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Mass Effect 2

23/02/2010 17h54

Lançado em 2007, "Mass Effect" foi um dos primeiros e mais importantes RPGs lançados para o Xbox 360 (algum tempo depois o PC ganhou sua edição), fruto da parceria com a Microsoft e a Bioware, veterana no gênero responsável por clássicos como "Baldur's Gate", "Neverwinter Nights" e "Star Wars: Knights of the Old Republic". O jogo futurista foi certeiro por misturar o tradicional modo de contar histórias da produtora, repleto de árvores de diálogos, com um esquema de combate que lembra jogos de tiro em 3a pessoa.

A Bioware logo foi comprada pela Electronic Arts, mas o compromisso com a plataforma da Microsoft se manteve e "Mass Effect 2" chega como lançamento exclusivo para o Xbox 360 nos consoles. O PC, novamente, se mantém alheio a disputas e agora ganha uma versão simultânea. Sorte para os envolvidos, já que a continuação resolve muitos dos problemas do anterior e oferece uma experiência inesquecível para fãs do gênero.

Retomando a aventura

Uma irmandade incomum
Os eventos do novo game continuam do ponto em que o primeiro parou. O comandante Shepard e sua equipe buscam focos de resistência dos alienígenas Geth depois de frustrar os planos de seu mentor, o vilão Saren, que desejava destruir a Citadel, uma espécie de estação espacial que reúne diplomatas de várias raças do universo. Os motivos de Saren eram ainda mais sinistros, mas antes que pudesse ir mais adiante em suas investigações, Shepard cai vítima de uma brutal emboscada.

Depois de várias surpresas que ocorrem logo no início desta segunda aventura, o herói se vê em uma situação complicada, associado ao grupo Cerberus, um movimento extremista que é acusado de ações terroristas, muito bem financiado por um sujeito misterioso conhecido apenas como Illusive Man. Sua missão de descobrir a verdade a respeito do ataque à Citadel continua, mas como suas novas alianças não são bem vistas, o soldado é obrigado a recomeçar do zero e montar uma nova equipe.

Fãs do jogo original não devem lamentar o reinício de Shepard. "Mass Effect 2" traz um recurso genial que importa os dados salvos do primeiro game. Assim, escolhas decisivas, dinheiro e experiência do personagem são herdadas de uma maneira muito interessante. O destino de alguns coadjuvantes é conhecido de acordo com o que foi decidido no primeiro "Mass Effect", assim como o rumo de algumas conversas, a reputação do herói e o retorno de velhos conhecidos. Mesmo com a importação do save, é bom lembrar, ainda é possível alterar algumas características de Shepard, em especial sua classe de especialização, em um recurso bem explicado pelo roteiro.

Decidindo os rumos da história
Naturalmente é possível criar um personagem do zero para a nova aventura e seguir normalmente a partir de uma pequena recapitulação, mas evidentemente que o jogo foi feito com os fãs do primeiro em mente. "Mass Effect 2" é o tipo de jogo que se importa mais com seus personagens do que com o rumo de sua história, assim, muitas revelações e surpresas perdem peso se o jogador não conhece algumas figuras importantes da mitologia. Aliás, conhecer o histórico e objetivos de cada um dos membros do time de Shepard é o que torna o enredo tão absorvente e cativante, graças a um excelente trabalho de construção.

Simplificar para melhorar

Por falar em construção, a estrutura mecânica de "Mass Effect" sofreu grandes reformas para se tornar mais eficaz. Saem de cenas as longas cenas em elevadores que serviam para mascarar o carregamento de cenários, a infinidade de itens inúteis e as longas jornadas com o tanque Mako por planetas desertos e enfadonhos.

"Mass Effect 2" simplifica muitos dos excessos do original para se focar no que interessa. As árvores de talentos, por exemplo, são menores e algumas habilidades limadas na realidade são adquiridas indiretamente ou mescladas a outras. As armas, armaduras a até a nave Normandy agora ganham mais poder de fogo graças a upgrades que podem ser comprados em lojas ou encontrados durante a ação. O sistema de munição também foi reformulado e agora, em vez de esquentarem, os armamentos contam com cartuchos de reposição que devem ser recolhidos no campo de batalha.

Para adquirir os materiais necessários no desenvolvimento de upgrades ainda é preciso explorar planetas desconhecidos, mas o esquema mudou radicalmente. Além de finalmente poder controlar sua nave pelo mapa (e ter a preocupação de abastecê-la), não é mais preciso anotar quais planetas já foram visitados, pois o game assinala o nível de progresso na tela.

Desenvolva habilidades de combate
Agora sua nave exibe um sensor sobre o planeta escolhido e o jogador precisa ativar um scanner de superfície para varrer o lugar em busca de minérios raros. É um jeito bem mais divertido de captar recursos do que andar sem rumo com o desajeitado veículo do game anterior. Em outra mudança de mecânica importante, as ações de hackear computadores ou abrir cofres também mudaram e, de simples repetições de sequências de botões, se tornaram minigames de verdade, bem mais interessantes.

A apresentação de "Mass Effect 2" mostra um grande salto de qualidade em relação ao primeiro exemplar. Os cenários são mais complexos e melhor preenchidos, algo distante dos grandes espaços vazios de antes. As animações dos personagens também estão mais ricas, principalmente as de Shepard, que acaba se tornando mais carismático. No entanto, o que mais importa é a melhoria no motor gráfico, que se mostra mais leve e exibe bem menos problemas na taxa de animação e carregamento de texturas.

O áudio do jogo também é sensacional. Primeiro vem a trilha sonora inspirada em clássicos filmes de ficção como "Blade Runner - O Caçador de Andróides", com forte uso de sintetizadores. As vozes também são de primeira linha, com a presença de atores como Martin Sheen (de "Apocalypse Now" e da série "The West Wing"), Carrie Ann-Moss ("Matrix"), Tricia Helfer (do seriado "Battlestar Galactica") e Michael Dorn (de "Jornada nas Estrelas: A Nova Geração").

Nota: 10 (Imperdível)

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