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Red Dead Redemption

28/05/2010 12h13

Entre os muitos temas e ambientações presentes nos jogos eletrônicos, não seria correto dizer que o faroeste está mal representado. São poucos os títulos inspirados pelo universo dos caubóis e dos fora-da-lei mascarados, mas é preciso reconhecer que a qualidade desses jogos, em sua maioria, está acima da média. Por se tratar de uma ambientação pouco utilizada, é difícil chamar um jogo que se passa no Velho Oeste de genérico.

Videonálise do game
Dito isso, "Red Dead Redemption" é a representação máxima do faroeste nos videogames. Seqüência de "Red Dead Revolver", de 2005, "Redemption" é a primeira investida original da Rockstar Games no gênero. Primeira, pois "Revolver" foi adquirido da Capcom e trouxe consigo muito do estilo da produtora japonesa, inclusive a marca registrada da série, a mecânica "Dead Eye", que deixa o jogo em câmera lenta e permite ao mocinho disparar várias vezes contra seus inimigos com grande precisão.

Logo nos primeiros minutos percebe-se o pedigree dos grandes jogos da Rockstar, com uma introdução cinematográfica que acompanha a viagem do protagonista, John Marston, até a cidade de Armadillo. Através das conversas dos outros personagens dentro do trem, o jogador é lentamente inserido no mundo fantástico de "Redemption".

Jornada para o Oeste

O game é ambientado no começo do século XX e os eventos da história retratam o fim do Oeste Selvagem e a chegada da civilização moderna, com tudo de bom e ruim que acompanha essa transição. Mas não tenha medo de uma enfadonha aula de história: "Redemption" é uma jornada violenta de vingança, ódio e redenção, temperada com um pouco do humor ácido típico dos roteiros da produtora de "GTA".

Marston é um fora da lei redimido que é obrigado a procurar e eliminar sua antiga quadrilha, liderada por Bill Williansom, que deixou John para morrer no deserto muito tempo atrás. Para atingir seu objetivo, será preciso reunir forças e seguir a trilha de violência de Williansom, cumprindo missões para outros personagens conforme a história avança.

Descubra como é a vida no velho oeste
Os controles básicos vêm de "GTA IV", com o uso de cobertura durante os tiroteios e uma eficiente trava de mira. No decorrer do jogo, novos comandos são introduzidos, como o uso do laço e o "Dead Eye", que simula as habilidades lendárias dos caubóis do cinema, capazes de encher de furos um chapéu em pleno ar ou derrubar em um instante quatro ou cinco inimigos com tiros certeiros. Cavalgar é como dirigir em um "GTA", mas é preciso atenção com o cansaço do cavalo, que pode se irritar e derrubar o cavaleiro se for maltratado. A física realista dá um toque extra ao combate, diferenciando o impacto de cada arma e as reações dos inimigos ao serem baleados. A violência é forte em "Redemption" e é possível realizar execuções impiedosas ao atingir os oponentes à queima-roupa.

Mas é o mundo além das missões principais que prende o jogador e torna "Redemption" um jogo apaixonante. Menos populoso do que as cidades modernas de "GTA", raramente se está sozinho na vastidão do Oeste. Diligências, carroças e cavaleiros percorrem as estradas e a vida selvagem é abundante. Caçar e explorar o enorme cenário do jogo em busca de tesouros ou de criminosos foragidos garante dinheiro, habilidades aprimoradas e diversão sem fim.

Quase um jogo de RPG

Há missões secundárias, divididas entre encontros fixos, que se desenvolvem como envolventes histórias paralelas e também encontros aleatórios, como recuperar um cavalo roubado, salvar um inocente da forca ou uma prostituta de um cliente insatisfeito, entre outros. Muitos deles se repetem, mas não se tornam menos divertidos por isso. Ao tentar resgatar uma dama em perigo na estrada, o jogador pode ser surpreendido por uma emboscada de ladrões de cavalo. Num segundo ou terceiro encontro, é a sua vez de pegar os bandidos de surpresa. "Redemption" é um videogame e praticar até alcançar o sucesso nessas tarefas é um prazer que a Rockstar não negou aos jogadores.

Conheça os heróis e vilões
Esses encontros dão vida ao mundo do jogo, na medida em que influenciam a reação do mundo ao jogador e revelam o lado sombrio e violento do game. Em "Redemption" o jogador não pode "interagir" com as dançarinas e prostitutas, mas não se engane ao pensar que é um jogo mais suave do que "GTA". Além da violência nua e crua, o game lida com temas perturbadores como canibalismo e necrofilia.

O sucesso e o fracasso nas missões paralelas, e até mesmo a escolha entre se envolver ou não, é medido em duas escalas, a honra e a fama do personagem. A honra pode aumentar ou diminuir, conforme as escolhas. Seja bom e logo todos saberão disso. Seja um verdadeiro fora da lei e será mal visto pelas autoridades. A fama acarreta benefícios com os homens da lei e desafios para duelos, entre outras situações.

O sistema funciona quase como em um RPG, exceto pela falta de opções de diálogo. Marston pode se afastar de um bandido que lhe faz uma proposta indecente para roubar os suprimentos da cidade para recusar a missão, mas não pode prendê-lo e entregá-lo às autoridades. O jogador pode atirar nos pés do pianista se não gostar da música, mas não pode pedir ao sujeito para tocar uma melodia diferente.

A vida em "Red Dead Redemption" não é feita apenas de aventuras e tiroteios. Há várias atividades para ocupar o tempo, como jogar pôquer, Black Jack, disputar queda-de-braço ou simplesmente embebedar-se no bar, além de ocupações como domar cavalos selvagens e procurar tesouros. São minigames rápidos, divertidos e não são obrigatórios, mas fazem parte do que torna os mundos criados pela Rockstar completos e imersivos.

Nas missões principais, mais do que em todo o resto, se percebe o DNA de "GTA" inserido no jogo. Os personagens marcantes e o roteiro forte seguram as rédeas do jogo nesses momentos, deixando de lado a liberdade de ação e todas as escolhas feitas pelo jogador. O sistema de honra e fama é ignorado nas missões principais. Não importa se você acabou de amarrar uma mulher e deixou ela sobre os trilhos do trem, o xerife vai pedir sua ajuda para prender os ladrões de gado. Durante a campanha principal, o jogador não tem opção, ele apenas segue o roteiro planejado pela Rockstar. Por melhor que seja a história, é um ponto negativo em um jogo que oferece tanta liberdade e conseqüências para as escolhas do jogador.

Homens fazem valer a lei no Velho Oeste
Ao longo de sua jornada, Marston vai explorar as pradarias selvagens de New Austin, será levado ao México à beira da guerra civil e, por fim, retornará ao mundo civilizado na cidade de Blackwater, com seus carros e outras facilidades modernas. O choque cultural atinge o jogador em cheio, depois de passar tantas horas cavalgando e lutando em um mundo mais simples. É aí que reside a genialidade da Rockstar e sua capacidade de nos levar ao limite da imersão em seu mundo virtual. Assim como os habitantes do Oeste, o jogador é tomado pelo sentimento de que tudo aquilo que aprendeu a amar durante suas longas horas de jogo está perto do fim.

Mocinhos e bandidos

O multiplayer de "Red Dead Redemption" tem como diferencial o modo "Free Roam", que é o lobby onde os jogadores se reúnem. Trata-se de toda a área do jogo, na qual se pode cavalgar livremente, formar quadrilhas com até oito integrantes e realizar missões como atacar esconderijos de bandidos, aterrorizar as cidades e fazendas, caçar animais selvagens ou partir para um dos modos de jogo, que incluem os tradicionais mata-mata cada um por si ou em times e as divertidas variações de rouba-bandeira, em que os times competem para capturar sacos de ouro. É possível ganhar experiência cumprindo desafios e participando das partidas, que libera novas armas, montarias e personagens para o jogador em suas disputas online.

Assim como em outros jogos da Rockstar, alguns problemas de colisão e outras falhas acontecem, como personagens que aparecem de repente no cenário ou pior ainda, ficam invisíveis por algum tempo, como o "cavalo fantasma". Mas tais problemas são raros e de uma forma geral, não atrapalham o andamento do jogo.

Nota: 9 (Excelente)

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