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Ricardo Feltrin

Globo cai: "Fantástico" fecha ano com o menor ibope desde 1973

Maju Coutinho ao lado de Poliana Abritta no "Fantástico" - Reprodução/TV Globo
Maju Coutinho ao lado de Poliana Abritta no "Fantástico" Imagem: Reprodução/TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

22/12/2021 00h09

Não é só o "Jornal Nacional" que está perdendo público e teve sua mais baixa média de ibope em 2021. O "Fantástico" vai pelo mesmo caminho.

Lançado no dia 5 de agosto de 1973, como "Fantástico: O Show da Vida", ele jamais perdeu a liderança de audiência em 48 anos no ar. E, neste ano, não vai ser diferente. Continua líder isolado.

O problema é que sua média de ibope em 2021 atingiu seu ponto historicamente mais baixo desde a estreia. Enfim, líder, mas cada vez com uma folga menor do que havia no ano anterior.

Levantamento baseado em dados nacionais consolidados, medidos pela Kantar Media (e obtidos pela coluna com exclusividade), mostram que a revista dominical da Globo vai terminar o ano com média de 18,4 pontos e 30% de "share".

Em pontos, isso representa um décimo a menos do que o obtido no ano passado —até então o pior da história.

Sim, ainda falta uma edição, mas ela não pode mais alterar de forma significativa o resultado. Além disso dezembro é historicamente o mês com menores audiências (para todo mundo), pois há menos aparelhos de TV ligados.

Existe possibilidade matemática? Sim, como em qualquer fenômeno mensurável. Mas, as chances são remotas até de igualar o pior resultado até então, que foi o do ano passado.

Cada ponto de ibope na média do país vale por cerca de 268,5 mil domicílios.

Como comparação, o "Domingo Espetacular" hoje já tem cerca de metade da audiência e do "share" do "Fantástico" no país (14,1% e 8,4 pontos).

Vinte anos atrás, no início do século, o "Fantástico" marcava 30,1 pontos no PNT (Painel Nacional de Televisão) e 47,1% de "share" (ou seja, quase metade das TVs ligadas no Brasil sintonizava o dominical da Globo). Hoje são 30% delas.

Nesse mesmo ano (2001), a Record nesse horário marcava 5,4 pontos e 8,4% de "share".

Grande São Paulo também

Na Grande São Paulo, principal mercado e "bússola" para a publicidade nacional, o programa também teve os piores resultados de sua jornada em quase cinco décadas.

Termina o ano com 20,1 pontos e 31,4% de "share" —também um décimo de ponto a menos que no ano passado—, e contra impressionantes 34,3 pontos e 49,2% de "share" que registrava em 2001. Ou seja, em São Paulo também a atração era sintonizada por quase metade das TVs ligadas (49,2%) vinte anos atrás.

Cada ponto em São Paulo vale por cerca de 76,5 mil domicílios.

Veja ano a ano a audiência do Fantástico desde 2001

Ano, pontos e share

2001 - 30,1 pontos e 47,1%

2002 - 33,2 pontos e 53,9%

2003 - 35,6 e 57,8%

2004 - 34,8 e 56,6%

2005 - 32,6 e 51,3%

2006 - 30,8 e 49,2%

2007 - 27,7 e 45,6%

2008 - 26,6 e 43,0%

2009 - 24,6 e 40,1%

2010 - 23,1 e 38,8%

2011 - 22,3 e 37,8%

2012 - 22,2 e 38,9%

2013 - 20,5 e 35,9%

2014 - 19,9 e 34,2%

2015 - 20,2 e 34,3%

2016 - 21,1 e 34,1%

2017 - 21,8 e 35,3%

2018 - 21,8 e 35,7%

2019 - 19,4 e 32,4%

2020 - 18,5 e 30%

2021* - 18,4 e 30,9%

Fonte: Dados da Kantar Ibope obtidos pela coluna por terceiros; por contrato, a Kantar não pode divulgá-los à imprensa

*2021 até 19/12

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