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Celebridades da música britânica acusam Brexit de inviabilizar turnês

Elton John é um dos críticos do Brexit - Reprodução/Instagram
Elton John é um dos críticos do Brexit Imagem: Reprodução/Instagram

Vivian Oswald

Da RFI, em Londres

20/01/2021 15h58

Do clássico ao pop rock, do punk ao heavy metal, mais de 100 estrelas da música britânica, em uníssono, protestaram contra o impacto negativo que o acordo do Brexit terá sobre o futuro da produção cultural no Reino Unido. Em carta aberta, publicada nesta quarta-feira (20) no Times, celebridades consagradas como Elton John, Sting, o ex-guitarrista do Queen, Brian May, e o regente Simon Rattle afirmam que, se Londres e Bruxelas não encontrarem uma maneira de isentar o setor da nova (e custosa) burocracia pós-divórcio, "as turnês podem se tornar inviáveis, especialmente para jovens músicos.

A carta, subscrita ainda pelos integrantes do Iron Maden, The Who e Sex Pistols, acusa o governo de ter abandonado "vergonhosamente" os artistas do país. Após o Brexit, nacionais europeus e britânicos estão isentos de visto somente se estiverem viajando a turismo. Para quem vai trabalhar ou prestar serviços, os trâmites são outros, como já acontece com pessoas vindas de terceiros países.

O acordo sobre os "passaportes de músicos" é necessário para garantir entradas e saídas, não apenas de artistas, como também dos produtores de eventos, com seus respetivos equipamentos, no Reino Unido e no continente. O setor movimenta quase R$ 42 bilhões por ano em solo britânico.

Desde 1° de janeiro, o dia em que o reino de Elizabeth II deixou a União Europeia (UE) em definitivo, artistas e suas equipes passaram a precisar de vistos distintos para diferentes países e autorizações que custam 350 libras para cada instrumento e outros equipamentos a cruzarem a fronteira. Os caminhões responsáveis pelo transporte só podem visitar três cidades, pelas regras atuais.

Troca de acusações com Bruxelas

Bruxelas acusa Londres de não aceitar a proposta europeia para desatar o nó e diz que os britânicos "não têm a mesma ambição" para tratar de mobilidade dos cidadãos. O Reino Unido, por sua vez, acusa a UE de não aceitar os seus termos, nem de incluir as equipes dos artistas nas turnês.

Para muitos profissionais da cena musical britânica, os palcos europeus sempre serviram de trampolim para o sucesso de suas carreiras. Todos os grandes nomes tinham sempre as agendas lotadas de shows ou concertos em países da UE. "Insistimos que o governo cumpra o que prometeu e negocie a isenção de documentos para as viagens de artistas britânicos e seus equipamentos (para a UE). Pelo bem dos fãs britânicos que querem assistir a performances de europeus no Reino Unido e dos espaços britânicos que querem recebê-los, o acordo precisa ser recíproco", diz o texto da carta.

Enquanto a pandemia do novo coronavírus mantém boa parte da Europa em confinamento, o setor vai levando a nova realidade como pode, sobretudo a partir de livestreams. A nova burocracia, além de cara, pode inviabilizar a retomada rápida das agendas no momento em que a vida voltar minimamente ao normal.

O livre trânsito de trabalhadores entre as fronteiras sempre foi uma questão importante para o Reino Unido, e um dos principais motivos que levaram o país a optar por deixar a UE. O problema é que as implicações das novas restrições valem para os dois lados.