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A rainha das coreôs

Beatriz Amendola

De Splash, em São Paulo

Dançar é um ótimo remédio contra o baixo-astral. Isa Zendron que o diga.

Criadora da Boate Class, a professora de dança de 32 anos superou o puxão de tapete que foi a pandemia e vem arrasando com aulas on-line que não têm nada de caretice e são praticamente uma terapia.

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Splash acompanhou algumas aulas de Isa (spoiler: são divertidíssimas) e ainda bateu um papo com ela, que hoje é acompanhada no Instagram por mais de 27 mil "boateiros", 15 vezes mais do que tinha um ano atrás.

Um arraso, né?

A paixão da dança

A relação de Isa com a dança vem de longe. Desde cedo, ela gostava de imitar as coreografias dos clipes de Michael Jackson e Britney Spears, dois ícones do pop.

Mas seu foco, dos 5 aos 16 anos, foi a ginástica rítmica. "Eu gostava do ritmo, eu gostava muito da ginástica, mas eu saí meio traumatizada com o excesso de treino e de regras." Só depois é que ela mergulhou de vez na dança: fez dança de rua, videodance e alguns cursos em Nova York, lá em 2007.

Isa Zendron - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Tudo isso acabou ficando um pouco de lado quando Isa foi fazer faculdade de moda, área em que ela trabalhou por oito anos. "Dei uma abandonada na minha carreira de bailarina. Era algo que eu queria fazer, mas tinha muito medo de me jogar", conta.

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Uma crise profissional e um "retornão de saturno" depois, Isa voltou a se encontrar na dança. Começou aos pouquinhos, dando aula para os amigos em um espaço em Santa Cecília, em São Paulo, e, aos poucos, foi descobrindo qual era a dança que fazia sentido para ela.

Comecei dando aula para perder peso, mas percebi que não queria as pessoas preocupadas com isso. Queria que elas dançassem com o coração mesmo, para a gente se divertir de verdade. O resto era um bônus que vinha com a movimentação do corpo.

isadora zendron - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Em 2018, Isa criou oficialmente a Boate Class —e o nome tem tudo a ver com aquilo em que ela acredita

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Eu queria que as pessoas dançassem como elas dançam na boate, sem muito medo de errar, para ser feliz.

Xô, medo!

Não é da boca para fora: Isa quer o fim daquela ideia de que, para dançar, você tem que ser perfeito. "Criaram muitas regras em relação à dança: que tem um jeito certo de dançar, que tem um corpo certo, que a gente passa vergonha se dançar do jeito considerado errado pelos outros."

Se você errar algum passinho, ela garante: está tudo bem!

Eu tinha muito medo de errar, mas faz parte do processo. Errar é tudo! Vamos errar mais, porque é errando que a gente consegue evoluir.

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Da boate para a internet

Acabou que as aulas virtuais, pelo Zoom, vêm ajudando muita gente a se livrar da vergonha —e também a abraçar a "montação" de Isa, que capricha nos looks, com muita inspiração nos anos 1980 e nas divas pop.

Olha que perfeita essa Lady Gaga:

Mas a adaptação das aulas para o on-line não foi exatamente fácil. Isa, que estava com as turmas cheias no começo do ano, levou um baque com a chegada da pandemia. Convencida por um amigo, resolveu fazer uma live no Instagram. A música escolhida foi temática: "Rythm of the Night", da Corona.

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Famosos também são fãs!

E aí veio um empurrãozinho daqueles! A atriz Fernanda Paes Leme viu a live, gostou, e falou de Isa até no "Saia Justa" (GNT).

Semanas (e mais lives) depois, foi a vez de ninguém menos do que Pabllo Vittar ficar on-line e chamar Isa de maravilhosa (e não temos como discordar).

Eu estava numa semana péssima, montando esse projeto da Boate Virtual, mas desacreditada. E aí Pabllo entrou. É um sinal da deusa me falando para continuar.

Ela continuou —e deu certo. A Boate Virtual, com aulas que podem ser compradas de forma avulsa (os preços vão de R$ 18 a R$ 24), já está em sua terceira temporada, com alunos de várias cidades do Brasil (e de fora também).

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Para o futuro pós-pandemia, Isa pensa em fazer uma tour por cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde estão muitos alunos. Mas enquanto isso não rola, ela fica feliz de ver como tem influenciado muita gente a ver a dança de um jeito diferente.

Criamos uma comunidade bem forte da gente se amar, não se julgar e gostar do nosso corpo. Ver todo esse desenvolvimento, ver que aquilo é possível, faz a gente gostar do nosso corpo. É uma válvula de libertação.

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