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Ricardo Feltrin

Cancelamento de streaming cresce 20% no mundo, diz estudo

Pirataria já atinge os serviços de streaming frontalmente - Canaltech
Pirataria já atinge os serviços de streaming frontalmente Imagem: Canaltech
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

10/06/2021 12h06

O excesso de oferta de serviços de streaming somado à velha "pirataria" já está passando de dor de cabeça intermitente a uma enorme enxaqueca para os provedores desses serviços. Assim como já o é para a TV por assinatura.

Relatório intitulado "Video Churn Today: Trends, Changes and Outlook 2021", da Interpret, estimou que as assinaturas de streaming aumentaram 14% no segundo semestre do ano passado, mas ao mesmo tempo a taxa de cancelamento subiu de 15% para 20%.

Segundo o estudo, apenas 20% dos usuários estão, digamos, felizes com seus provedores atuais -sejam eles quais forem. Há uma grande "rotatividade" de assinaturas.

As pessoas experimentam um serviço por pouco tempo e, se não ficam satisfeitas, cancelam a assinatura rapidamente e partem para outro. O excesso de oferta e preços ainda não astronômicos das mensalidades abre essa possibilidade.

E mais: 13% dos pesquisados afirmaram cancelar um serviço depois de assistir a uma série selecionada. Eis um motivo provável que fez a maioria dos serviços acabar com a "isca" dos "30 dias de serviço grátis".

Embora o Brasil não esteja discriminado no estudo, o comportamento do telespectador parece ser idêntico em todo o mundo.

A pesquisa mostrou ainda um resultado já apontado pela Kantar Ibope Media em outra pesquisa divulgada este ano: apenas uma minoria dos assinantes repudia com veemência anúncios e publicidade nos serviços de streaming.

Em tempos de crise e desemprego, as pessoas estão muito mais preocupadas é com o preço das mensalidades.

Pirataria, a grande vilã

O outro problema que as plataformas de streaming certamente estão enfrentando para a fuga de assinantes é a velha "nêmesis" da TV por assinatura (e as gravadoras): a pirataria.

A proliferação das chamadas TV Box e demais aplicativos destinados a furtar sinais de IPTV e copiar conteúdo alheio também já se tornou um problema crônico para o streaming.

O comportamento do usuário de pirataria de streaming reforça a hipocrisia do argumento normalmente usado por essas pessoas (usuárias) para a atitude ilegal que tomam contra as TVs por assinatura.

Exemplo: "Ainnn se as operadoras não cobrassem tanto pelos pacotes ninguém faria pirataria".

Pois o preço de um pacote de streaming chega a ser até 10 vezes menor que um de TV paga. E ainda assim o público de conteúdo captado ilegalmente continua a crescer.

No Brasil, o número de usuários de TV paga por pirataria chega hoje a 33 milhões de pessoas, contra menos de 44 milhões de usuários oficiais.

Somente em abril a TV paga no Brasil perdeu mais de 156 mil assinantes. Desde dezembro foram mais de 600 mil.

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