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Ricardo Feltrin

Ibope de bolsonaristas 'de carteirinha' vai mal na TV aberta

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

10/05/2022 00h09

Embora a presença de bolsonaristas nas redes sociais "pareça" ostensiva, na TV aberta eles parecem bem ausentes.

A "bolha bolsonarista" até posta elogios aos apresentadores televisivos que comungam com suas preferências políticas aqui e ali, mas, assistir mesmo, prestigiar os programas, que é o mais importante, não.

A coluna separou quatro dos maiores bolsonaristas da TV brasileira e analisou a performance e o ibope de cada um: Ratinho, do SBT, e o trio Sikêra Jr., Luís Ernesto Lacombe e Marcelo de Carvalho, da RedeTV.

Comecemos com o mais relevante e experiente:

Ratinho

Como esta coluna publicou com exclusividade no ano passado, os tempos de glória de Ratinho, quando destroçava a Record na audiência e só perdia para a Globo, se foram.

Quando chegou ao SBT, quase 21 anos atrás, ele conseguia dar até 20 pontos de audiência —um fenômeno.

Foi caindo, mas a ladeira abaixo começou por volta de 2019; e se agravou na pandemia.

Antigamente, o "Programa do Ratinho" era sempre notícia, seus entrevistados davam certa repercussão, ou a atração lançava polêmicas e brincadeiras. Hoje, nem mesmo isso.

Sikêra Jr.

Outro bolsonarista — talvez o mais empedernido na TV aberta — é Sikêra Jr., da RedeTV.

Sikêra surgiu no Nordeste e, em São Paulo, virou rapidamente um apresentador que podia de fato ser considerado um fenômeno, como esta coluna chegou a analisar.

Para os modestos padrões da emissora, Sikêra elevou o ibope da RedeTV.

Com o tempo, porém, ele começou a despejar asneiras no ar, lançar falas homofóbicas; forçou polêmicas, tomou processos e processou também. Boquirroto, murchou no ibope a olhos vistos.

Luis Ernesto Lacombe

Esse bolsonarista "graduado" planejou um programa "conservador", com pautas e convidados que comungam da ideologia (sic) de Jair Bolsonaro (PL). Achou que ia "abafar", mas se deu mal.

Durante meses o "Opinião no Ar" não saiu do mais miserável e imensurável "traço" de ibope.

Chegou mesmo a dar zero. Zerinho. Nenhum equipamento de ibope podia identificar telespectadores assistindo àquilo.

Seus (poucos) defensores ainda argumentavam: "Ainnn, mas o programa bombava no YouTube".

Os números desmentem. Nem os bolsonaristas mais arraigados prestigiaram. O programa acabou sendo limado da programação. Pior: muita gente nem notou.

Marcelo de Carvalho

Outro apresentador que, anos atrás, tinha um dos programas mais vistos da RedeTV.

Seu "Mega Senha" chegou a dar 3 pontos de média em um horário esquisito (final de noite sábado). Carvalho não só carrega hoje a bandeira (e o megafone) do bolsonarismo, mas também do "antiglobismo".

O executivo e apresentador passa mais tempo nas redes sociais elogiando o governo e atacando a emissora líder, do que parece preocupado com a programação instável de sua TV sem ibope.

Os 3 pontos de audiência do passado do "Mega Senha" se foram. Provavelmente, para sempre.

Resumindo: a vida dos apresentadores bolsonaristas não está fácil na TV aberta.

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