 'jobs', um conto de quatro guerreiros contra o mal e de cristais mágicos.

"Bravely Default" é por vezes hipnotizante, abusando do nervo nostálgico dos jogadores. Em outros momentos, ele é surpreendentemente progressivo ao quebrar algumas das convenções do gênero. E, infelizmente, também cai em algumas das armadilhas que atrapalhavam seus predecessores espirituais - mas sem nunca perder a compostura.

Introdução

Agnès é uma figura religiosa, incumbida de cuidar do Cristal do Vento. Tiz é um simples camponês que perde a família quando seu vilarejo é engolido por uma enorme cratera. Ringabel é o portador de um diário que diz o futuro, mas não lembra de seu passado. E Edea Lee, enviada para arrancar a cabeça de Agnès, descobre que o mundo não funciona da maneira que lhe foi ensinada.

Com esse grupo de quatro personagens, o jogador deve explorar o mundo de Luxendarc, que está em crise e necessita urgentemente da ajuda de heróis.

A aventura de "Bravely Default" segue todos os caminhos esperados, de forma que um veterano dos RPGs sempre se sentirá em casa.

Pontos Positivos

Nostalgia na dose certa

"Bravely Default" é um jogo que sabe exatamente do que fãs de JRPGs gostam. Todos os seus elementos, desde os menus até o mapa do mundo, foram visivelmente criados com a intenção de evocar nostalgia naqueles que sentem falta dos tempos de "Chrono Trigger".

Mais do que isso: o game nasceu do que parece ser uma compilação dos melhores momentos do gênero. Desmontando o quebra-cabeça, dá para ver exatamente de onde veio cada um de seus elementos. O sistema de 'party chat', por exemplo, é característico da série "Tales of"; a funcionalidade dos 'jobs', de "Final Fantasy V"; a caracterização de Luxendarc, de "Final Fantasy IX" - e por aí vai.

E isso funciona muito bem. Em tempo de vacas magras para o estilo de jogo, "Bravely Default" faz com que os fãs se lembrem do potencial que ele possui.

Experiência personalizável

Ao invés de inovar, "Bravely Default" refina. E talvez as mudanças funcionais apresentadas pelo game não irão se tornar padrões para o gênero... Mas deveriam.

Ao longo de toda a aventura, jogadores têm o poder de alterar a dificuldade dos combates, acelerá-los, e até de dobrar ou eliminar a chance de encontros aleatórios sem qualquer penalidade. "Bravely Default" não força para cima dos fãs desafios absurdos como chefes que cobram horas de 'grinding'. Ao invés disso, ele coloca nas mãos deles a escolha de quão difícil deve ser a jornada.

E isso é bom para todos os tipos de jogadores. Os veteranos poderão desativar batalhas aleatórias para ter mais trabalho na hora de lutar contra os chefes, enquanto que os novatos terão a chance de ativar a função de batalha automática para coletar pontos de experiência facilmente e ultrapassar as barreiras na força bruta.

Mecânica de combate divertida

O sistema de combates de "Bravely Default" se dá por turnos, no mesmo estilo dos jogos "Final Fantasy" e "Dragon Quest" clássicos. Mas uma mecânica em especial separa ele do padrão, e acrescenta uma nova camada de elementos estratégicos aos enfrentamentos.

Durante batalhas, jogadores podem selecionar os comandos 'Brave' ou 'Default' para cada um de seus quatro personagens. Quando 'Default' é escolhido, aquele personagem perde um turno para se defender e acumula um BP. Já 'Brave' dá ao herói um movimento extra naquele turno, consumindo um BP.

Aproveitando-se do sistema, é possível então realizar até quatro ações por turno com um único personagem. O uso indiscriminado da ação 'Brave' pode, porém, deixar o time completamente vulnerável contra sucessivas investidas inimigas, caso a soma total de BPs caia para a casa dos números negativos.

Com essa mecânica em mente, torna-se comportamento padrão utilizar 'Default' na hora de enfrentar cada inimigo novo, antes que ele tenha a chance de atacar. E a possibilidade de ser cauteloso perante novas ameaças é só um exemplo das várias potenciais estratégias que o sistema acrescenta aos combates.

Arte incrível

Apesar de ser um jogo exclusivo para o hardware menos poderoso ativo no mercado, "Bravely Default" é um dos games mais belos lançados nos últimos tempos por causa de sua espetacular direção de arte.

Como nos velhos tempos, o mundo de Luxendarc é construído com base em cenários desenhados à mão - e seu estilo complementa perfeitamente os personagens e monstros criados por Akihiko Yoshida, de "Final Fantasy Tactics" e "Final Fantasy XII". A beleza é tamanha que descobrir e explorar cada área nova torna-se um prazer por si só. Experimente deixar o personagem parado em uma área por alguns segundos e depois observe a câmera afastando-se para revelar todos os detalhes dos desenhos.

Pontos Negativos

Clichês

"Bravely Default" carrega as vantagens de ser uma obra derivativa, mas também as desvantagens. A principal delas é sua fraca história, que nunca engrena e em mais de uma ocasião se mostra mais fraca até mesmo que a de seus objetivos opcionais.

Também é um problema o fato de Luxendarc, mesmo belo, não ter uma identidade própria. Inundado por clichês, o mundo pode não prender a atenção de jogadores acostumados com os monstros e áreas que são lugares-comum para o gênero.

Um extra: a dublagem em inglês de "Bravely Default" é muito divisiva. Alguns personagens têm vozes boas. Mas outros... Agnès e Mephilia, por exemplo, me fizeram tirar os fones de ouvido mais de uma vez quando estavam falando. Em um momento específico logo no primeiro capítulo da aventura, a protagonista resolve fazer um discurso na cidade de Ancheim. Desafio qualquer um a escutar toda a sequência, que é marcada pelo mais forçado tom de quase choro, sem começar a odiar a personagem.

Nota: 9 (Excelente)

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