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Análise: Regina Duarte desiste de seu papel mais ridículo

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

20/05/2020 11h07

No final do mês passado, em um quadro semanal no canal do UOL no YouTube, fiz um apelo público à atriz Regina Duarte, para que deixasse o governo.

Não deu tempo, porém. Ela foi "saída" do governo hoje. Deve agora assumir o comando da Cinemateca, em São Paulo.

Reconheci que a atriz talvez pudesse ter sido ingênua; ou que tenha ido parar no governo de Jair Bolsonaro por acidente.

Ou quiçá que tivesse boas intenções —daí ter aceitado assumir a desidratada secretaria especial da Cultura.

A pasta já vinha sendo esvaziada havia anos. Já fez parte do Ministério da Educação. Depois foi rebaixada a simples secretaria. Como tal virou um mero e inútil apêndice do também insosso Ministério da Cultura.

A despeito de seu passado e de sua história, Regina surpreendeu a todos os que a conheciam.

Primeiramente por defender um governo declaradamente autoritário.

Posteriormente por se enamorar e dele e defendê-lo. Adiante, ao se insinuar para um cargo. Por fim ao integrar uma equipe e um posto no qual obviamente não teria nenhum papel relevante —ao contrário dos que sempre ocupou na dramaturgia nacional.

Regina ficou lá por pouco mais de 70 dias e, como esta coluna "profetizou", não fez nada de útil. Pelo contrário.

Depois de tecer loas e declarar seu amor ao governo, de diminuir a importância dos mortos pelo coronavírus e de dizer que não aceitaria o papel (que ninguém lhe ofereceu) de "coveira", Regina Blois Duarte saiu do cargo nesta quarta-feira (20) —diminuída, desprezada, desautorizada, humilhada e derrotada por funcionários "olavistas" (a tal "ala ideológica") e pelo próprio presidente.

Nunca lhe deram a mínima.

Minha opinião absolutamente sincera? Bem-feito. Não tenho pena alguma.

E o que é pior: ela deve ser substituída por um ator que, ao contrário dela, nunca fez nada de relevante na TV: Mário Frias.

Regina Duarte deixa o governo e volta para a sociedade civil muito menor do que entrou.

A culpa é toda dela, mas ainda assim nós que cobrimos TV e apreciamos a dramaturgia lamentamos.

A "ex-namoradinha do Brasil" sai de cena e de seu papel mais ridículo.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL