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Ricardo Feltrin

"Lincham sem nem considerar a dúvida", diz Marcius Melhem

O ator, redator e humorista Marcius Melhem - Reprodução
O ator, redator e humorista Marcius Melhem Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

06/12/2020 15h12

Em nota enviada à coluna, neste domingo (06), o ator e humorista Marcius Melhem se defendeu de ataques e críticas que vem recebendo desde a denúncia de assédio moral e sexual por Dani Calabresa contra ele.

Na nota ele se refere à coluna sobre o caso, publicada aqui ontem.

A notícia a respeito da denúncia foi publicada pela primeira vez no ano passado, pelo colunista Leo Dias, então membro da equipe do UOL.

Na semana passada o assunto ganhou fôlego novamente após nova publicação da revista "piauí", que trouxe mais detalhes sobre o caso.

Por meio de sua defesa, dirigindo-se a esta coluna, Melhem admite ter cometido muitos erros, mas diz ser vítima de um "linchamento" feito com acusações em "off" baseadas em "motivações inconfessáveis" (esta coluna publicou informações em off a pedido dos entrevistados, que temem se expor).

Por sua conduta, Melhem, hoje com 48 anos, deixou a Globo em agosto após 17 anos na casa. Mas, os problemas, tudo indica, ainda estão longe de terminar.

Ele está se defendendo pelas vias legais e anunciou que entrará com ações contra Dani Calabresa e a defesa dela.

Veja a íntegra da nota enviada pela defesa do humorista à coluna:

"Li sua análise baseada em fontes anônimas de que de autor dedicado virei um "predador" que encurrala mulheres nos corredores da TV ao me tornar executivo, há 3 anos.

O off é um recurso consagrado, mas poucas vezes na história foi usado tão sem parcimônia para destruir uma pessoa sem abrir espaço para a dúvida e o direito de defesa. Permita-me, por favor, chamar sua atenção para alguns pontos.

1 - Eu não fui executivo da TV Globo por três anos, mas por um ano e meio.

2 - Na matéria da Folha, assinada pela colunista Mônica Bergamo, está dito que a maioria das situações relatadas, inclusive a da Dani Calabresa, teria acontecido antes de eu ser diretor. E agora esse grupo do off diz que eu teria mudado e me tornado um predador quando me tornei executivo da empresa.

3 - A expressão "encurralar vítimas em corredores" tem sido repetida a todo momento. Conheci poucos lugares no mundo com mais câmeras do que a Rede Globo. Que corredores são esses? Ninguém passa por eles? Jamais isso foi visto ou relatado? Na revista "Piauí" me acusaram, em off, de invadir o camarim do Projac para ver a Dani Calabresa de maiô em uma gravação que, na verdade, aconteceu sem minha presença, em ambiente externo, a vários quilômetros do Projac.

4 - Seu texto adjetiva a matéria da "Piauí" como "brilhante". É uma opinião, devo respeitá-la, mas, se for possível, permita-me dizer que o fato de ter muitos detalhes não a torna verdadeira. Aliás, a Mônica Bergamo, citada na "Piauí", foi ao Twitter no mesmo dia explicar que a pequena parte que citava ela estava errada. Imagine a minha parte!

Ricardo, muitos foram meus erros. Quero reconhecê-los e me responsabilizar por eles. Mas, permita-me fazer um apelo à consciência daqueles que lincham sem considerar o direito à dúvida, baseados em uma narrativa sem provas e sem considerar a hipótese de haver motivações inconfessáveis por trás de acusações anônimas."

Outro lado 2 - Globo

"A Globo não comenta questões de "compliance", mas reafirma que todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento. A Globo não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado.

Neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo. Por esse Código, assumimos o compromisso de sigilo do processo, assim como o de investigar, não fazer comentários sobre as apurações e tomar as medidas cabíveis, que podem ir de uma advertência até o desligamento do colaborador. Mesmo nas hipóteses de desligamento, as razões de "compliance" não são tornadas públicas.

Somos muito criteriosos para que os estilos de gestão estejam adequados aos comportamentos e posturas que a Globo quer incentivar e para que as medidas adotadas estejam de acordo com o que foi apurado. Não foi diferente nesse caso. O acolhimento e a empatia com quem relata situações de violação do Código de Ética são pontos essenciais do programa de "compliance" da empresa.

Isso não quer dizer que os processos de "compliance" sejam estáticos. Ao contrário.

Eles evoluem constantemente para acompanhar as discussões da sociedade. As práticas e as avaliações são revistas o tempo inteiro, assim como são propostas e acolhidas sugestões de melhoria nos mecanismos de comunicação interna. A própria sociedade está se transformando e a empresa acompanha esse processo."

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