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Ricardo Feltrin

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ibope: SBT sofre fuga de público recorde e pior fase da história

Silvio Santos - Foto/Divulgação  SBT
Silvio Santos Imagem: Foto/Divulgação SBT
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

03/03/2021 06h39

Some os seguintes problemas: falta de investimentos por anos na programação; ausência de criatividade; pandemia de coronavírus e consequentes demissões e suspensões de programas; grade passa a ser feita com reprises; perda de "patrimônios" como o seriado "Chaves".

O resultado já pode ser visto nos dados consolidados da Kantar Ibope Media, obtidos pela coluna: com as médias de audiência fechadas em fevereiro, o SBT tem uma fuga inédita de público e um recorde triste para ficar na memória.

Na média das 24 horas do dia, em fevereiro, o SBT marcou 10,1% de share.

Ou seja, apenas 10,1 em cada 100 aparelhos de TV no país estavam sintonizando a emissora de Silvio Santos nas 24 horas.

Nunca antes neste país...

Desde que o Ibope começou a medir audiência de TV no país (em pontos e em "share"), nunca o SBT havia registrado tão pouco "share", tão pouco público, tão poucos aparelhos de TV sintonizando-a nas 15 maiores regiões metropolitanas do Brasil (onde é feita a medição da Kantar Ibope).

Em pontos, o SBT marcou 3,76, superior apenas a dezembro (3,73 pontos). Mas, naquele mês, o "share" ainda foi de 10,5%. Um pouquiiiiiinho melhor que no mês passado.

Em pontos, contando dezembro, janeiro e fevereiro, esse é o pior trimestre no ibope da história do SBT.

Em janeiro de 2014, outro momento de crise, a emissora marcou 3,7 pontos (naquele mês o "share" foi de 11,7%).

Record é vice isolada

No ranking geral o SBT amarga uma 3ª colocação e vê a Record cada vez mais distante.

A TV da Barra Funda fechou o mês passado com 4,3 pontos de média (24 horas) e 11,5% de "share" (como sempre a Globo liderou com 12,9 pontos e 34,6% de share).

Foi o 11º mês consecutivo que a Record "espezinhou" o adversário (e parceiro de Simba) instalado no Complexo Anhanguera —isso mesmo tendo horas vendidas para a Igreja Universal na madrugada.

Por anos, o SBT conseguia abrir boa vantagem nas 24 horas graças ao fato de, durante as madrugadas, a Record "zerar" o ibope em algumas horas por causa da pregação evangélica. O SBT abria margem...

O problema é que a TV de Silvio começou a tropeçar tanto em todas as outras faixas horárias que perdeu o segundo lugar e está cada vez mais aflita.

Com exceção da madrugada, a Record venceu a rival em todas as faixas horárias.

A Record também é vice-líder na Grande São Paulo —principal mercado da publicidade— em todas as faixas horárias (exceto a madrugada).

Só parte disso tudo é culpa do SBT

É fato que a direção do SBT e Silvio têm cometido erros nos últimos anos, mas também a empresa sofrendo mais que outras TVs com problemas derivados da pandemia.

Para começar, era a TV com mais idosos em sua programação. Todos tiveram de ser afastados por segurança.

O SBT também perdeu um produto valiosíssimo no ano passado: "Chaves", que não teve o contrato renovado. E não por vontade do SBT, mas pela dos detentores dos direitos do seriado.

A emissora agora tem tentado reverter essa situação: comprou os direitos da Libertadores até 2022, está mudando sua programação matinal (hoje com desenhos que impedem faturamento publicitário) e tenta de todas as formas adquirir novos seriados e trazer até "Chaves" de volta.

Também já planeja a volta de seu principal apresentador às gravações e estuda novos formatos.

O problema é que o SBT já vinha sofrendo há muitos anos de outros males —como a falta de estabilidade em sua grade, além de um jornalismo pra lá de mambembe.

Agora é preciso correr —e muito— para evitar o pior.

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