PUBLICIDADE
Topo

Ricardo Feltrin

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Novas TVs de Bolsonaro vão custar R$ 25 milhões só este ano

Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, em evento no Planalto - Getty Images
Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, em evento no Planalto Imagem: Getty Images
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

06/04/2022 00h09

Os dois novos canais de TV públicos do governo de Jair Bolsonaro devem estrear no próximo mês (previsão).

O canal Educação e a TV Libras (dedicada a deficientes auditivos) se juntam aos outros dois canais ligados ao Planalto: TV Brasil 1 e 2. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu que fecharia a TV Brasil por ser um "cabide de empregos" da esquerda.

Além de não cumprir a promessa, ele fez exatamente o mesmo que acusava o PT: aparelhou as emissoras com apadrinhados e apoiadores.

As emissoras terão o comando do MEC (Ministério da Educação), mas quem fará a gestão é a EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

O contrato (nº 27/2021), enviado pela assessoria do MEC a esta coluna, mostra que ele foi assinado em outubro do ano passado. Tem validade de um ano, renováveis (ou não) por até 5.

O primeiro ano do acordo (que começou em outubro do ano passado, diga-se) prevê gastos de R$ 25.375.114,65.

Desse montante, são R$ 12.215.305,90 de valor fixo, e R$ 13.159.808,75 por demanda (produção de conteúdo).

Essa é a previsão de gastos somente no primeiro ano de contrato, mas, como dito acima, esse "ano" já termina em outubro próximo, quando haverá uma nova renovação.

Seis por meia-dúzia mais cara

Curiosamente esses dois canais já existiam no início do governo Bolsonaro —a excelente TV Escola e a TV Ines.

Só que o ex-ministro Abraham Weintraub, em uma decisão que feria contrato com a fundação Roquette Pinto, rescindiu unilateralmente os contratos (que na ocasião não chegavam a R$ 14 milhões).

Ou seja, o governo Bolsonaro vai pagar quase o dobro por canais que já existiam e cumpriam sua função.

Mais "curioso": para montar a TV Libras, o governo recontratou toda a equipe que já fazia a TV Ines.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops