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Mass Effect 3

Rodrigo Guerra

Do UOL, em São Paulo

19/03/2012 18h38

“Mass Effect 3” fecha com chave de ouro a trilogia que começou há quatro anos em uma história verdadeiramente emocionante, com milhares de decisões para serem tomadas e ponderadas. A ação foi melhorada e as mecânicas que não funcionavam direito foram deixadas de lado. O mais bacana é que finalmente a produtora BioWare ouviu o clamor dos fãs e entregou um modo multiplayer bem interessante e que vai manter o jogo ativo por muitos meses.

Introdução

A saga espacial do comandante Shepard chega ao seu clímax com “Mass Effect 3”. A ameaça dos Reapers chegou ao planeta Terra. Para evitar que esses seres alienígenas destruam toda a galáxia, o herói deve deixar os terráqueos e partir em uma missão política para angariar recursos e reforços militares em outros mundos.

Pontos Positivos

A história

A história de “Mass Effect 3” é uma trama de minúcias que se aglomeram na mente do comandante Shepard. Logo nos primeiros minutos do jogo, o herói percebe a real força dos Reapers, uma raça alienígena sedenta por sangue. Os pobres terráqueos não têm chance alguma contra eles e cabe ao herói (ou heroína, já que você pode decidir o sexo do protagonista) deixar seu planeta e ir em busca de socorro de outras raças intergalácticas.

Felizmente essa parte política não é maçante como “Star Wars - Episódio 1: A Ameaça Fantasma”, pois suas passagens são muito rápidas e ficam contidas em cenas de corte com poucos minutos de duração. Mesmo assim são cenas importantes e interativas e de acordo com a resposta do jogador uma raça ou outra pode virar as costas para a causa humana – e você terá que conviver com isso.

A todo instante vão surgindo novas informações e viradas no enredo. Shepard se depara com missões espalhadas pela galáxia e que interessam algum representante de uma raça do Conselho. Esse enredo complexo e dinâmico é a chave que mantém o jogador preso e sempre querendo saber o que vai acontecer em seguida. 

A evolução do combate

Os combates estão mais elaborados e soltos. Em tese tudo continua como em “Mass Effect 2”, entretanto, Shepard está mais ágil e dinâmico, capaz de correr, saltar e rolar pelo chão. Uma das novas adições é a possibilidade de dar um “soco forte” que afasta o inimigo e causa um grande dano.

Os aliados estão mais independentes do que nos games anteriores. Eles se adaptam ao estilo do jogador, como para aqueles que são mais estrategistas antes de partir para o ataque, ou para quem apenas segue em frente atirando no que vier pela frente. Nem tudo está perfeito nesse quesito, como a movimentação que ainda está meio robótica, mas nada que interfira na experiência. 

Sem "hacks" ou explorações forçadas

Muita coisa do jogo anterior ficou de fora em “Mass Effect 3”, como a exploração forçada de planetas desabitados e os minijogos para hackear portas e cofres. E sabe de uma coisa? Essa foi a melhor coisa que a Bioware poderia ter feito. Como era chato ter que ir de planeta em planeta para encontrar minérios para fazer melhorias em armas e na Normandy.

Com a urgência da guerra que se espalha pela galáxia, o jogo se concentra naquilo que realmente diverte, como a história e os combates.

Modo cooperativo

Muitos cobraram da Bioware um modo multiplayer para “Mass Effect”. Felizmente a espera valeu a pena, mesmo não sendo aquilo o que os jogadores tinham em mente (que era jogar o modo campanha na companhia de amigos). O modo cooperativo não conta história alguma, mas coloca personagens com poderes das classes do modo solo para batalhar contra hordas de inimigos.

A mecânica é bem similar com o modo Horde de “Gears of War”, porém com algumas missões aleatórias que vão surgindo no decorrer da partida, como ficar em um ponto específico do mapa para ‘hackear’ um computador ou ativar certos servidores, tudo isso rola com ondas e mais ondas de inimigos preparados para acabar com quem estiver na frente.

É desafiador e, mesmo não sendo algo realmente original, a diversão é garantida.

Pontos Negativos

Perguntas que ficaram sem resposta

Quem terminou “Mass Effect 2” mas não comprou o conteúdo extra “The Arrival” vai se  sentir perdido nos primeiros minutos. A primeira cena mostra Shepard no planeta Terra, cercado por diversas pessoas que nunca cruzaram com ele no game anterior. O jogador se verá cheio de perguntas sem resposta como “Como ele chegou lá?” ou “Onde estão meus companheiros?”, isso sem falar de detalhes importantes, como “Quem é esse Vega e o que ele está fazendo na minha nave?” ou pior “O que fizeram com minha nave?”.

E não se preocupe em procurar um registro no Codex (o grande manual que reúne tudo sobre o universo de “Mass Effect”, uma versão sóbria do “Guia do Mochileiro da Galáxia”) – algumas perguntas vão ficar sem resposta. Não são questões que vão atrapalhar o desenrolar da história, mas é estranho pensar que um conteúdo extra opcional (que é o intuito primordial de um DLC) na verdade seja algo obrigatório, mas pago à parte.

Nota: 9 (Excelente)

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