Naturalmente Prioli

De política a ícone fashion: "O não natural é ter que escolher uma persona para satisfazer a sociedade"

Beatriz Amendola e Mari Monts De Splash, em São Paulo Danilo Borges/Divulgação

Quando você souber quem é e o que te faz vibrar, ninguém segura. Nem na fala, nem na vida.

Gabriela Prioli, 35, diz isso como um conselho. Mas a frase se aplica —muito— bem a ela.

Mestre em direito penal, deixou o escritório para conquistar as redes sociais com vídeos em que fala com desenvoltura sobre política e o sistema judiciário. No ano passado, deu um salto ainda maior ao estrear como comentarista na CNN Brasil.

E ainda provou que conceitos políticos não precisam ser bichos de sete cabeças em uma série de lives com uma de suas melhores (e mais famosas) amigas: Anitta.

Mas Gabi não se restringe a uma caixinha só. Ela já escreveu roteiros de clipe (e um single!) para o duo JetLag, do qual faz parte seu marido, Thiago Mansur; é apaixonada por leitura; ama ouvir um pagode dos anos 1990; e é entusiasta de moda e beleza -o que já lhe rendeu contratos com marcas como Quem Disse, Berenice? e Shop2gether.

Essa multiplicidade é o que eu sou e o que sempre fui. O não natural é ter que escolher uma persona para satisfazer a sociedade porque alguém inventou que para ser séria eu preciso ser de determinada forma.

Gabi falou sobre tudo isso —e um pouco mais— em entrevista a Splash. O resultado, você confere abaixo.

Danilo Borges/Divulgação

Advogada e professora

A trajetória profissional de Gabi começou longe das câmeras. Após se formar em direito, estava em dúvida se advogava ou prestava concurso público, mas tinha uma certeza: "Dar aulas. Eu queria me comunicar com as pessoas".

Dito e feito. Ela se tornou professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie e também palestrante.

Acredito num aprendizado que se estrutura no intercâmbio de ideias. Meu jeito de ensinar é esse. A gente constrói junto o raciocínio.

Ao mesmo tempo em que dava aula, focou na carreira de advogada criminalista. Virou sócia de um escritório, o Toron, Torihara e Szafir.

E foi essa experiência que deu a Gabi uma de suas maiores ferramentas para a comunicação: a racionalidade. "Menos emoção, mais razão" virou o bordão em seus vídeos no YouTube em que discute política.

Quando começo a falar de política, vejo que há passionalidade no debate. Não estou falando que a gente não deve ter paixão, porque, afinal, a gente precisa ter a capacidade de se indignar, precisa vibrar pelas nossas convicções. Mas o que eu sentia era que a gente estava tão tomado pelo emocional que não tinha espaço para o racional.

A vontade de "estourar" sua bolha de convivência e falar para mais gente surgiu durante suas palestras. Decidiu, então, deixar sua conta no Instagram pública para dialogar com mais seguidores. E foi aí que surgiu um grande convite: participar do programa "O Grande Debate", na CNN.

Emenda? CPI? Gabi explica!

Danilo Borges/Divulgação

Conselhos de Anitta

Como acontece com muita gente no primeiro dia de trabalho, o nervosismo tomou conta de Gabi. Afinal, o programa era ao vivo e quem nunca deu aquela respirada profunda para conseguir seguir em frente? Lidar com as câmeras realmente não é fácil.

"Era superameaçador o ambiente. Demorei muito para me sentir confortável no estúdio. Isso aconteceu só no 'CNN Tonight'", conta, referindo-se ao programa que atualmente apresenta ao lado de Mari Palma e Leandro Karnal.

A preocupação de Gabi era uma só: conseguir passar sua mensagem de forma clara.

"Tem gente que usa TP no debate, eu não uso", afirma. TP é sigla de teleprompter, equipamento que exibe o texto a ser lido pelo apresentador. "Eu falo de uma vez. E sai tudo. Estudo bastante e, quando acaba o programa, vem aquela sensação de 'graças a Deus não gaguejei, não deu um branco ali'".

Mas o que quase ninguém sabe é que, antes de sua estreia na TV, Gabriela recebeu uma dica valiosa de uma amiga bastante acostumada às câmeras e ao público: a cantora Anitta.

Ela me falou que toda vez que fica nervosa imagina ser outra pessoa e que aí o nervosismo passa. 'Penso que sou a Rihanna, a Beyoncé.' Então, quando fui fazer TV, imaginei que era a Anitta.

O conselho e o primeiro encontro com Anittta

Reprodução/Instagram

Amor e amizades do pop

Não dá para falar da amizade de Gabi com Anitta sem falar de Thiago Mansur, marido da apresentadora há quatro anos. Foi ela quem puxou papo, depois de vê-lo na academia e de saber mais sobre ele por meio de amigos que haviam ido a um show do DJ.

"Falei: 'Tudo bem? Você é DJ?'. Duas semanas depois ele estava morando comigo. Sou uma pessoa muito convincente, boa de debate", brinca. Thiago se mostrou um "parceiraço", segundo ela, e foi grande incentivador em sua mudança de carreira.

Ele estava lá, todo dia, falando: 'Faça o que você quiser, te ajudo'. E é assim até hoje, com tudo de que preciso.

O inverso também é verdade, e Gabi acompanha muito de perto a carreira do marido. Ela escreveu roteiros para clipes do JetLag, compôs uma música (a nova "Coletivo"), ficou encarregada de figurinos dos shows e até já subiu no palco do Lollapalooza vestida como um dos ladrões de "La Casa de Papel". "Eu falo que ainda vou cantar uma música do Thiago, vocês que me aguardem."

Dos bastidores dos shows nasceu a amizade com Anitta —que é "absolutamente normal". Em tempos pré-pandemia, Gabi chegou a viajar de São Paulo para o Rio para curtir balada com a cantora. "Eu gosto de dançar, mas não aquela dança certinha. Gosto daquela dança desengonçada."

Anitta também já deu uma ajudinha para a Gabi fã de pagode. Ela pediu a Dilsinho que cantasse para a amiga e apresentou a ela Luiz Carlos, do Raça Negra. "A gente foi almoçar com ele, e eu super fingindo costume", diverte-se.

E nas horas vagas...

O que faz quando está longe das câmeras?

Danilo Borges/Divulgação

Leitura

Gosta tanto de ler que deu início a um Clube do Livro em parceria com o colega de CNN Leandro Karnal. Um de seus favoritos é "Guerra e Paz", de Tolstói.

Reprodução/Instagram

Família

Gabi ama passar tempo com a família, embora tenha feito ajustes nos encontros por conta da pandemia. "Eu falo com a minha mãe por vídeo todo dia", conta.

Reprodução/Instagram

Bolt

Passear com o cachorro que ela e Thiago adotaram no início do ano (e que já tem 25 mil seguidores em seu próprio Instagram) também entra na lista.

Divulgação

Shows de pagode

"Já falei que, quando a pandemia acabar, vou virar a pessoa que vai a todo show e leva a galera junto, porque estou com saudade."

Danilo Borges/Absolut Mag Danilo Borges/Absolut Mag

Sapato de oncinha na CNN? Pode!

Gabi também não esconde sua paixão por moda e beleza —mesmo que, para alguns, isso possa conflitar com sua carreira no direito e na comunicação. "Faz parte de uma visão muito antiga de compartimentalização das existências, de que você pode ser uma coisa só", diz.

A apresentadora chegou a ouvir de uma figurinista que não poderia usar seus saltos de oncinha na CNN. "Falei: 'Ah é? Segura aqui a minha água'", brinca. "O sapato que eu uso, o que eu visto, o brinco que eu coloco, isso não interfere em nada do que eu estou falando", completa ela, que recentemente fez um ensaio fashionista para a ABSOLUTMAG, da qual a foto acima faz parte.

Eu sempre fiz muita questão, na advocacia ou na comunicação, de me colocar da maneira que eu sou. Sou uma pessoa que gosta de estudar e de se aprofundar nos temas, que tem muita responsabilidade por aquilo que fala e que escreve. E que, paralelamente a isso, gosta de passar um delineador azul.

E se Gabi é tão segura de si e de suas escolhas, é porque ela teve inspirações em sua própria família. Sua bisavó era professora; sua avó, cantora lírica. Sua mãe, Marta, ficou viúva aos 32 anos e não só batalhou pela própria autonomia, como também criou os filhos respeitando suas liberdades.

"Essa liberdade que eu tenho de existir de maneira muito genuína foi garantida por uma postura muito devotada da minha mãe, que me permitiu viver essa intensidade toda", conta.

Divulgação

Objetivo: acolher ideias diferentes

Gabriela está sempre pensando em novos projetos. E, em abril deste ano, lançou um quadro em seu canal do YouTube, o GPS Político, em que entrevista lideranças da política. Já estão no ar as conversas com Guilherme Boulos, Rodrigo Maia e Fernando Haddad. Mas ela adianta que Kim Kataguiri, Flávio Dino e Eduardo Leite também participarão.

A apresentadora e advogada criou o quadro porque sentia falta de espaços que acolhessem pessoas com ideias diversas.

A gente está nesse cenário de polarização e não consegue perceber que há esses pontos de convergência. E, sem perceber, fica com essa sensação de que não vai ser possível sair do buraco, de que a gente não vai encontrar um caminho em comum, construir uma alternativa democrática a partir do diálogo.

Gabriela diz que recebe mensagens de pessoas cobrando que ela se posicione diante dos entrevistados, mas afirma que esse não é o objetivo. "A ideia é que esses líderes políticos possam passar suas visões."

Gabi é uma mulher de comunicação clara, dona de uma voz que passa segurança e credibilidade. Muita gente quer saber qual é a sua opinião sobre determinados assuntos.

Mas ela se nega a falar sobre tudo. Por mais inacreditável que possa parecer, ela garante: "Não tenho opinião formada sobre tudo".

Confira a íntegra da entrevista com Gabriela Prioli

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