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Ricardo Feltrin

Análise: No período mais triste do Brasil, humor "some" da Globo

Marcelo Adnet virou meio que "carne de vaca" no humor da Globo: está em todas - Reprodução / TV Globo
Marcelo Adnet virou meio que "carne de vaca" no humor da Globo: está em todas Imagem: Reprodução / TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

02/05/2021 00h18

Nunca nos mais de 56 anos de história da Globo o humor esteve tão em baixa na emissora.

Basta uma checagem no "Memória Globo", acervo histórico do canal, para confirmar essa afirmativa.

Desde sua fundação, segundo esta coluna apurou, jamais a Globo passou um semestre inteiro sem algum programa humorístico inédito —o que está acontecendo justamente agora.

Hoje há reprises semanais do "Toma Lá da Cá" (que em julho será substituído por outra reprise da "Escolinha do Professor Raimundo").

A partir da semana que vem a emissora também prevê reprisar uma temporada do "Vai que Cola". Mas, ainda assim, tudo reprises. De inédito, "nadica de nada".

Adiou

A previsão inicial era estrear este mês o humorístico inédito "Novo Normal" (maaaais uma produção com Marcelo Adnet). No entanto, essa estreia já ficou para agosto.

Se o telespectador quer humor de fato hoje na Globo talvez só consiga assistindo à "Sessão da Tarde", que tem dado preferência às comédias.

Boa parte da culpa de tudo isso, claro, pode ser atribuída à pandemia de coronavírus, mas a Globo tem retomado gravações de outras áreas, como as novelas. Também não vem restringindo gravações de reality shows. Então por que essa "restrição" ao humor?

Não deixa de ser curioso que, no período mais triste da história do país (e do mundo) nos últimos 100 anos, justamente o humor tenha sido o grande sacrificado da grade.

Pesquisa em 2019

Pode ser coincidência, mas o hiato nos humorísticos da Globo coincide com uma pesquisa qualitativa, feita em 2019, à qual esta coluna teve acesso a alguns dados.

Ao contrário do que muita gente (ainda) pensa, o caso Calabresa-Melhem não tem nada a ver com essa era humorística de vacas magras.

Antes mesmo do caso, a pesquisa já apontava, por exemplo, que parte dos telespectadores brasileiros —rachados pelo bolsonarismo— já não se identificavam mais com a "graça" dos programas da emissora. Literalmente rejeitavam seu humor.

A pergunta que fica: será que as produções da Globo voltarão a ter graça para o brasileiro? Segundo a pesquisa, para o bolsonarista, certamente não.

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