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Ricardo Feltrin

Em crise, TVs aceitam baixar aluguel da grade para evangélicos

RR Soares não pretende renovar contrato com a Rede TV! por causa da relação custo e benefício - Fernando Donasci/Folhapress
RR Soares não pretende renovar contrato com a Rede TV! por causa da relação custo e benefício Imagem: Fernando Donasci/Folhapress
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

16/05/2020 09h54

Praticamente todas as igrejas evangélicas que ocupam horários nas TVs abertas conseguiram um desconto de até 70% no "aluguel" que pagam às TVs abertas.

Como esta coluna informou, elas vinham pressionando as emissoras desde abril. Algumas igrejas ocupam esses horários há décadas.

Com os cultos esvaziados por causa da pandemia de coronavírus, e com cada vez menos doações de fiéis —que perderam os empregos ou tiveram seus salários suspensos— líderes religiosos pressionaram para que as TVs baixassem o valor do "aluguel" da grade.

E conseguiram.

Segundo executivos de emissoras ouvidos por esta coluna, as TVs não tiveram saída: ou davam descontos ou perderiam uma importante de renda durante o momento de maior crise econômica da história do país (e do mundo).

RedeTV, Band e Gazeta estão dando vultosos descontos para não perder as "clientes" Igreja Universal, Igreja Internacional, Vitória em Cristo, Assembleia de Deus e Comunidade Cristão Paz e Vida.

Um dos maiores beneficiados foi o pastor R.R.Soares, da Igreja Internacional da Graça, que compra cerca de uma hora diária da Band e da RedeTV em horário nobre.

Segundo a coluna apurou, Soares obteve desconto temporário de cerca de 70% no "aluguel" da grade dessas emissoras.

A Universal também conseguiu um bom desconto do valor que paga mensalmente à Band pelo aluguel diário de 22 horas da rede 21, emissora UHF do Grupo Band.

Demissões em massa

Além de baixar o custo do aluguel que pagam às emissoras, as igrejas evangélicas acima citadas (e outras) estão promovendo demissões em massa em suas equipes de mídia —de rádio, TV e jornais.

Como esta coluna informou com exclusividade no início de abril, a Igreja Renascer demitiu dezenas de funcionários da Rede Gospel desde o início da pandemia.

Também suspendeu ou demitiu vários músicos de sua orquestra.

A Igreja Internacional também promoveu demissões em suas equipes de TV e rádio em São Paulo, Rio e Belo Horizonte.

Embora jamais comente a respeito, os repasses mensais da Universal à Record, que na década passada chegaram até a estimados R$ 700 milhões hoje caíram para menos da metade disso.

Há décadas a Globo cede uma hora semanal para a Igreja Católica celebrar a Santa Missa em Seu Lar, mas não cobra nada por isso.

Apesar de ter sido assediado inúmeros vezes nos últimos anos, o SBT é hoje a única emissora em São Paulo que não tem nenhuma igreja em sua programação.

No entanto boa parte de suas afiliadas Brasil afora tem.

A necessidade prementede baixar custos não é só de igrejas. As próprias emissoras também estão cortando salários, tentando baixar o valor pago a prestadores de serviços como a Kantar Ibope, tentando adiar pagamento de dívidas trabalhistas e, como esta coluna informou anteontem.

Enfim, não está fácil para ninguém.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL