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'Armação Ilimitada': O triângulo amoroso que não chocava o brasileiro

Mais Oi, Sumido
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De Splash, em São Paulo

23/12/2020 11h00

Dois jovens amigos, surfistas, querendo curtir a vida no final da década de 1980, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Esse poderia ser um resumo da trama de 'Armação Ilimitada', que durante 4 anos foi um grande sucesso da TV Globo. Mas é também a história real da amizade de Kadu Moliterno e André de Biase, respectivamente, o Juba e Lula.

Os dois surfistas sempre se encontravam pegando onda e conversavam sobre fazer algum trabalho juntos. Em 1984, eles já tinham sido colegas na novela "Partido Alto", mas queriam mais.

E, entre uma onda e outra, escreveram o projeto para apresentar à Globo.

O seriado, que começou agradando os mais jovens - e depois chamou a atenção dos pais deles - foi o tema deste episódio de "Oi, Sumido". Os atores conversaram com o editor do Splash, Osmar Portilho, e o colunista de cinema Roberto Sadovski.

A semelhança entre a ideia inicial de "Armação Ilimitada" e a vida real dos amigos fez o diretor Daniel Filho sacanear os dois atores e, de quebra, lançar o nome do programa. Depois de uma reunião de mais de 2 horas, Kadu lembra do diretor dizendo: "'Saquei! Esse programa é uma armação. Porque esses dois querem ir toda hora pro Havaí, eles não querem saber de gravar, eles querem pegar onda no Havaí! Isso aqui é uma armação ilimitada'". Todos gostaram e o martelo foi batido.

O programa estreou em 17 de maio de 1985 e ficou no ar até 08 de dezembro de 1988, exibido às sextas-feiras, 21h20, num Brasil recém-saído da ditadura militar. A teledramaturgia buscava ousadia nos formatos e foi isso que a equipe montada por Daniel Filho e que teve direção-geral de Guel Arraes conseguiu.

No seriado, a Armação Ilimitada é uma empresa de prestação de serviços dos sócios Juba e Lula em que eles fazem de tudo: de competições esportivas a cenas arriscadas como dublês, do conserto de um toca-discos até a redação de um discurso para o presidente da República. Amigos de infância, eles viviam um triângulo amoroso com a jornalista Zelda Scott (Andréa Beltrão).

Se você não fez as contas, a gente ajuda: o programa estreou há 35 anos - e acabou há 32. Quando foi ao ar o primeiro episódio, a atual Ministra da Família e Direitos Humanos, Damares Alves - para quem "meninas vestem rosa e meninos vestem azul" -, hoje com 56 anos, tinha 21. "Esse 'ménage à trois' de Zelda, Juba e Lula hoje seria até mais contestado", opina André. "Acho que a inocência da gente, a forma que a gente tratava desse assunto sem pesar esse contexto fluiu de uma forma tão natural que todo mundo aceitou", relembra.

O sucesso foi tanto que, mesmo 3 décadas depois do fim, Kadu Moliterno diz que ainda é reconhecido nas ruas pelo personagem. "Na verdade, a maior frase que eu escuto é: 'você era o Juba ou era o Lula?' Porque os dois eram um espírito só e esse espírito fica pra sempre, como é até hoje". André concorda: "A gente era uma família e eu acho que o público se apaixonou por essa família".