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Opinião: Jornalismo da Record tropeça (de novo) na prisão de Crivella

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), preso nesta terça (22) Imagem: Tânia Rego / Agência Brasil
Ricardo Feltrin

Colunista do UOL

22/12/2020 13h05

No ano passado esta coluna opinou sobre alguns motivos que não permitem que o jornalismo da Record demonstre isenção e credibilidade.

O maior deles, sem dúvida, é o fato de a emissora estar umbilicalmente ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.

Por mais que invista em sua redação, em suas coberturas a Record sempre acaba "traindo" alguns pilares do jornalismo como o da isenção e o do distanciamento.

Velho hábito na Barra Funda

Isso já ocorreu na década passada quando o jornalismo da Record foi usado para atacar o jornal "Folha" com virulência por semanas a fio.

Tudo porque uma reportagem da Folha em 2007, sobre os 30 anos da igreja, mostrava a instituição também como um "império empresarial".

Isso aconteceu novamente em 2012, quando equipes de reportagem (incluindo até helicóptero) foram usadas para uma denúncia contra o pastor Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial.

Na reportagem Santiago era acusado de desviar e enriquecer com dízimos dos fiéis.

Perguntou-se à época: "Só ele?".

Santiago era dissidente da Universal e naquele momento tentava atrair fiéis da igreja de Macedo para sua.

O líder da Mundial acabou investigado por promotores e punido pela Receita Federal por causa da matéria.

Em setembro passado a coisa se repetiu, dessa vez contra a Globo

Após a Globo exibir matérias sobre investigações do Ministério Público sobre a Universal, no Rio, novamente repórteres da Record foram escalados para sair a campo e narrar fatos antigos e sem provas contra a família Marinho.

Foram dias de "matérias" cheias de ranço (para usar um termo vigente) contra a emissora rival em horário nobre.

Crivella "conduzido"

Hoje, 22 de dezembro, a situação voltou a ocorrer, mas de forma inversa.

Enquanto todas as TVs e sites do país acompanhavam a prisão de Marcelo Crivella, prefeito do Rio, bispo da Universal e sobrinho de Edir Macedo, a Record usava seu jornalismo para "dourar" a pílula.

Em todas as emissoras o título era óbvio e claro: "Marcelo Crivella é preso".

No "Fala Brasil" da Record, no entanto, a chamada para a notícia era:

"Prefeito Marcelo Crivella é conduzido para a Cidade da Polícia".

Difícil acreditar em coincidência ou simples erro de edição. Isso é a cara do jornalismo da Record, essa é a verdade.

O tratamento da Record à notícia repercutiu imediatamente em redes sociais e internautas.

A emissora foi criticada por supostamente estar tentando "passar pano" ou distorcer um fato consumado: a prisão tratada apenas como "condução".

A coluna procurou a emissora para que se manifestasse antes da publicação deste texto, mas ela se recusou a falar.

Após as críticas na internet, a emissora acabou mudando o tratamento e também passou a usar a palavra "prisão" para o que ocorreu com Crivella.

Mas, já era tarde demais. Novamente o jornalismo da RecordTV havia sido usado em interesses pouco transparentes.

Ou talvez transparentes demais.

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