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Filme sobre Macedo "vitimiza" Universal por chute na Santa

Petrônio Gontijo interpreta o bispo Edir Macedo nos longas "Nada a Perder" - Foto: Divulgação
Petrônio Gontijo interpreta o bispo Edir Macedo nos longas "Nada a Perder" Imagem: Foto: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

12/10/2020 12h33

No segundo longa-metragem "Nada a Perder", que conta a biografia de Edir Macedo, o chute de Sérgio Von Helder na imagem de Nossa Senhora (que completou hoje exatos 25 anos) é transformado em um caso de preconceito religioso, intolerância e desrespeito à fé alheia.

Só que não é a Universal que é a culpada. É o contrário. Quem desrespeita e trama contra a Universal são os católicos.

Além de tratar o chute como uma "pancadinha", o filme força e exagera nos casos de "perseguição" e ataques a fiéis da Universal após o incidente.

Há invasões e destruição de templos às pencas; mulheres sozinhas e indefesas são quase linchadas; há uma iminente ameaça de fechamento da Universal no Brasil, por parte de autoridades (polícia e promotores) inescrupulosas e mancomunadas com a alta cúpula católica.

Só faltam as hordas de bárbaros com tochas e foices em busca de sangue.

Em outras palavras: em vez de admitir que abrigou um intolerante em suas hostes e que lhe dava espaço na TV em rede nacional, Edir Macedo (muito bem interpretado por Petrônio Gontijo, aliás) posa de vítima, de perseguido, de alvo da sanha dos católicos.

Isso, sim, é "narrativa".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL