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Sophia Barclay diz que foi alvo de homofobia na Universal; igreja apura

Drag Sophia Barclay - Arquivo pessoal
Drag Sophia Barclay Imagem: Arquivo pessoal
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

15/10/2020 00h09

A drag influencer, apresentadora e cantora Sophia Barclay, 20 anos, afirma ter sofrido ofensas e que foi alvo de homofobia dentro de uma Igreja Universal da zona oeste do Rio.

Ela afirmou à coluna que foi ridicularizada por ser drag e estar maquiada na quinta-feira passada (08).

Sophia frequenta a igreja há cinco anos e afirma que foi a primeira vez que foi humilhada em público.

No entanto, relata que já é alvo de discriminação de outros fiéis há tempos.

Ela é uma das muitas integrantes do movimento LGBT que passaram a frequentar a Universal em 2015.

Por quê?

Porque naquele ano Edir Macedo declarou pela 1ª vez que gays eram bem-vindos aos templos de sua instituição. A notícia foi então publicada com exclusividade por esta coluna.

Sophia Barclay teve sua história contada aqui no UOL, em maio último, no Universa.

Por causa de sua orientação, foi espancada pelo pai, sofreu abuso sexual, fugiu de casa, morou nas ruas e acabou acolhida por uma obreira da igreja de Edir Macedo. Ali dentro, disse à coluna, se converteu.

O caso relatado por ela com o segurança ocorreu na última quinta no templo localizado à rua Barão de Laguna, 150. É a chamada sede de Santa Cruz.

O agravante: ela estava acompanhada de um amigo, Ilton, com deficiência física e mental.

Esse deficiente, diz Sophia, teve o uso do banheiro negado pelo mesmo segurança.

Sophia afirma que está levando o caso às autoridades, e que está recebendo apoio de amigos, entidades e movimentos de direitos civis.

Na mesma noite ela relatou ter visto também um garoto de rua ser expulso das proximidades da igreja por dois seguranças, sendo que um estava armado.

Outro lado

Em nota envioada a esta coluna na tarde desta quinta-feira (15), a Unicom enviou o seguinte esclarecimento a respeito do caso de Sophia:

Senhor jornalista,

Sendo um dos principais alvos do preconceito no Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus é rigorosamente contra qualquer tipo de discriminação, a qualquer pessoa.

A Universal sempre foi conhecida como um lugar que acolhe a todos, independentemente de seu passado ou presente, pois essa é a base da fé cristã.

Segundo sua própria declaração, Sophia Barclay frequenta a Universal há cinco anos e, portanto, sabe que o incidente citado não condiz com o procedimento normal da Igreja.

Sophia e todas as pessoas da comunidade LGBT continuam sendo bem-vindas nos cultos da Universal.

Os fatos do incidente estão sendo apurados e serão usados para as devidas orientações aos envolvidos. (UNIcom — Departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da Universal).

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL