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No México, Dilma participa de ato de aniversário de fundação de Tenochtitlan

14/05/2021 01h53

Eduard Ribas i Admetlla.

Cidade do México, 13 mai (EFE).- A ex-presidente Dilma Rousseff participou nesta quinta-feira de um ato de comemoração pelo 700º aniversário de fundação de México-Tenochtitlan, atual Cidade do México, uma data questionada por historiadores locais.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, fez um discurso na cerimônia, realizada no Templo Mayor, antigo local cerimonial de Tenochtitlan, acompanhado da esposa, Beatriz Gutierrez Müller, representantes indígenas e autoridades mexicanas. Dilma foi a convidada de honra.

"Enquanto o mundo existir, a glória e a fama de México-Tenochtitlan não terminará", disse Lopez Obrador, parafraseando um velho provérbio nahua, uma cultura presente durante séculos no Vale do México, no centro do país.

A cerimônia fez parte de uma maratona de eventos convocada pelo governo mexicano ao longo de 2021 para lembrar os 700 anos da fundação de Tenochtitlan, os 500 anos da conquista da cidade pelo espanhol Hernán Cortés (1521) e os 200 anos da independência do México (1821).

DATA QUESTIONADA.

O presidente mexicano, que transformou as comemorações em uma homenagem aos povos indígenas, ressaltou que é "admirável" que os mexicanos ou astecas tenham erguido em Tenochtitlan "uma cultura excepcional e um poder que dominou toda a região da Mesoamérica".

Ele lembrou que 40% dos atuais municípios do México têm nomes em náhuatl, língua do povo mexica - que dominava o imperio asteca - e criticou a "barbárie da conquista espanhola", pela qual já pediu à Espanha inúmeras vezes que se desculpe.

"Antes da chegada dos espanhóis, Tenochtitlan era uma grande cidade, como os próprios invasores expressaram com profunda admiração", disse López Obrador, que fez um resumo detalhado da história da cidade até o trágico acidente de metrô que deixou 26 mortos no último dia 3.

Segundo a lenda, os ancestrais dos mexicas fundaram Tenochtitlan em uma ilha no lago de Texcoco, onde viram uma águia comendo uma cobra em cima de um cacto, uma imagem imortalizada no brasão de armas do México.

Estudiosos, entretanto, questionaram a arbitrariedade com que o governo de López Obrador datou a fundação em 13 de maio de 1321 para fazê-la coincidir com as celebrações da independência do país.

Os historiadores não sabem ao certo quando a capital mexicana foi fundada, e as únicas fontes sugerem que isso pode ter acontecido em 1325.

CONVIDADA DE HONRA.

Como convidada de honra, Dilma também discursou no evento. Ela fez críticas ao governo de Jair Bolsonaro e elogiou López Obrador por construir "um México democrático, diversificado, justo e soberano".

"O México não é mais uma terra de conquistas", disse.

Com a participação na cerimônia, a ex-presidente brasileira entrou em uma lista de líderes progressistas latino-americanos convidados neste ano por López Obrador por ocasião dos atos pelo aniversário de Tenochtitlan.

O primeiro foi o presidente da Argentina, Alberto Fernández, presente no dia 24 de fevereiro no 200º aniversário do Plano de Iguala, que declarou a independência mexicana.

O chefe do governo boliviano, Luis Arce, participou em 25 de março da comemoração da vitória maia de Chakán Putum sobre os conquistadores espanhóis.

Em 3 de maio, o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, acompanhou López Obrador em um ato de desculpas do Estado mexicano pela marginalização do povo maia.

O governo espanhol confirmou sua intenção de participar das comemorações, mas descartou o pedido de desculpas pela conquista.