PUBLICIDADE

Topo

Tony Hawk's Proving Ground

09/11/2007 17h30

Depois de "Tony Hawk's Pro Skater", seminal jogo lançado para o PSOne em 1999, os games de esportes radicais nunca mais foram os mesmos. Mas, depois de quase dez anos de hegemonia na área, a franquia finalmente ganhou um concorrente de peso - "Skate", da Electronic Arts - e se não mudar radicalmente no ano que vem, poderá perder definitivamente a coroa de rei dos esportes extremos.

Enquanto isso, "Proving Ground" vai seguindo a mesma receita, com apenas algumas mudanças pontuais. Não há dúvida que é uma fórmula vencedora e que ainda funciona, mas também se percebe que o estilo está mostrando peso da idade, afinal já faz nove anos que a série teve início.

De volta às ruas

Nono título da franquia, os cenários de "Tony Hawk's Proving Ground" são baseados em algumas das mais famosas cidades da costa leste norte-americana, como Baltimore, Filadélfia e a capital Washington DC. Como nos games anteriores, tudo começa com a montagem do seu personagem, com um editor robusto que permite uma ampla gama de personagens. Mas, quem não quiser perder tempo pode usar a opção de montagem aleatória e pôr logo os pés na tábua com rodinhas.

Agora, o seu skatista está nas ruas, e o primeiro objetivo é aprender o básico ao falar com alguns personagens. O tutorial é até amigável, mas o ritmo é rápido demais, então, soa mais como uma recapitulação para quem já conhece o game do que propriamente uma explicação para novatos. Aliás, o game está longe de ser casual; é apenas para quem já possui alguma experiência com videogames.

Os controles são praticamente iguais aos antecessores. O botão de pulo serve para "decolar" das rampas e quarter-pipes e, enquanto estiver no ar, é possível fazer manobras como os flips (de girar o skate), os grabs (de segurar a tábua) ou os rolls (como um salto mortal). Faz parte do repertório os grinds (deslizar em canaletas, por exemplo) e os manuals (que consiste em andar com apenas as rodas da frente ou de trás).

Novos e velhos truques

Já nos primeiros momentos, um novo movimento é apresentado, o aggro kick, que consiste em usar a perna para dar mais impulso. Para isso deve se apertar o botão de forma ritmada. Nessa hora, faz falta a funcionalidade de vibração no controle do PlayStation 3, pois o "rumble" ajuda a orientar a hora de apertar o botão. Com isso, pode-se ganhar mais velocidade em locais planos, e isso será necessário para explorar novos caminhos.

Muitos dos novos recursos vão sendo liberados apenas na medida em que se avança pelo roteiro. Por exemplo, o "nail the trick" foi ampliado. Essa funcionalidade apareceu em "Project 8", e servia para fazer flips usando os direcionais, focalizando os pés do atleta em câmera lenta. Agora, o sistema também foi estendido para os grabs e manuals. Não é nenhuma adição inovadora, mas representam mais opções para fazer as manobras.

Agora, também é possível colocar a retirar objetos dos cenários. Assim, o usuário pode criar novos pontos para fazer manobras. Pode ser uma boa notícia para quem gosta de editar - a ferramenta, porém, não é muito funcional -, mas um tormento para outros. Esses vão detestar ler que um dos arcos de história praticamente depende desse recurso. O jogador também tem um espaço próprio para montar sua pista de skate, cujas peças vão sendo acrescentadas com a evolução dentro do jogo. É como se fosse um "create-a-park" dentro do modo de campanha.

Descobrindo a cidade

As atividades estão espalhadas por todo o mapa. Ícones indicam o tipo de tarefa a ser feita, que pode consistir em fazer manobras numa trajetória determinada, tirar fotos ou fazer vídeos, entre outros. Essas atividades vão destrancando diversos elementos, além de serem parte das conquistas no Xbox 360. Mas algumas coisas não funcionam plenamente, como é o caso das missões de fotos, em que o jogador é obrigado a fazer as manobras e registrar a imagem ao mesmo tempo.

Mas o enredo só avança ao falar com determinados personagens. Na verdade, são três "carreiras" a seguir, mas existe a liberdade de passar de uma para outra a qualquer momento. Nessa trajetória, o jogador interage com alguns nomes famosos do mundo das rodinhas, como Mike Vallery, Bam Margera, o brasileiro Bob Burnquist, e, claro, o próprio Tony Hawk. Só que agora, é preciso se encontrar com os personagens e falar com eles "pessoalmente", se guiando por uma seta no mapa. Antes, havia a prática opção de fazer isso pelo menu.

Skatistas, reuni-vos!

O multiplayer online retorna ao PlayStation 3 - por muito tempo, esse recurso se fez presente somente nas versões para PlayStation 2 e, na atual geração, a situação se inverteu, pois, somente o Xbox 360 teve a modalidade. Assim, ambas as plataformas são praticamente idênticas em funcionalidade (a maior diferença está no sistema de conquista do console da Microsoft). O multiplayer é interessante, e pode render boas horas de diversão. No caso do modo "graffiti", o entretenimento fica condicionado ao bom senso em escolher um tamanho de mapa apropriado ao número de participantes.

O visual não impressiona e não é muito diferente dos antecessores. Numa época em que já existe títulos como "Gears of War", "BioShock" e "Call of Duty 4", os gráficos de "Proving Ground" parecem ultrapassados, quadrados, como se fosse uma versão em alta resolução de um game para PlayStation 2. Os personagens foram construídos decentemente, mas aqueles baseados em pessoas reais ficaram estranhos dentro do game. Mas "Tony Hawk" não está sozinho com esse problema.

A trilha sonora continua mesclando rock pesado com hip hops nervosos, e já está mais que comprovado que esse tipo de som é ideal num jogo de esporte radical como esse. A seleção parece até mais furiosa que antes. Os efeitos sonoros são competentes, mas parecem ter sido reciclados dos títulos anteriores. É louvável que a Neversoft preze a autenticidade (os famosos interpretam a si mesmo no jogo), mas, como dubladores, eles são ótimos skatistas. O destaque vai para Mike Vallery, que consegue manter a naturalidade.

Nota: 6 (Razoável)