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Zelensky pede em Cannes que cinema não silencie diante da guerra na Ucrânia

17/05/2022 20h00

Cannes (França), 17 mai (EFE).- O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursou nesta terça-feira na cerimônia de abertura da 75ª edição do Festival de Cannes, onde pediu que o cinema não silencie diante do conflito "mais terrível" desde a Segunda Guerra Mundial.

Pouco depois de Forest Whitaker ser homenageado com a Palma de Ouro Honorária, a solenidade apresentada pela atriz Virginie Efira teve um contato direto por vídeo com o chefe de Estado ucraniano, que falou sobre o poder da sétima arte para defender a liberdade.

"Os mais terríveis ditadores do século 20 amavam o cinema, mas o único que que ofereceram são essas terríveis imagens de documentários. Poderíamos ter pensado que não iriam mais acontecer guerras, mas então, como agora, havia um ditador, uma guerra contra aa liberdade, agora e antes, o cinema não deve ficar mudo", disse Zelensky.

O presidente ucraniano citou como exemplo do envolvimento do cinema no mundo com o filme "O Grande Ditador", de Charles Chaplin, que estreou em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial.

"Precisamos de um novo Chaplin, que mostre que o cinema não está mudo", afirmou Zelensky.

"Nós vamos seguir lutando, não nos resta outra opção. O ditador vai perder", disse o chefe de Estado, em referência ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, diante da plateia que participava da abertura do festival.

Zelensky, inclusive, lembrou do ataque contra o teatro de Mariupol, que foi atacado por bombardeio russo, apesar de estar repleto de civis abrigados.

O presidente disse ter lembrança muito claro do início da guerra, em 24 de fevereiro e citou a famosa frase do filme "Apocalipse Now", sobre o cheiro de napalm pela manhã.

"Esse odor não pode ser confundido", disse. EFE